30 de novembro de 2010

Believe

Os cadernos de Agatha Christie



Depois da morte de um escritor de sucesso, os herdeiros se vêem diante de uma dúvida: o que fazer com os arquivos pessoais dos autores? Há os que decidem publicar tudo, e são criticados por desrespeitar a memória do autor – um exemplo é a indignação de críticos literários com a publicação de Os originais de Laura, de Nabokov, que não estaria à altura das outras obras do escritor.

Por outro lado, a decisão de não publicar os textos é igualmente problemática. Corre-se o risco de privar o público de textos cujo valor é inestimável. O castelo e O processo, obras-primas da literatura mundial, foram publicados à revelia de Franz Kafka, que desejava que seus textos inacabados fossem queimados após a morte. Nesse caso, a crítica é quase unânime: Max Brod, amigo de Kafka, fez muito bem em desrespeitar as vontades do autor.

Nos últimos anos, porém, o valor literário parece não ter mais qualquer influência na decisão de publicar ou não um texto inédito. A prova disso é a publicação de caça-níqueis como Os diários secretos de Agatha Christie, que acaba de ser chegar ao Brasil. Organizado por John Curran, curador literário do legado da autora, o livro reúne páginas dos 73 cadernos pessoais em que a autora escrevia rascunhos de suas obras.

Apesar de ajudar a compreender o processo criativo da escritora, os desenhos, notas e listas de personagens acrescentam pouco ao que já se sabe sobre Agatha – e não chegam nem perto da qualidade de seus romances e peças de teatro. Basta olhar as páginas reproduzidas no livro para nos assegurarmos de que a autora não tinha a menor intenção de vê-las publicadas: os cadernos são uma verdadeira bagunça, com notas aleatórias, rasuras e rascunhos de tramas de livros interrompidas por anotações cotidianas como listas de compras e números de telefone.

O principal atrativo do livro são dois contos inéditos da autora. Em A captura do cérebro, o detetive Hercule Poirot enfrenta um mistério capaz de mudar os rumos da Europa, em uma história com personagens nitidamente inspirados em Hitler e Mussolini. O conto foi recusado pela revista Strand em 1940, por seu teor político. Em O incidente da bola de cachorro, outro conto publicado pela primeira vez, Poirot recebe uma carta de uma senhora. Ao visitá-la, descobre que ela está morta. O conto nunca foi apresentado para a publicação: em vez disso, Agatha decidiu ampliar a história e escrever o romance Poirot perde uma cliente.

A qualidade dos contos, que devem encantar os fãs do detetive belga, parece ser a única justificativa para a publicação do livro. Publicá-los junto com os “cadernos secretos” é uma decisão comercial: os contos dão aos leitores um motivo para comprar o livro, enquanto as centenas de páginas adicionais permitem que as editoras cobrem um preço muito maior do que o de um pequeno livro de contos. Até chegar ao que lhes interessa, os admiradores da ficção de Agatha Christie são obrigados a enfrentar 407 páginas de rascunhos que nunca deveriam ter saído da gaveta. Um desrespeito à autora – e ao leitor.



Danilo Venticinque 

O bom humor faz bem para saúde




“Procure ver o lado bom das coisas ruins.” Essa frase poderia estar em qualquer livro de auto-ajuda. Mas, segundo os especialistas que estudam o humor a sério, trata-se do maior segredo para viver bem. Não se trata de ver o mundo com os olhos róseos de Pollyanna. Esse tipo de flexibilidade para encarar os acontecimentos ruins não garante apenas algumas risadas: pode fazer bem para a saúde.

O bom humor é a expressão de que o corpo está bem. Ele depende de fatores físicos e culturais e varia de acordo com a personalidade e a formação de cada um. Mas pode ser ajudado com uma visão otimista do mundo. Um indivíduo bem-humorado sofre menos porque produz mais endorfina, um hormônio que relaxa. A endorfina aumenta a tendência de ter bom humor. Ou seja, quanto mais bem-humorado você está, maior o seu bem-estar e, conseqüentemente, mais bem-humorado você fica. A endorfina também controla a pressão sanguínea, melhora o sono e o desempenho sexual.

Mas, mesmo que não houvesse tantos benefícios no bom humor, os efeitos do mau humor sobre o corpo já seriam suficientes para justificar uma busca incessante de motivos para ficar feliz. O indivíduo mal-humorado fica angustiado, o que provoca a liberação no corpo de hormônios como a adrenalina. Isso causa palpitação, arritmia cardíaca, mãos frias, dor de cabeça, dificuldades na digestão e irritabilidade. A vítima acaba maltratando os outros porque não está bem, sente-se culpada e fica com um humor pior ainda. Essa situação pode ser desencadeada por pequenas tragédias cotidianas, como  uma conta para pagar, que só são trágicas porque as encaramos desse modo.

Evidentemente, nem sempre dá para achar graça em tudo. Há situações em que a tristeza é inevitável – e é bom que seja assim. A alegria favorece a integração e a tristeza propicia a introspecção e o amadurecimento. Temos de saber lidar com a flutuação entre esses estágios, que faz parte da natureza humana. O humor pode variar da depressão (o extremo da tristeza) até a mania (o máximo da euforia). Esses dois estados são manifestações de doenças e devem ser tratados com a ajuda de psiquiatras e remédios que regulam a produção de substâncias no cérebro.

Enquanto as consequências deletérias do mau humor são estudadas há décadas, não faz muito tempo que a comunidade científica passou a pesquisar os efeitos benéficos do bom humor. O interesse no assunto surgiu há vinte anos, quando Norman Cousins publicou o livro Anatomia de uma Doença, contando um impressionante caso de cura pelo riso. Nos anos 60, ele contraiu uma doença degenerativa na coluna vertebral, chamada espondilite ancilosa, e sua chance de sobreviver era de apenas uma em quinhentas. Em vez de ficar no hospital, ele resolveu sair e se hospedar num hotel das redondezas, com autorização dos médicos. Sob os cuidados de uma enfermeira, com o corpo quase paralisado, Cousins reunia os amigos para assistir a programas e seriados cômicos na TV. Gradualmente foi se recuperando até voltar a viver e a trabalhar normalmente. Ele morreu em 1990, aos 75 anos.

Hoje há muitos profissionais de saúde que defendem a entrada das risadas no dia-a-dia dos pacientes internados. O mais radical deles é Patch Adams, um médico americano que construiu o primeiro “hospital bobo” do mundo. Adams quer que os doentes dêem risadas enquanto se recuperam. Uma boa gargalhada é um método ótimo de relaxamento muscular. Isso ocorre porque os músculos não envolvidos no riso tendem a se soltar. Está aí a explicação para quando as pernas ficam bambas de tanto rir ou para quando a bexiga se esvazia inadvertidamente depois daquela piada genial. Quando a risada acaba, o que surge é uma calmaria geral. Além disso, se é certo que a tristeza abala o sistema imunológico, sabe-se também que a endorfina, liberada durante o riso, melhora a circulação, a capacidade de resistir à dor e a eficácia das defesas do organismo.

Fábio Peixoto  
Artigo adaptado por Lena Simões

O cansaço do dia-a-dia



Se o cansaço não está ligado a nenhuma doença, é possível melhorar os níveis de energia no dia a dia fazendo algumas mudanças na rotina e na dieta. A atividade física também é importante. Pessoas sedentárias reclamam mais do cansaço do que as ativas. Bastam 20 minutos de exercício três vezes por semana para reverter o quadro. Confira abaixo as principais causas da fadiga no cotidiano e saiba como tratá-las:

Dormir pouco: é a causa mais óbvia, e a primeira que as pessoas tentam remediar quando sentem-se esgotadas. Diversos estudos mostram que dormir pouco afeta a concentração e a saúde. Se a dificuldade para dormir está ligada à ansiedade ou dura há mais de uma semana, o ideal é procurar um médico. Só ele poderá diagnosticar corretamente o problema.

Apneia: respirar mal durante o sono, ou até ficar alguns segundos sem respirar, afeta diretamente a disposição no dia seguinte. A maioria das pessoas nem sabe que tem a condição, que pode aumentar o risco de diabetes, pressão alta e doenças cardiovasculares. Parar de fumar e emagrecer costumam reduzir a apneia, mas muitas vezes é necessário fazer tratamento médico.

Dietas restritivas: não comer direito, ou se alimentar com os alimentos errados, causa um grande desgaste ao organismo. Isto porque a falta de comida (ou o excesso de açúcar e produtos refinados) altera os níveis de açúcar do sangue. Coma pelo menos três refeições por dia que combinem proteínas, carboidratos, frutas ou verduras e só faça dietas com orientação de um profissional da área.

Anemia: o distúrbio é a principal causa da fadiga em mulheres na idade fértil. A perda de sangue durante a menstruação pode causar a deficiência de ferro, uma das principais causas da anemia. O mineral é fundamental para levar oxigênio para o sangue e para os tecidos. Consulte seu médico sobre a possibilidade de tomar um suplemento de ferro e invista em alimentos ricos na substância, como fígado, feijão, mariscos e cereais fortificados.

Depressão: a tristeza e o desânimo que não passam também causam uma série de problemas físicos. Dor de cabeça, perda de apetite, sonolência, cansaço e falta de ânimo fazem parte do quadro. Se os sintomas não melhorarem após duas semanas, é hora de consultar um médico.

Hipotireoidismo: a tireoide é uma pequena glândula que fica na base do pescoço. Ela é responsável pelo metabolismo, que controla a velocidade com que o corpo converte os alimentos em energia. Quando ela está pouco ativa, o metabolismo fica lento. Com isso, as pessoas ganham peso, retêm líquidos e ficam mais desanimadas. Um simples exame de sangue comprova o problema, que costuma ser facilmente tratado com medicamentos.

Excesso de cafeína: chá, café, refrigerantes e mate, em doses adequadas, aumentam a disposição e a concentração. Só que em excesso (geralmente mais que duas xícaras de café ou duas latas de refrigerante por dia) aumentam os batimentos cardíacos, a pressão e o nervosismo. Se este é o seu caso, reduza o consumo aos poucos.

Doenças cardíacas: perder o fôlego ou ficar cansado ao limpar a casa, cozinhar ou cuidar do jardim pode ser sinal de que algo não vai bem com o coração. Consulte o médico e elimine a possibilidade de doenças cardiovasculares.

O jogo está justo?



Tá bom, príncipe encantado não existe. Mas você pelo mesmo tem certeza de que ela está tão feliz com a relação quanto você?

Tem casais que dividem a parada do dia a dia meio a meio. Cada um tem sua carreira, cada um tem seu salário e sua conta corrente. E dividem também as responsabilidades que envolvem a casa e os filhos. De modo geral, mesmo nessa perspectiva igualitária, a mulher fica com mais tarefas domésticas em sua conta e o homem fica com mais peso de prover sobre seus ombros. Esse modelo funciona para um monte de gente – especialmente para casais que ganham parecido, cuja renda familiar necessita dos proventos de ambos e que não abrem mão de ter, individualmente, tanto independência financeira quanto participação na gestão da casa e na criação dos filhos.

Tem casais que dividem a barra de um outro jeito. Um dos dois, geralmente o homem, se dedica a ganhar dinheiro. E o outro, geralmente a mulher, se dedica a cuidar do resto. Um cuida do faturamento do casal. O outro funciona um pouco como um "chefe" da casa. É um modelo mais tradicional, de certo modo. E acontece em geral quando um dos dois ganha realmente bem, a ponto de liberar o outro da função de fazer dinheiro. Não é tão róseo quanto parece: não raro, quem está na rua se distancia da rotina da casa. E quem está em casa se aliena em relação ao mundo lá fora. Ainda assim, esse modelo persiste. Então deve funcionar minimamente bem para quem tem condições de adotá-lo.

Em uma e em outra situação, cabe sempre uma pergunta: sua mulher está cuidando bem de você, dos seus filhos, da sua família, da sua casa. Mas será que ela está cuidando bem de si mesma? Sua mulher está feliz dobrando a jornada para cuidar de tudo? Você está mesmo dividindo a faina com ela? Sua mulher não está se apequenando perigosamente ao se dedicar apenas à família e não mais a uma profissão, a um projeto pessoal, autônomo, independente?

Enfim: sua vida vai bem, está tudo certinho, correndo direito. Você agradece? Você reconhece? Você retribui? E do outro lado, onde habita a sua parceira ou o seu parceiro, o jogo está equilibrado, está justo, é sustentável para o longo prazo? É muito boa a sensação de estar sendo bem tratado, de ver sua prole e sua roupa bem tratadas. É muito bom ver que ela (ou, repito, ele) cuida tão bem da agenda do casal, do planejamento da viagem, das festas de fim de ano, da escola e do aniversário das crianças. 

Mas… e você, amigo, como você está cuidando dela?

Adriano Silva

Placebo pode ser o melhor remédio



Placebo é definido na medicina como droga ou intervenção que não tem efeito direto em doenças. É a simulação de um remédio - como pílulas de açúcar, por exemplo. Desde a metade do século XX, médicos e pesquisadores recorrem a ele em testes de drogas e tratamentos. Se os remédios tiverem resultados melhores do que o placebo, sinal de que a pesquisa é promissora.

Uma nova leva de estudos, no entanto, tem mostrado que o placebo não serve só para pesquisas de medicamentos - também pode ter efeito significativo sobre as doenças. Um exemplo: pacientes com a síndrome do intestino irritável, doença que leva à inflamação do intestino, melhoraram com acupuntura placebo (agulhas falsas que não perfuram a pele). E o índice de melhora variou de acordo com a atenção que os pacientes receberam do médico - quem ganhou mais melhorou mais. Há até casos de cirurgia em que o placebo funcionou. Em outro estudo, pacientes com artrose que passaram por uma operação placebo (com pequenas incisões, mas sem ação médica) tiveram os mesmos resultados que pacientes que passaram por uma operação real.

É verdade que a melhora pode estar relacionada à evolução natural das doenças. Mas existem teorias que explicam a influência do placebo. Quando alguém toma uma pílula de açúcar acreditando que aquilo é remédio, surge a expectativa de melhora. Mudanças na área do cérebro que processa as emoções podem influenciar outros processos do corpo, como o nível dos hormônios, o sistema imunológico e o sistema nervoso periférico. Ou seja: a expectativa de melhora pode mudar a percepção de dor, aliviar uma inflamação de pele ou reduzir o tremor causado por mal de Parkinson.

Existe um fenômeno que ajuda a entender isso: o fenômeno da atenção seletiva. Em guerras, soldados feridos só começam a sentir a dor de um membro dilacerado quando a batalha acaba, porque a atenção antes estava toda concentrada no conflito. É por isso que tomar o placebo pode ajudar um paciente: a expectativa de melhora desviaria a atenção de dores e emoções negativas. É uma forma de trocar a rede de neurônios em atividade, daquela associada a doenças para aquela associada ao bem-estar. O que dá força a essa teoria é a comprovação recente de que o efeito placebo desaparece sempre que é bloqueada a atividade do córtex pré-frontal - uma área que pode ser descrita como coordenadora do cérebro, por controlar nossa cognição, emoção e ação.

Se uma pílula de açúcar ou uma agulha falsa não fazem mal e têm efeitos tão poderosos, por que não prescrever placebos? A principal barreira é ética: se o médico disser ao paciente que vai prescrever placebo, o tratamento não funciona. O que já dá para explorar é a ação do médico. Se o tratamento for dado com mais atenção e orientação, maior será o efeito. E, no futuro, poderemos usar as pesquisas com placebo para aproveitar o efeito terapêutico da expectativa de melhora.

Felipe Fregni

Mutilação no deserto


  
Acho que todo mundo já ouviu falar na top model somali que foi circuncidada e fugiu de seu país. A história dessa moça é triste, mas de superação, e merece ser contada. Ela se chama Waris Dirie e hoje é embaixadora da ONU contra a causa que fez o mundo tomar conhecimento: a mutilação genital feminina (FGM, na sigla em inglês).

Aos cinco anos, Waris teve seu clitóris cortado, bem como os grandes e pequenos lábios. Depois, tudo foi costurado e apenas uma buraquinho foi deixado para sair a urina e a menstruação. Se permanecesse na família, e não fugisse aos 13 anos, após ser forçada a casar, a cicatriz deixada pela costura seria cortada à faca pelo marido.

Este era o ritual sagrado do casamento. Eu fico com o estômago revirado e os olhos marejados em pensar que seis mil meninas são submetidas a essa violência física e psicológica todos os dias no mundo todo. Essa mutilação causa dores, infecções e problemas na gestação. Muitas meninas morrem, e muitas mulheres já adultas também morrem por conta da FGM.

O filme Flor do Deserto é baseado no livro que Waris escreveu sobre sua vida (“waris”, em somali, quer dizer “flor do deserto”). Depois de fugir de casa, atravessar o deserto a pé e encontrar sua avó na cidade grande, foi para Londres fazer faxina na Embaixada da Somália. Não desejava retornar ao seu país destroçado pela guerra civil, então passa a viver ilegalmente na capital britânica. Com a ajuda de uma vendedora de roupas, arranja emprego no Mc Donalds e começa a se estabilizar. É na lanchonete que conhece Terence Donovan (Terry Donaldson), famoso fotógrafo de moda que percebeu seu potencial como newface.

Demora a se abrir para esta oportunidade e, quando decide fazer sucesso nas passarelas, descobre que não pode viajar porque seu visto vencera há seis anos. A solução é casar com o síndico da pensão onde mora, rapaz a princípio adorável, mas obstinado em conquistá-la. Depois de um ano, e com visto permanente, Waris ganha o mundo e a imprensa. É para uma jornalista que conta o dia que mudou sua vida. Não era aquele em que Donovan ofereceu se cartão, mas o da trágica tarde em que foi mutilada. O mundo se cala e ela é convidada a ser embaixadora da ONU.

A história é pesada, mas o filme é esteticamente bonito, com cores fortes e belíssimas cenas do deserto. Quem faz o papel de Waris é Liya Kebede, top model etíope que também luta por uma causa nobre – a promoção da saúde materna e infantil. Pelas semelhanças entre a história de Waris e ela (são africanas, modelos e trabalham com a ONU), Liya é natural ao atuar, passa sinceridade na personagem. Já Sally Hawkins estereotipa Marilyn, a amiga vendedora de roupas, poderia ser menos exagerada. O ótimo Timothy Spall (Donaldson) e Craig Parkinson (Neil, o marido) retratam muito bem seus papéis, mas Anthony Mackie (Harold Jackson) parece estar sobrando na trama. Como disse um amigo, Harold não tem muito uma função a cumprir, ou melhor, tem: não tornar a Waris assexuada. Uma pena, porque o rapaz é talentoso.

O fim do filme traz uma carga de engajamento muito grande, que é o da própria vida da Waris, mas, como cinema, não funciona muito. Na vida real – fora das telas –, essa militância torna a história dessa mulher, hoje com 45 anos, ainda mais especial.

Laura Lopes

29 de novembro de 2010

Franco, o gato Ninja



Era quase meia-noite de uma quinta-feira, há cerca de quatro meses, quando encontrei um gatinho na entrada no condomínio onde moro, em Fortaleza. O miado era tão fraco, mas tão sentido, que me cortou o coração. Não teve jeito. Tive de socorrê-lo. Era só o couro e o osso e muita pulga.

Na época, já tinha em casa uma gata persa linda, a Valentina, uma “senhora” felina, calma, concentrada, toda cheia de si. Coitada se fosse invadida pelas pulgas do gatinho. Não tive escolha. Levei o filhote direto para a pia do banheiro, meti água com sabão, catei todas as pulgas. Ele só tremia de tanto frio. Talvez de tanto medo. Depois de muito bem secado com uma toalha, foi a vez de matar a fome e a sede. E olha que não eram pequenas. Coitado, foi desmamado só Deus sabe como, e jogado no mundo como um lixo.

Mas, milagres acontecem. Passada a fase de adaptação, o Franco, como foi batizado revelou-se um dos gatos mais inteligentes que já vi. É super atento. Suas orelhas funcionam como radares para sons que não consigo ouvir. Ruídos insignificantes, para mim, despertam a sua atenção e os olhos felinos saltam a postos. E o bom humor, então, é incrível. Na sua subjetividade de gato, as gargalhadas devem ser estridentes. Imagino assim, pela reação que ele tem ao final de suas ações pensadas estrategicamente para me assustar. Ele se enfia nos cantos mais inimagináveis.

E lá vou eu, na minha pressa de sempre, correndo de um canto a outro do apartamento para deixar tudo pronto antes de sair ao trabalho. De repente, ele salta nos meus pés, vindo não sei de onde, como se materializasse depois de uma fase invisível. Não dá para entender como ele consegue fazer. Mas faz e me provoca, além do susto, uma boa gargalhada. Ele me tira do tempo, e do estresse do dia a dia. É a zooterapia pura, sem muitas técnicas de planejamento.

Outra tirada do Franco, que a Física newtoniana não explica, é o movimento de seu corpo esguio no ar, como um gato morcego. Mas ele não conta com nenhuma roupa especial, como o homem morcego que passou recentemente no Fantástico. Basta um bom pretexto para ele se deslocar de onde estiver, saltando no espaço a uma distância que só mesmo com asas.

É um gato Ninja, não tenho dúvidas. E quando ele dá para me escalar, como se eu fosse uma montanha, só para pegar meu pingente no colar, é outro feito que me deixa a pensar. Como pode? Ele está lá, todo tranquilo, nos meus pés, a me olhar enquanto me arrumo. Parece que fica à espera do sutil movimento de quando eu pego a correntinha, arrumo o fecho e, de repente, ele afia as unhas e sobe em mim, dos pés ao pescoço, em milésimos de segundo. Só tenho tempo de me virar, mas ele salta no ar e sai disparado como uma flecha. Parece que sua mente não para.

É o tempo todo traçando novos planos para me tirar a atenção, ou melhor, para ter a minha atenção. Jamais pensei que um simples gatinho sem raça definida fosse revelar-se tão intrigante!

Valéria Feitosa

Este post a dedico às minhas amigas Angelina e Ana Lúcia, apaixonas por gatas e gatos...

Cães: posse responsável



Um dos grandes motivos para a paixão por cães é a capacidade que eles têm de amar o seu proprietário com uma fidelidade inigualável. Você já olhou bem fundo nos olhos de seu cãozinho e sentiu aquele silêncio de comunicação telepática que só quem sabe é quem cria?
 
Pois é assim que é fácil perceber a capacidade de interação desses animais com os seres humanos. O vínculo entre os dois estabelece uma troca de sentimentos que, de tão verdadeiros, se amplia para outros momentos da vida das pessoas.

É por isso que se diz que, geralmente, quem cria bicho torna-se mais humano. É como se os animais florescessem em nós a capacidade de sentir bons sentimentos, sejam eles de amor, amizade, compreensão, solidariedade, compaixão. Tudo que o mundo está precisando.

O amor incondicional é uma realidade entre cães e crianças. Desde que escolhida a raça correta e oferecidas ao animal as condições de vida que ele precisa para seu bem-estar, a convivência é só de tranquilidade, paz e amor. Por isto, está na ordem do dia a campanha pela posse responsável.

Criar cachorro é tudo de bom, mas as responsabilidades com ele devem ser melhores ainda. Alimentação, vermifugação, vacinação, lazer, adestramento, boa moradia e castração (se você não é criador profissional) são condições básicas para o seu bichinho estar sempre feliz e lhe dando mais felicidade ainda.

Valéria Feitosa

 
Dedico este post à minha amiga Carmen, uma grande e eterna  mãezona criadora de cães lindos!
 

Legomania virou arte



Que atire a primeira peça retangular de Lego quem nunca sonhou, durante a infância (ou mesmo depois dela), em ter como profissão a deliciosa e terapêutica tarefa de montar esculturas enormes usando os famosos bloquinhos coloridos? O artista americano Nathan Sawaya foi muito além da mera vontade e transformou o brinquedo em seu trabalho.

Radicado na cidade de Nova York, Nathan foi advogado em um bem conceituado escritório de Manhathan durante anos. Neste ambiente formal, em um concurso que encorajava os advogados a encontrarem um novo uso para objetos já consagrados, as pecinhas de Lego entraram em sua vida de vez - e, claro que ele ganhou a competição.

Suas peças são feitas inteiramente do brinquedo educativo e cada uma delas pode consumir centenas ou até milhares de bloquinhos, dependendo do tamanho. Atualmente em cartaz na Galeria Agora de Nova York, com a exposição “Red”, o escultor desenvolve principalmente esculturas e retratos, que têm formas quase que primárias e tridimensionais.

Em uma mistura de pop art e surrealismo, os trabalhos recentes apresentados na galeria têm uma pegada mais biográfica e introspectiva, representando muitas vezes algumas ideologias e sentimentos íntimos de Nathan.

Além disso, é uma vertente do mundo das artes que atrai, mesmo que por motivos distintos, pessoas das mais diferentes idades, desde crianças que brincam com as peças no dia a dia, até adultos que se sentem nostálgicos ao lembrarem sua meninice com o brinquedo de infância.

A habilidade de Nathan em transformar simples blocos de plástico em esculturas, que apesar de serem complexas na fase de produção, passam um sentimento de simplicidade quase orgânica quando estão prontas, mostra que de fato não são necessários elementos mirabolantes para se fazer arte de qualidade.

O artista, que já trabalha em novas ideias para as duas mostras que pretende abrir em 2011, confessa possuir mais e 1,5 milhões de peças de Lego em seu estúdio. É ou não é o sonho de qualquer criança e de muito marmanjo por aí?

Caru Ares

Balas de goma, pirulitos e jujubas



A gastronomia atual adora brincar de desconstruir e criar novas apresentações, fazendo o mais simples e cotidiano paladar virar algo verdadeiramente surpreendente. A febre do momento é brincar com balas de goma, jujubas e pirulitos que viraram doces de adultos com ares sofisticados e combinações curiosas feitas especialmente para o paladar dos apaixonados por novas experiências.

Se até então os sabores dos pirulitos eram apenas os clássicos de frutas, agora é possível degustar gostos exóticos, como lavanda, gengibre com wasabi e até bacon. A empresa americana Lollyphile ainda produz doces no palito que precisam mesmo ficar longe de crianças, como é o caso dos pirulitos feitos de vodca, absinto, amaretto e bourbon.

Para quem aprecia um bom vinho, uma empresa americana criou uma linha inspirada em vinhos. Não se tratam, porém, de simples balas com gosto de vinho. O gosto é resultado da desconstrução de sabores que combinam com as uvas mais comuns. A brincadeira funciona assim: a empresa oferece um kit com uma quantidade de balas para cada tipo de vinho. Então, se você é fã de Malbec, o kit contém balas de groselha, framboesa, cereja, ameixa e pimenta-do-reino. A mistura de todas ao paladar final em muito se parece com os vinhos dessa uva.

Com uma pegada mais divertida, a Happy Pills conquistou os adultos da Espanha e de toda a Europa ao associar balas coloridas e mensagens bem humoradas. Suas embalagens parecem vidros de remédio, com curas açucaradas contra os males da vida. Basta escolhera o tipo de guloseima e o rótulo da etiqueta, que pode ser “Para quando quiser gritar” ou “Contra os telefones que não tocam”. Uma simples combinação de bom humor com doses de açúcar e o sucesso do docinho está sendo garantido.

Essas deliciosas curiosidades fazem a gente ficar cobiçando o saquinho de balas dos coleguinhas gringos. Para a alegria da garotada, todas essas curiosas delícias tem entrega para o Brasil, exceto a Happy Pills.

Porém, já não é preciso sair do país para comprar doces em lugares curiosos. A Papabubble, casa de doces que ficou famosa em Nova York, acaba de chegar ao Brasil. O diferencial está na mistura entre a estética moderna e a tradição. De forma artesanal, as balas são feitas diante dos clientes, que poderão experimentar pedaços ainda quentes dos doces. Também é possível encomendar balas personalizadas que enchem os olhos e as bocas de todas as idades. Com tantas opções, só não vale ficar de olho no saquinho de balas das crianças.

Luty Vasconcelos

O peso que cada um carrega



Foi preciso perder uma pessoa muito querida, no ano passado, para descobrir o que eu custei a entender: nem tudo depende de mim.

No auge do medo da perda, é claro que a gente dobra a disposição para fazer tudo que parece estar ao alcance. Telefona para o médico toda hora, procura especialista em outra cidade, pesquisa terapias alternativas, inventa as próprias soluções, pede ajuda aos parentes, reza para todos os santos, troca informações em redes sociais, discute com os enfermeiros... Mas acontece de chegar o momento em que nada mais resolve. O momento da temida e dura entrega, da aceitação de que o poder já não está conosco – se é que esteve algum dia.

De lá para cá, tenho estado mais atenta ao que eu não posso mudar. Percebi que minha irritabilidade, antes constante, se devia em grande parte à mania de querer manter tudo sob controle. Sob o meu controle. Eu achava que era assim que eu tinha de agir: antecipando todos os problemas que tinham chance de acontecer, me precavendo, criando regras para tudo funcionar. E o mais grave é que eu acreditava que antes de tudo tinha de controlar a mim mesma. Vivia como um soldado obediente ao general, mas ambos eram eu. Como quase nada saía como previsto, estava sempre me irritando com os resultados imperfeitos. Chato e desnecessário, hoje sei.

Decidi que muita coisa não está e não deve estar sob as minhas ordens. Relaxei. Passei a saber que não preciso ter tempo para fazer tanta coisa, já que o dia tem 24 horas e não existe mesmo tempo para todas as coisas que eu costumava achar que tinha de fazer. Desconfio que é mais importante dar-me menos coisas para fazer – para ter mais o que fazer com as coisas que já tenho.

Era comum eu partir para a briga antes mesmo de o conflito surgir: eu o antecipava. Achava que brigando conseguiria o que me era de direito. Fracassei. Hoje estou experimentando aceitar algumas derrotas, depois entender melhor o adversário para então mudar as estratégias de defesa e ataque. Já sei que não vou ganhar sempre, e já não me maltrato tanto por isso.

Se sei que não vou ganhar, poupo energia e evito brigar à toa. Exercito a paciência. Convenço-me de que, desta vez, o resultado não depende de mim. E reservo disposição para o que só eu posso fazer. E é aí que está o ganho no que parece ser uma perda: poder fazer o que a gente realmente deve, porque não perdeu tempo com o que não precisava.

Sabe aquela propaganda que mostrava várias coisas que “não têm preço”, e que para todas as outras você tinha o cartão de crédito tal? Pego emprestado o argumento para expor o meu. Convencer a loja de móveis planejados a entregar a mercadoria no prazo prometido? Não depende de mim. Acordar muito-cedo-e-sem-dor-de-cabeça na sexta-feira para fazer exercícios tendo trabalhado muito e dormido pouco a semana toda? Não depende de mim. Para todas as coisas que dependem de mim, posso e devo usar toda a minha disposição, a minha disciplina e minha vontade de me aperfeiçoar.

Uma delas é, em parte, minha saúde. Há aspectos da minha saúde que sou eu que controlo, e outros que talvez um dia eu descubra que fogem completamente ao meu poder, como aconteceu com aquela pessoa que foi embora. Eu posso controlar minha alimentação, então me dedico a fazer compras cuidadosas toda semana e a preparar algumas receitas com antecedência para ter comida saudável e gostosa em casa sempre. Enquanto sou relativamente jovem, posso controlar minha postura e a dureza da minha musculatura estando atenta aos meus movimentos e praticando os exercícios certos regularmente. Também posso controlar o meu descanso, dosando minhas atividades com minhas horas de sono e relaxamento, então procuro equilibrar minha agenda para não exagerar nem de um lado nem de outro.

Eu acredito, hoje, que o estresse vem antes de tudo da confusão que fazemos do que depende e do que não depende de nós. Gastamos tubos de energia nos dedicando ao que não podemos controlar, e deixamos de lado muitas coisas que só funcionam se assumirmos a responsabilidade sobre elas. Eu convido você a refletir sobre as responsabilidades que anda assumindo e o peso que anda carregando nas costas. Esse peso todo lhe pertence, ou está na hora de se livrar de algumas tralhas? Tudo que lhe pertence está aí, seguro no seu colo, ou alguma coisa importante foi abandonada? 
Procure descobrir o que depende só de você, e assuma a solução. Meu palpite: será um alívio!

Francine Lima
 

Keeep calm and...


 Enjoy your Monday!

28 de novembro de 2010

Monteiro Lobato responde



Não sei se vocês leram que o Conselho Nacional de Educação (CNE) pediu que meu livro, Caçadas de Pedrinho, fosse retirado das escolas. Motivo? No entender do órgão, algumas frases da história são racistas, especialmente as relacionadas à personagem Tia Nastácia. Como medida conciliatória, alguns sugeriram a inclusão de uma nota explicativa sobre o contexto histórico em que o livro foi escrito, de tal forma a evitar que esse clássico da literatura infanto-juvenil deixe de circular entre os estudantes brasileiros.

Minha intenção aqui não é me defender nem tampouco alimentar o fogo dessa polêmica. Meu ponto é outro. Gostei da ideia de introduzir uma nota explicativa. Mas em vez de contextualizar o passado, talvez fosse melhor dedicá-la a contextualizar o presente. Pelo simples fato de que as crianças de hoje perderam bastante da ingenuidade e estão afastadas do convívio com a natureza.

Aquela expressão “tirem as crianças da sala” não faz mais sentido. Elas assistem a tudo na internet. Um adolescente de hoje já viu mais sexo na web do que toda a juventude sueca da década de 70 viu nas famosas revistinhas que circulavam por lá. Qualquer letra de rap ou funk é mais do que suficiente para eliminar as reservas de inocência e pureza naturais da tenra idade. Em compensação, as novas gerações só identificam uma galinha em dois formatos: jpg e bandejinha de supermercado.

Ao reler minha obra sob esse prisma, fiquei preocupado. As histórias seguem boas, mas a narrativa, os nomes dos personagens e dos lugares podem servir de munição pesada para interpretações maliciosas e piadas de duplo sentido. Entendam, quando escrevi minha coleção de livros infanto-juvenis as crianças da idade do Justin Bieber não cantavam sobre amores impossíveis e não assistiam a filmes como Tropa de Elite desacompanhadas dos pais.

Por tudo isso, decidi acatar a sugestão de alguns. Redigi a tal nota de esclarecimento que deve ser incluída nos meus livros infanto-juvenis (se é que isso ainda existe).

Nota de esclarecimento (Nota de esclarecimento sobre o termo esclarecimento. O mesmo foi aqui empregado não no sentido de tornar mais branco, mas sim no de se fazer mais explicado, com mais luz).

A personagem Dona Benta sempre esteve na história original. Ela não foi incluída posteriormente como merchandising de uma conhecida farinha de trigo.

O carinhoso apelido de Narizinho não sugere que tal personagem tem por hábito o consumo de drogas ilícitas pela via nasal. Quem o tem é a Emília, que ganhou vida ao aspirar o tal pó de pirlimpimpim.

Não há nenhuma evidência de que o Visconde de Sabugosa, apesar de falar com grande sabedoria, seja transgênico.

Marquês de Rabicó. Eu sei, é um nome complicado. Pode zoar à vontade.

Não é o que está queimando no cachimbo que faz o Saci pular sem parar. É a falta de uma perna mesmo.

Por fim, Sítio do Picapau Amarelo não é uma menção à propriedade rural de um órgão genital masculino de um oriental. Eu jamais cometeria um pleonasmo como Pica-Pau.

Monteiro Lobato (www.blogsdoalem.com.br)

Traduzir-se


Uma parte de mim
outra parte é ninguém:
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
  solidão

Uma parte de mim
pesa, pondera:
delira

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente

Uma parte de mim
É só vertigem:
outra parte,
linguagem

Traduzir-se uma parte
na outra
que é uma questão
de vida ou morte-
será arte?

Ferreira Gullar

Como proteger nossos filhos



A relação familiar está cada vez mais degradada. Pais, filhos, maridos e esposas estão cada vez mais distantes. Ninguém vive mais sem internet, celular, TV por assinatura e todos os demais meios modernos de comunicação. As pessoas hoje ignoram o método mais eficiente de contato: o olho no olho, as expressões, gestos e demonstrações de sentimento e afetividade.

Atualmente, não é raro ver colegas de trabalho em uma mesma mesa se comunicando pelo messenger. Da mesma forma, pais, filhos, maridos e esposas preferem, no pouco tempo de convívio familiar, estar conectados a telefones e computadores. Estão mais acostumados a assistir programas pouco educativos do que ao convívio afetivo com a família, a acompanhar a vida de seus filhos, a ensinar, a trocar experiências, a entender os filhos e a encaminhá-los na vida. Não há formula perfeita, método ou meio infalível de proteger uma criança, mas há diversas formas de acompanhá-la.

Está mais do que visto que as crianças precisam de referências, limites, ensinamentos, congratulações e castigos. A permissividade e a falta de responsabilidade dos pais em relação à criação dos filhos produz uma geração em que vemos jovens de excelentes condições financeiras e sociais se entregando ao tráfico, às drogas, praticando atos de vandalismo e crimes. Nessas horas os pais interferem, porém não para educá-los e conscientizá-los da importância da responsabilidade, mas na tentativa de corromper as autoridades para que seus filhos não sejam punidos e seu fracasso na educação não seja exposto.

Eu converso com minha esposa e temos a mesma convicção de que educar não é uma tarefa fácil. Não bastam 10 ou 15 anos para formar completamente uma pessoa segura e responsável. Entretanto, no momento que nos dispusemos a ter filhos, sabíamos de nossa responsabilidade como pais perante a sociedade e, principalmente, sobre a vida deles. Portanto, para proteger seus filhos de qualquer pessoa que possa lhes fazer mal, basta participar de suas vidas.

Participe das reuniões do colégio, escute seu filho, apoie sempre que possível, seja duro quando necessário, mas acima de tudo, seja sempre justo. Deixe que seu filho saiba exatamente quais são os seus valores, seja transparente, mostre a ele como funciona a sociedade em que vivemos e qual a nossa importância nela, o que podemos fazer para melhorá-la e quais são exatamente nossas obrigações. Além disso, não apoie ou incentive de forma alguma o crime, não deixe de cumprir suas obrigações de cidadão ou cometa algum ato ilícito na frente da criança. Vá com seu filho ao cinema, em vez de aparecer em casa com dezenas de DVDs pirata e jogos eletrônicos.

Claro que é importante dar todos os direitos do mundo a nossos filhos - mas isso só pode acontecer se eles também cumprirem suas obrigações. Os pais precisam entender que é fundamental ensinar o respeito às leis e ao próximo - então, pegar o carro antes de ter sua habilitação de motorista, nem pensar.

Mesmo assim, acredito que uma boa educação, a confiança no relacionamento com os pais, fará com que a própria criança, sem medo, conte a seus responsáveis o que se passa em sua vida. Resumindo, a confiança, o relacionamento, os exemplos, os valores e a credibilidade que seus filhos têm em você e na sua família são a forma mais eficiente e eficaz de protegê-los dos males do mundo.

Alex de Britto

Para que serve um decanter?



Um belo dia você, influenciado pelo papo do vendedor, compra um decanter. Ou ganha um. Sabe do que se trata, né? Aquele jarro de cristal (os mais sofisticados) ou de vidro que fica lindo nas prateleiras das lojas e às vezes chega em casa na forma de presente. Diante do objeto vem a pergunta. O que eu faço com isso? Há dois padrões de resposta:

O clássico
O decanter serve para arejar o vinho, amaciar os taninos e dar uma mãozinha no despertar dos aromas. A forma, bojuda na base e com um pescoço em forma de ampulheta na superfície, permite que o oxigênio faça a sua mágica. Como quase ninguém deixa a bebida descansar na taça, e já parte direto para o ataque, o decanter faz este trabalho, para a benção dos ansiosos e sedentos.

Os tintos mais concentrados, e antigos, ganham em profundidade e persistência. Até mesmo aqueles de safras recentes, elaborados para serem bebidos jovens, podem modificar um pouco nos aromas. Para os rótulos mais longevos é um utensílio que ajuda a separar as borras e sedimentos naturais da bebida. Ao despejar o precioso líquido no interior do jarro, estes elementos sobram depositados no fundo da garrafa.

A etiqueta e as enciclopédias do vinho recomendam um ritual para a separação das borras que exige um candelabro, uma vela acesa e certa destreza. Mas no mundo real, você já viu alguém conduzindo este processo fora das fotos dos livros?

O popular

É um objeto em busca de uma utilidade. Pouca gente usa um decanter em casa. Exige um planejamento, um ritual, que dificulta seu uso. E o ritual de desarrolhar o vinho na frente dos convidados, exibir o rótulo e derramar o néctar direto do gargalo para a taça é irresistível!

Mas é um presente bárbaro, não? Existem modelos dos mais variados formatos e preços. Certa vez, numa degustação com o senhor Riedel – o homem que reinventou as taças de vinho -, os caldos eram servidos em um decanter de pescoço alongado – parecia um ganso - que o somellier manuseava como uma destreza de malabarista. Todos ficaram admirados e, como se tratava de uma degustação séria, suspeitou-se que o formato transferia algum aroma especial ao vinho. Perguntado o que a forma trazia de vantagens, Riedel respondeu: “É só design, é mais bonito”.

Mil e uma utilidades


Para quem não sabe o que fazer com o decanter que está mofando no armário, aqui vão algumas sugestões que os enófilos sem senso de humor podem considerar uma heresia:

· use como um belo vaso para flores;

· enfeite a cristaleira, principalmente se tiver um jogo variado. Vários modelos lado a lado fazem uma boa presença;

· desafie o amigo "entendido" de vinho. Despeje um tinto argentino na jarra e coloque ao lado uma garrafa de um rótulo mais caro e badalado. Sirva-o e observe a reação do cara. Aposto que será divertido.

E você, usa o seu decanter? Tem outra sugestão para o equipamento? Deixe um comentário a respeito!

Roberto Gerosa

27 de novembro de 2010

Enjoy your weekend and





Drink wine!

Meu mundo



O meu mundo não é como o dos outros,
quero demais,exijo demais; há em mim
uma sede de infinito, uma angústia constante
que eu nem mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessoa;
sou antes uma exaltada, com uma alma intensa,
violenta, atormentada, uma alma que
não se sente bem onde está, que tem saudade…
sei lá de quê!

Florbela Espanca

Para meus amigos...




Para meus amigos... SOLTEIROS
O amor é como uma borboleta. Por mais que tente pegá-la, ela fugirá.Mas quando menos esperar, ela está ali do seu lado.
O amor pode te fazer feliz, mas às vezes também pode te ferir.
Mas o amor será especial apenas quando você tiver o objetivo de se dar somente a um alguém que seja realmente valioso. Por isso, aproveite o tempo livre para escolher.

Para meus amigos... NÃO SOLTEIROS
Amor não é se envolver com a 'pessoa perfeita', aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.

Para meus amigos que gostam de... PAQUERAR
Nunca diga "te amo" se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.
Nunca toque numa vida, se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém, se não quiser vê-lo derramar em lágrimas por causa de ti. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você, quando você não pretende fazer o mesmo.

Para meus amigos... CASADOS
O amor não te faz dizer "a culpa é", mas te faz dizer "me perdoe".
Compreender o outro, tentar sentir a diferença, se colocar no seu lugar. Diz o ditado que um casal feliz é aquele feito de dois bons perdedores. A verdadeira medida de compatibilidade não são os anos que passaram juntos; mas sim o quanto nesses anos vocês foram bons um para o outro.

Para meus amigos que têm um... CORAÇÃO PARTIDO
Um coração assim dura o tempo que você deseje que ele dure, e ele lastimará o tempo que você permitir. Um coração partido sente saudades, imagina como seria bom, mas não permita que ele chore para sempre. Permita-se rir e conhecer outros corações. Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a ajudar os outros, aprenda a viver sua própria vida. A dor de um coração partido é inevitável, mas o sofrimento é opcional! E lembre-se: é melhor ver alguém que você ama feliz com outra pessoa, do que vê-la infeliz ao seu lado.

Para meus amigos que são... INOCENTES

Ela(e) se apaixonou por ti, e você não teve culpa, é verdade.
Mas pense que poderia ter acontecido com você. Seja sincero, mas não seja duro; não alimente esperanças, mas não seja crítico; você não precisa ser namorado(a), mas pode descobrir que ela(e) é uma ótima pessoa e pode vir a se tornar uma(um) grande amiga(o).

Para meus amigos que tem... MEDO DE TERMINAR
As vezes é duro terminar com alguém, e isso dói em você.
Mas dói muito mais quando alguém rompe contigo, não é verdade?
Mas o amor também dói muito quando ele não sabe o que você sente. Não engane tal pessoa, não seja grosso(a) e rude esperando que ela(e) adivinhe o que você quer. Não a (o) force terminar contigo, pois a melhor forma de ser respeitado é respeitando.
Pra terminar ...
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata...
Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como o "bonzinho" não é bom ...
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem que ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutar para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.


Martha Medeiros

Dormir bem é para poucos



Em São Paulo, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto do Sono da Unifesp, 77% dos moradores sofrem de algum problema relacionado ao sono. Uma estimativa menos precisa afirma que 5% da população brasileira tem sonolência durante o dia, o que se reflete diretamente no trabalho e está levando empresas a adotarem medidas para amenizar o problema. 
Mas este número pode ser maior. "Considerando que atualmente 20% da população economicamente ativa trabalha à noite e que essas pessoas sofrem de privação de sono e têm sonolência diurna, podemos ter números muito maiores", diz o médico Flávio Aloé, do Laboratório do Sono do Hospital das Clínicas.

São números como esses que estão nos transformando em uma nação de insones. A ponto de fazer a falta de sono já ser considerada um problema de saúde pública. A privação do sono é considerada um problema epidemiológico; precisamos dormir mais do que efetivamente dormimos. Geneticamente, não estamos preparados para dormir menos.

Há quem consiga sobreviver dormindo apenas cinco horas por noite – ou menos. Mas, em geral, o brasileiro dedica sete horas diárias ao sono, o que ainda está abaixo do recomendado. E essa hora perdida traz consequências. “Dormir uma hora a menos todas as noites, por exemplo, tem um impacto direto na vida da pessoa”, explica Stella Tavares, autora do livro Durma Bem, Viva Melhor.

Além de ter o desempenho comprometido, por conta das dificuldades de prestar atenção e se concentrar, a pessoa tende a ficar mais irritada, impulsiva. A longo prazo, uma pessoa que costuma dormir menos que precisa pode ter problemas no coração, ganho de peso, alterações hormonais e comprometimento imunológico.

Os especialistas lembram que o sono considerado de qualidade é aquele que revigora e que restabelece as energias. Porém, dormir a quantidade de horas necessárias nem sempre significa dormir bem. Sabemos que dormimos bem quando acordamos com a disposição de enfrentar o dia que vem pela frente – e não quando despertamos com sono.

Para aqueles que passam mais tempo em volta de uma máquina de café do que da própria mesa no escritório, um alerta: o uso contínuo de estratégias para se manter acordado pode indicar que a pessoa está com algum problema. Ela pode estar tentando encobrir algo que não está normal.

Se não por privação parcial do sono, a sonolência durante o dia pode ser causada por motivos médicos. Desde distúrbios do sono, como a apneia e a narcolepsia, por problemas respiratórios e até por hábitos de vida, como o excesso de café na noite anterior.

O problema é que os médicos ainda não dão atenção necessária ao problema. Quem diz isso é um médico. É verdade que a classe médica está mais informada que a classe leiga, mas ainda estamos longe do ideal. Nas consultas, o médico não pergunta se você dormiu bem. Ele não faz isso porque nunca aprendeu que deveria perguntar isso ou porque ele não sabe para onde deve encaminhar o paciente, dependendo da resposta que ouvir", alerta Aloé.

Natalia Cuminale