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16 de janeiro de 2011

Como harmonizar queijos e vinhos


 

Brie
Origem: França. Textura aveludada, com casca branca da Pennicilium Candidun, tem massa branca e cremosa, após 20 dias de fabricação. 
Como servir: Puro, com pães, em saladas, em recheios e acompanhamentos de carnes. Acompanhado de vinho branco Chardonnay, para brie jovem, ou tinto Shiraz, para brie maduro (mais de 30 dias). 

Emmental
Origem: Suíça. Massa amarelo-claro, textura macia, grandes olhaduras e sabor adocicado. Formas grandes de até 100 quilos 
Como servir: puro, em fondues, sanduíches ou pratos para gratinar. Vai bem com vinhos tintos Pinot Noir e Cabernet Sauvignon. 

Gorgonzola
Massa cremosa ou quebradiça, sabor pungente ligeiramente salgado, veios azulados da maturação por Pennicilium Roquerforti. 
Como servir: Puro, sopas, pizzas e em molhos e vinho tinto encorpado do tipo San Giovese. 

Gruyère
Origem: Suíça. Textura macia, massa amarela clara, olhaduras (buracos típicos dos queijos suíços)e sabor adocicado. Formas grandes. 
Como servir: na tábua de queijos, em foundues, quiches, pratos gratinados e em sanduíches frios, fatiado. Casa-se bem com vinho tinto Shiraz ou  moscato. 

Parmesão 
Textura firme e granulosa, sabor picante e ligeiramente salgado. 
Como servir: puro, em saladas e carpaccio ou ralado sobre massas. Uma boa opção é ser acompanhado por vinho tinto Cabernet Sauvignon. 

Camenbert 
Massa branca, cremosa, coberta por textura aveludada, casca branca originada na maturação por Penicillium Candidum. 
Como servir: puro, com pães, pera ou maçã verde, em saladas, em recheios quentes. Com vinho tinto Shiraz, se o camembert for maduro (acima de 20 dias) ou um branco Chardonnay, se ele for jovem. 

Provolone
Massa fechada amarelo clara, sabor defumado e ligeiramente picante. 
Como servir: puro, assado ou à milanesa, combina com vinhos tintos Pinot Noir e San Giovese. 

Roquefort
Feito de leite de ovelha, levemente cremoso e úmido, e com veios azul- esverdeados da maturação por Penicillium Roqueforti. 
Como servir: com saladas, outros queijos e um vinho branco Semmilon Late Harvest, ou moscato. 


Texto extraído do blog "Soninha na Cozinha".

4 de janeiro de 2011

Atire a primeira rolha quem nunca...


O mundo do vinho é cheio de regras, etiquetas e conceitos preestabelecidos. Cometer alguns pecados de Baco faz parte do aprendizado e da vida. Quer ver? Atire a primeira rolha quem nunca... 

...comprou vinho em oferta no supermercado? 

...tomou tinto com peixe? 

...saiu dirigindo após virar duas ou mais taças de vinho, mesmo depois de decretada a lei seca? 

...bebeu além da conta? 

...foi influenciado pela fama do rótulo na avaliação de um vinho? 

...errou completamente o tipo de uva de um vinho num palpite às cegas? 

...tentou abrir uma garrafa de screw cap (tampa de rosca) com um saca-rolha sem perceber que bastava girar a tampinha? 

...foi influenciado pela pontuação da crítica na hora da compra de um vinho? 

...foi influenciado pela descrição de um aroma pelo colega ao lado? 

...tomou o vinho branco alemão da garrafa azul e achava ótimo (esta é para que já têm mais de 40 anos)? 

...manchou a roupa, a sua e a dos outros, com gotas de tinto ao girar a taça freneticamente? 

...tomou tinto gelado demais ou branco meio quente? 

...quis beber um vinho de 100 pontos do enólogo Robert Parker, mesmo sendo contra o cara? 

...estourou garrafa de espumante lançando a rolha ao espaço e derrubando a bebida pela chão (lembrando que a maneira correta de abrir o espumante é segurando a rolha, para não deixar escapar muito gás carbônico)? 

...deu uma esnobada numa roda de amigos mostrando conhecer mais sobre aquele vinho que todos à sua volta? 

E você? Tem algum pecado de Baco para acrescentar ou relatar? Atire a primeira rolha quem nunca... 

Roberto Gerosa

1 de janeiro de 2011

Vinhos: desconstruindo mitos



Quando se fala sobre mitos, não há terreno mais fértil que o vinho. As informações que chegam ao consumidor são tão superficiais ou tão complexas que os mitos parecem surgir do nada. Ao entender que se tratam somente de mitos, e não de verdades absolutas, você poderá combater outros mitos, conforme eles forem saindo das garrafas.

Só vinhos caros são bons.

Não. Vinhos caros são só caros. Vinhos bons se encontram para todos os gostos e bolsos. No início o vinho era fundamentalmente artesanal, e portanto, os bons vinhos consumiam muito tempo e habilidade dos produtores. Assim havia uma relação direta entre qualidade e preço.

Acontece que os vinhos foram se tornando industrializados. Os processos de produção foram se tornando mais científicos e repetitivos. Isso fez com que a qualidade do vinho subisse de forma que hoje podemos produzir excelentes vinhos em quantidades, consideradas antigamente, muito grandes.

Como este mito persiste, muitos produtores investiram em marketing sobre alguns rótulos especiais, de forma a ter produtos a preços mais altos. Assim muitos rótulos são 50%, talvez 70%, “fama” e o resto qualidade. Hoje encontramos vinhos cujo preço além de alto é completamente desproporcional e sua qualidade. 

Vinhos nacionais são ruins.
Não. Vinhos ruins são ruins. Os vnhos nacionais evoluíram muito nas últimas decadas. Os produtores brasileiros investiram muito em tecnologia e hoje temos vinhos nacionais de excelente qualidade. Os produtores possuem uma estrutura profissional para visitantes, e muitos possuem restaurantes e cantinas só para que o visitante possa apreciar seus produtos.

Vinho é muito complicado
Não. O assunto é simples. O problema é que a maioria das informações são tão completas, que muitos livros são quase Bíblias. O vinho é um tema ao alcance de todos.

Tenho que entender de vinhos para apreciá-los.
Não. Você só precisa conhecer um ou dois bons vinhos para apreciá-los. Como existem muitos estudiosos de vinhos se criou o mito que o assunto está ligado ao próprio ato, ou seja, você só consegue achar um bom vinho se conhecer em profundidade o assunto, você só consegue escolher uma boa garrafa para um jantar, se for um especialista. O que você precisa saber sobre vinhos para escolher, comprar, beber e gostar, é muito pouco.

Vinho dá dor de cabeça.
Não. Na verdade há um fato sobre este mito. Um vinho ruim, em geral, possui muitos conservantes. Estes, são usados nos vinhos de baixa qualidade para encobrir defeitos, falta de higiene e torná-lo bebível. Este produtos, somados ao açúcar e feitos com uvas inadequadas, produzem substâncias que podem produzir a chamada “dor de cabeça no dia seguinte”. Além disso, o ideal é tomar vinho e hidratar com água. A falta de hidratação em alguns casos pode dar dor de cabeça.

Assim evitando vinho ruins e de baixa qualidade, e habituando-se a beber água regularmente, sobra somente o mito.
 

17 de dezembro de 2010

Vinhos: dicas para iniciantes



Toda compra exige uma certa cautela. Se você vai comprar um carro, você conversa antes com alguém que tenha o modelo que você tem interesse, e se for usado, você conversa antes com o seu mecânico de confiança. Com o vinho não poderia ser diferente. Na hora de comprar você conversa com um amigo ou vai em uma casa especializada.

Mas, além de saber quais os melhores vinhos para comprar, você tem que saber como comprar. Para que se possa ter um mínimo de independência na hora da compra, aí vai uma lista com as dez recomendações básicas para que você não jogue dinheiro fora na compra de um vinho.

1.O vinho é um alimento, portanto estraga
Esta dica é a mãe de todas as dicas. O vinho não é pasteurizado como a cerveja, nem artificial como um refrigerante, mas uma bebida que está em estado natural, na garrafa, protegida por uma rolha porosa que troca oxigênio com o ambiente e é sensível ao calor. Lembre-se: o vinho dura alguns anos na garrafa, mas estraga como qualquer alimento, se mal conservado.

2.Evite garrafas armazenadas de pé
O vinho é protegido por uma rolha porosa que troca oxigênio com o ambiente. Esta rolha tem que estar sempre úmida. Se a garrafa ficar muito tempo de pé, a rolha seca, e o oxigênio começa a entrar muito rápido, e assim o vinho oxida e estraga. Os mercados são campeões neste quesito, embora nos últimos anos, vários deles estejam tomando mais cuidado.

3.Evite vinhos sem safra
O vinho tem a safra (ano da colheita) estampada no rótulo. Não há motivo para que o produtor não ponha esta informação no rótulo, a não ser quando ele mistura várias safras na intenção de melhorar um vinho ruim. O resultado em geral é um vinho barato e ruim.

4.Rejeite garrafas pegajosas
Garrafas pegajosas em geral são péssimo sinal. O comerciante armazena tão mal o vinho que outras bebidas, ou sabe-se lá o que, se derramaram sobre a garrafa. Ou pode significar que a rolha ressecada fez uma parte do vinho vazar. Resultado: pegue outra garrafa, ou melhor, vá para outro estabelecimento que armazene melhor seus produtos.

5.Rejeite rolhas protuberantes
A rolha sempre está alinhada ou um pouco abaixo da boca da garrafa. Se a rolha estiver saltada pressionando a cápsula (que é a cobertura de plástico ou chumbo que recobre o gargalo da garrafa) só uma coisa é certa: o vinho já era. Isto acontece em geral porque houve algum tipo de pressão dentro da garrafa, por fermentação interna, que não devia acontecer, ou seja, novamente, vinho estragado.

6.Rejeite garrafas com nível abaixo do pescoço
A garrafa de vinho sempre é cheia pelo produtor acima do pescoço (o fim do gargalo e o início da garrafa ). Assim se o líquido está abaixo do pescoço, é porque algo deu errado. Em geral a rolha ressecou e o vinho, ou evaporou, ou vazou. Sem chance: vinho estragado.

7.Rejeite tons de tijolo nos tintos e tons de marrom nos brancos
Quando tudo dá errado e o vinho oxida, os tintos ficam de cor opaca com tons tijolo e os brancos com fortes tons de marrom. São as cores da desgraça. O vinho é alguma coisa entre vinagre e nada.

8.Só compre safras antigas (mais de um ano para os brancos, e mais de três anos para os tintos) conhecendo as tabelas da região
É lógico que você já ouviu falar de garrafas com mais de 10 ou 20 anos, mas isso não é para qualquer vinho, nem pra qualquer safra. Às vezes um vinho dura cinco anos em uma safra e dois em outra. As tabelas de safras mostram naquele ano que vinhos podem esperar mais, que vinhos devem ser tomados e que vinhos já eram. Como regra, os vinhos mais comuns duram entre um e três anos sem grandes problemas.

9.Só compre vinhos caros se tiver desenvolvido o paladar
Em geral as pessoas acham que em ocasiões especiais tem que comprar um “super-vinho” e gastar muito. Um grande erro. Tudo depende de onde você está na escala da evolução. Não ria, é isso mesmo. Seu paladar está acostumado a tomar cerveja e você vai começar a tomar vinho? Você já toma regularmente vinhos mais caros e complexos?

10.Mas isso é importante? Sim, é
Os vinhos não sobem somente de preço, eles sobem em complexidade, em estrutura, e mesmo que você não faça a menor ideia do que isso significa, seu paladar sabe. Muitos vinhos de maior valor possuem mais taninos, e, portanto são mais “secos” ou “ásperos”. Assim se você não tiver preparado seu paladar você tem 90% de probabilidade de que o vinho não lhe agrade.

Com essas dicas você estará diminuindo a chance de perder seu dinheiro, ou pior, abrir uma garrafa de um vinho ruim em um jantar com seus amigos mais íntimos.
 

28 de novembro de 2010

Para que serve um decanter?



Um belo dia você, influenciado pelo papo do vendedor, compra um decanter. Ou ganha um. Sabe do que se trata, né? Aquele jarro de cristal (os mais sofisticados) ou de vidro que fica lindo nas prateleiras das lojas e às vezes chega em casa na forma de presente. Diante do objeto vem a pergunta. O que eu faço com isso? Há dois padrões de resposta:

O clássico
O decanter serve para arejar o vinho, amaciar os taninos e dar uma mãozinha no despertar dos aromas. A forma, bojuda na base e com um pescoço em forma de ampulheta na superfície, permite que o oxigênio faça a sua mágica. Como quase ninguém deixa a bebida descansar na taça, e já parte direto para o ataque, o decanter faz este trabalho, para a benção dos ansiosos e sedentos.

Os tintos mais concentrados, e antigos, ganham em profundidade e persistência. Até mesmo aqueles de safras recentes, elaborados para serem bebidos jovens, podem modificar um pouco nos aromas. Para os rótulos mais longevos é um utensílio que ajuda a separar as borras e sedimentos naturais da bebida. Ao despejar o precioso líquido no interior do jarro, estes elementos sobram depositados no fundo da garrafa.

A etiqueta e as enciclopédias do vinho recomendam um ritual para a separação das borras que exige um candelabro, uma vela acesa e certa destreza. Mas no mundo real, você já viu alguém conduzindo este processo fora das fotos dos livros?

O popular

É um objeto em busca de uma utilidade. Pouca gente usa um decanter em casa. Exige um planejamento, um ritual, que dificulta seu uso. E o ritual de desarrolhar o vinho na frente dos convidados, exibir o rótulo e derramar o néctar direto do gargalo para a taça é irresistível!

Mas é um presente bárbaro, não? Existem modelos dos mais variados formatos e preços. Certa vez, numa degustação com o senhor Riedel – o homem que reinventou as taças de vinho -, os caldos eram servidos em um decanter de pescoço alongado – parecia um ganso - que o somellier manuseava como uma destreza de malabarista. Todos ficaram admirados e, como se tratava de uma degustação séria, suspeitou-se que o formato transferia algum aroma especial ao vinho. Perguntado o que a forma trazia de vantagens, Riedel respondeu: “É só design, é mais bonito”.

Mil e uma utilidades


Para quem não sabe o que fazer com o decanter que está mofando no armário, aqui vão algumas sugestões que os enófilos sem senso de humor podem considerar uma heresia:

· use como um belo vaso para flores;

· enfeite a cristaleira, principalmente se tiver um jogo variado. Vários modelos lado a lado fazem uma boa presença;

· desafie o amigo "entendido" de vinho. Despeje um tinto argentino na jarra e coloque ao lado uma garrafa de um rótulo mais caro e badalado. Sirva-o e observe a reação do cara. Aposto que será divertido.

E você, usa o seu decanter? Tem outra sugestão para o equipamento? Deixe um comentário a respeito!

Roberto Gerosa

24 de novembro de 2010

Vinho: chama da vida



O vinho molha e tempera os espíritos e acalma as preocupações da mente...
ele reaviva nossas alegrias e é o óleo para a chama da vida que se apaga.
Se você bebe moderadamente em pequenos goles de cada vez,
o vinho gotejará em seus pulmões como o mais doce orvalho da manhã...
Assim, então, o vinho não viola a razão,
mas sim nos convida gentilmente à uma agradável alegria.
Sócrates

22 de novembro de 2010

Sensações do vinho



Já disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer assunto,
com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna.
Isto porque é impossível transformar em palavras as
qualidades ou defeitos de um vinho, ou as sensações
que ele provoca, assim como é impossível, por exemplo,descrever
um cheiro e um gosto. Tente descrever o sabor de uma amora.
Além de amplas e vagas categorias, como "doce", "amargo", "ácido", etc.,
não existem palavras para interpretar as impressões do paladar.
Estamos condenados à imprecisão ou ao perigoso terreno das metáforas.
Tudo é literatura.


Luis Fernando Veríssimo
 

8 de novembro de 2010

Descobrindo os aromas dos vinhos





Quem já participou de uma dessas degustações conduzidas por um especialista já deve ter topado com uma descrição mais ou menos como a que segue sobre as sensações aromáticas proporcionadas por um certo vinho: "O bouquet é amplo. Varia entre a compota de damasco, o caramelo na manteiga com sal, o mel, a casca de laranja cristalizada, o fumo de cachimbo e a infusão de camomila". (Descrição do sommelier Enrico Bernardo sobre determinado vinho).

Impressiona, mas também desanima, né? Repare que o caramelo é na manteiga com sal, sem sal não vale! O que significa isso, afinal? O sommelier é um prestidigitador barato ou você é um inalador incompetente? Calma! Os aromas dos vinhos existem e - isso é importante - não são afetação de enófilo metido a besta e sim sinônimo de qualidade do vinho. OK, às vezes este povo exagera, e mente um pouquinho, mas é a parte mais lúdica de uma degustação. Associar os possíveis aromas de um vinho a um repertório pessoal e tentar identificá-los e descrevê-los é parte do desafio. E da diversão.

Mas não fique desesperado se você não sentir muita coisa nas primeiras vezes que meter o nariz no copo, e não recitar um poema de aromas. O reconhecimento tem a ver com memória, experiência pessoal e treino, muito treino. Se você é do tipo que nunca passou perto de uma horta, não manuseia temperos e desvia da cozinha fica difícil identificar aqueles aromas de pimenta-do-reino e especiarias que geralmente aparecem nos vinhos elaborados. Em qualquer situação, vinho e comida sempre se encontram... Se teu conhecimento de flores vem do papel de parede do computador também fica complicado reconhecer uma violeta em um tinto português ou em um malbec argentino de boa extração. E por aí vai.

Alguns descritivos estão intimamente ligados à região onde os vinhos são produzidos. É sempre bom manter no horizonte que uva é um produto agrícola, que tem suas raízes ligadas à natureza. Mas se você é um espécime do asfalto, faltam sim algumas referências que serão adquiridas com o tempo. Mas o que são esses aromas, afinal? É pura química.

Os seres humanos são capazes de identificar cerca de 10.000 diferentes tipos de aromas. Detalhe, as mulheres, comprovadamente, são melhores nisso. Até o momento já foram registrados pelos cientistas cerca de 1.000 componentes aromáticos nas uvas e vinhos.

Aquela amora, o café, as flores, o mel, enfim, os descritivos aromáticos, são resultado de vários fatores desde propriedades químicas da uva até a própria elaboração do vinho - vinificação, leveduras utilizadas, métodos de envelhecimento - e variam de percepção de pessoa para pessoa.

Quando você inala os aromas de um vinho está de fato em contato com uma série de substâncias voláteis que flutuam no espaço vazio da taça - por isso que balançamos a taça, para que estas substâncias se misturem ao oxigênio, revelem sua grandeza e se modifiquem.

O que se percebe no nariz são moléculas aromáticas, a exemplo do linalol, do nerol e do limoneno, encontrados também em frutas e flores e chamados de aromas livres pela química. São compostos com nomes estranhos que vamos citar só para justificar a pesquisa: ésteres, fenóis voláteis, alcoóis, aldeídos e acetonas, acetatos, hidrogenados, sulfurados, etc. Um pinot noir é geralmente associado ao aroma da cereja, mas você pode comentar que percebeu um 4-etoxicarbonil-y-butirolactona na sua taça, se preferir.

Outras aromas se originam das leveduras utilizadas na fermentação. Ao transformar açúcar em álcool elas criam dezenas de compostos químicos aromáticos, como frutas tropicais, pão torrado e ainda produzem fenóis voláteis que lembram aromas de terra, apesar de não ser originários do solo.

Os aromas não vêm somente da natureza, também são produto da ação do homem, resultado de gerações de vinicultores que adaptaram seus vinhedos e ajustaram a fermentação até atingir o máximo que o vinho podia proporcionar.


Roberto Gerosa 

27 de outubro de 2010

O Porto, o berço de Portugal


Segunda maior cidade de Portugal e a mais imponente do norte do país, o Porto deu o seu nome ao famoso vinho. Sua rica história e conjunto arquitetônico lhe garantiram o título de Patrimônio Mundial da Humanidade cedido pela Unesco. Separado pelo rio Douro das grandes caves do vinho afamado ao qual deu o seu nome, existe um certo sentimento de rivalidade em relação a Lisboa. 

Nas margens do rio Douro estão atracados ainda alguns barcos rabelos, antigas e estreitas embarcações usadas para transportar o vinho do Porto das vinícolas (as chamadas "quintas") até os armazéns.  
 
Entre as principais atrações da cidade do Porto estão o Palácio da Bolsa, a Sé (originalmente uma igreja-fortaleza em estilo romano-gótico), a Torre dos Clérigos com seus 75 mde altura, a Praça dos Aliados e as igrejas de São Francisco (de origem romântica, com seu interior coberto de detalhes dourados) e a do Carmo (em estilo barroco, recoberta de azulejos). Outro imponente cartão-postal da cidade é a Ponte de Dom Luís I, toda em ferro, projetada pelos assistentes do francês Gustave Eiffel (1886). Igualmente animado e colorido é o mercado do Bolhão, onde se pode comprar quase tudo, mas bem perto ficam as joalharias e lojas de artigos de pele mais elegantes da Baixa.

E, se você não chegou de trem à cidade vá conferir os 20 mil azulejos espalhados nas paredes da Estação de Comboios de São Bento.

A peculiaridade dos seus bairros, com destaque para a zona da Ribeira às margens do rio Douro, com ruas estreitas e sinuosas, casas típicas com fachadas coloridas e a confusão comercial da Baixa valem um passeio a pé. O fôlego é imprescindível nesta hora, já que a cidade é repleta de morros íngremes, num sobe e desce quase infinito e bastante cansativo para quem não está acostumado. À noite, a Ribeira adquire movimento e animação, sendo um dos locais de eleição, devido à proliferação de aprazíveis restaurantes e clubes noturnos. Casas especializadas na venda do vinho do Porto, vinho verde e do famoso Dão também não faltam, assim como confeitarias que oferecem os deliciosos pastéis de Belém nas vitrines.


 Do outro lado do rio, a Vila Nova de Gaia é o centro da produção do vinho do Porto. Uma boa sugestão é a visita a estas caves, com direito a degustação. Nesta região estão os armazéns de mais de 50 empresas, a maioria controlada por ingleses, que ocupam as ruelas estreitas e tortuosas para se consagrar à vinificação e maturação da célebre bebida e é exportado internacionalmente. 


Foram os ingleses que, no século XVII, “descobriram” o licoroso vinho ao adicionarem aguardente para conservar a bebida que, por causa das longas viagens nos navios até a Inglaterra, chegava ao destino já estragada. Algumas oferecem visitas guiadas para que se possa ver como é feito o vinho e provar as diferentes variedades. A bebida é produzida na região vitivinícola do Alto Douro (a mais antiga região demarcada do mundo). 

Com uma gastronomia bem conhecida e população hospitaleira, também constitui o ponto de partida para a experiência inesquecível de subir o rio Douro. Vários pratos da culinária portuguesa tiveram origem no Porto. O prato típico por excelência da cidade são as tripas à moda do Porto, prato histórico que pode ser encontrado em muitos dos restaurantes da cidade. O Bacalhau à Gomes de Sá é outro prato típico nascido no Porto e popular em Portugal. A francesinha é o prato mais famoso; é um sanduíche recheado com várias carnes (de vaca, linguiça, salsicha fresca e fiambre) e coberta com queijo e um molho especial. O célebre caldo verde é também um prato portuense.
 
A cidade do Porto recebe um milhão de turistas por ano ou quase três mil ao dia. Sua rede hoteleira e de restaurantes é notável. Um ótimo programa é o passeio pelas águas do Rio Douro, no encontro com o oceano atlântico. A hospitalidade dos seus habitantes chama atenção dos turistas, especialmente dos brasileiros, por quem o povo português tem especial carinho.




Fonte:UOL 

Dedico este post aos meus amigos Angelina, Marquinhos, 
Carmen, Júlio, Marcão, a saudosa Mirela 
e ao meu marido Enzio, 
pela nossa inesquecível viagem de férias em 2008.

23 de setembro de 2010

O charme do espumante



Pode ser Natal, Ano Novo, aniversário, casamento, formatura... sendo festa, tem espumante! Até aí, tudo bem, mas tomar espumante e entender, pelo menos um pouquinho, sobre a bebida são coisas bem diferentes!

Os mais secos, chamados de brut e extra-sec, são os que melhor acompanham os pratos salgados, realçando o sabor. Os sec e demi-sec são os adocicados e caem melhor com as frutas e com os doces.

Como a vantagem do espumante é que ele combina com tudo, pode acompanhar carne branca, vermelha, queijo. Por ser um vinho leve, é perfeito para clima quente, não tem geralmente um alto teor alcoólico e sua efervescência dá também um tom de frescor e de festa. Sua boa acidez, frescor e leveza o credenciam para preceder uma refeição, despertando o apetite e acompanhando o tira-gosto.

Além da quantidade de açúcar, os espumantes também se diferenciam pelas uvas usadas, pela região onde ele é produzido e pelo método de fabricação. Para fazer um vinho básico, se fermenta a uva. Se quiser fazer um vinho espumante, precisa fazer aquele vinho passar por uma segunda fermentação, onde se segura o gás carbônico.

No método champenoise - o tradicional e mais custoso - essa segunda fermentação é feita dentro da própria garrafa. Já o método charmat consiste em fermentar o vinho dentro de enormes cubas de aço, hermeticamente fechadas, passando depois a bebida por uma filtragem e um engarrafamento isobárico, que não deixe sair o gás. Porque o charme de um vinho espumante é ter, obviamente, toda aquela espuma, aquele gás natural, que chega até a sua taça.

Mais nobre entre os espumantes, o champanhe é feito, claro, pelo método champenoise. Mas para levar esse nome, ele deve seguir uma série de regras rígidas para sua fabricação. E tem, necessariamente, que ser fabricado na região da Champagne, na França. Todos os vinhos que têm espuma são espumantes. Mas só o vinho espumante produzido na região da Champagne pode se chamar champanhe.

O mesmo ocorre com o prosecco e com o cava. Prosecco é uma denominação específica do Vêneto, no norte da Itália. Já o cava é proveniente de uma região da Espanha. Esses vários nomes são ligados à região de produção e, indiretamente, ao tipo de vinho. Porque no momento em que ele é um champanhe, tem que respeitar as regras da região de Champagne. Para ser um prosecco, deve ser feito pelo método charmat.

O que pode ser uma surpresa para alguns é que os espumantes brasileiros são, sim, considerados de boa qualidade. Eles são os melhores vinhos feitos no Brasil. Na serra gaúcha há produtores excelentes de espumantes. Hoje podemos falar que a melhor qualidade dos nossos vinhos brasileiros fica nos espumantes, desde aqueles produzidos no sul até aqueles produzidos no Nordeste.

A abertura de uma garrafa de espumante é um ritual à parte, pois dispensa o uso de ferramentas especiais, como o saca-rolhas. A rolha do espumante é amarrada por uma gaiola metálica e fica parcialmente exposta, permitindo que seja puxada por essa porção externa. A garrafa deve estar bem fria e não ter sido chacoalhada durante o transporte até a mesa, pois caso contrário uma expulsão explosiva será inevitável. O espocar da rolha, tão celebrado em festas, é tecnicamente indesejável, pois faz com que se perca uma parte do gás carbônico, cujo aprisionamento tanto custou - e que, afinal, é o elemento que faz a diferença entre um vinho tranquilo e um espumante. Assim, ao abrir a garrafa, certifique-se de perder o mínimo possível de pressão - e de não ser atingido pela rolha.

O espumante deve ser servido em taças longilíneas, alongadas, conhecidas como flüte, ou flauta, que devem ser previamente resfriadas e enchidas em duas fases, para que o excesso de espuma não derrame borda afora. Para mantê-lo na temperatura ideal de consumo é recomendável deixar a garrafa dentro de um balde com água e gelo. A garrafa deve ser envolvida com um guardanapo de tecido quando for retirada da água, para que não molhe a mesa ou os convidados.

Pronto! Agora basta servir, observando sempre a temperatura: o espumante é o vinho, dentre todos, que se serve mais frio, entre 6° e 8º C.

27 de julho de 2010

Vinho: exercício de sensações



Degustar um vinho é muito mais do que bebê-lo. Mesmo porque o paladar só pode dizer se ele é doce, salgado, azedo ou amargo. Para desfrutar até a última gota de sua riqueza e complexidade, os enófilos se valem também do olfato e da visão.

O processo de degustação, pleno de detalhes e sutilezas, basicamente começa com o exame visual. Segura-se o copo de vinho pela haste e, contra a luz, analisam-se cor, transparência e brilho. Depois vem o exame olfativo, quando se sente o aroma (cheiro originário da uva) e o bouquet (cheiro produzido nas fases de fermentação e envelhecimento). Para isso, o copo deve ser agitado várias vezes, aspirando-se nos intervalos. Os connaisseurs, pela experiência, chegam ao luxo de distinguir odores como florais, vegetais, picantes ou balsâmicos.
 
A última etapa é o exame gustativo, quando se toma um grande gole de vinho deixando-o alguns segundos em contato com toda a superfície da boca. Essa cerimônia exige um copo especial, chamado tulipa, alto e de boca estreita, para evitar que o aroma e o bouquet escapem rapidamente.

A capacidade de distinguir vinhos bons dos nem tanto é sobretudo um exercício de memória e comparação. O enófilo paulista Clóvis Siqueira sugere, para quem quer se iniciar na degustação, começar comparando três vinhos comuns com um de reconhecida qualidade superior, para sentir a diferença. Depois passa- se à descoberta das preferências pessoais. Pegam-se cinco garrafas de vinho produzido com a mesma uva— Cabernet Sauvignon, por exemplo — em regiões demarcadas diferentes, como Bordeaux, Rhône, Bourgogne, Rioja e Dão.

Como a personalidade e a característica de cada vinho são únicas, certamente um deles agradará mais ao olhar, olfato e gosto do provador.



Fonte

 

9 de junho de 2010

To the Porto




"What is the place of a city,
in the time,
famous by its wine?
What is the meaning of old stones,
from where began new world,
new frontiers, new history?
How taste a good wine?
Where is it?

Guess it.

Come to Porto,
patrimony of the World,
to feel, in the body,
-all that is so natural-
the strength of the old stones;
our open soul,
the soul of Portugal".