29 de janeiro de 2012

Amar é compartilhar felicidade!




A psicanálise nos fornece uma preciosa contribuição no que diz respeito ao tratamento das desordens emocionais. Nesse sentido, na fase infantil quando mãe e pai são referências máximas na futura definição de perfis masculino e feminino, distúrbios psíquicos podem interferir nas relações afetivas do filho adulto. 

Quando escolhemos o parceiro ou a parceira para um compromisso sério, estamos depositando naquele indivíduo, expectativas de que o suprimento de amor do qual necessitamos seja contemplado nessa relação. No entanto, esse "suprimento" que são as nossas carências afetivas, não inicia na nova relação com o sexo oposto, mas a continuidade do histórico de relações com as figuras materna e paterna que são transferidas para a atual relação. 

As carências afetivas tornam-se transferenciais, passam do pai ou da mãe para aquela mulher ou homem cujas expectativas de suprimento que restaram do passado, alimentamos inconscientemente. 

Em suma: parceiro não é pai, mas tem que ser um pouco "pai". Parceira não é mãe, mas deve ser um pouco "mãe". Caso contrário, sentimentos não resolvidos com as figuras referenciais da infância, podem emergir com a energia das emoções desequilibradas que acabam por afetar a qualidade do relacionamento. 

Portanto, o mais importante nas relações afetivas adultas é ambos encontrarem o ponto de equilíbrio entre a demanda afetiva do passado e a necessidade de suprimento do presente. Não esquecendo, que não basta ser um pouco mãe ou pai se o inerente desejo sexual não for contemplado pelo desempenho dos amantes... 

Invariavelmente, o relacionamento íntimo - e sério - entre duas pessoas, envolve a fusão de carências afetivas, desejos e expectativas de crescimento pessoal e mútuo. E na ânsia de preencher o vazio de amor que ficou da relação com as figuras parentais da infância, o volume de energia que acompanha o envolvimento afetivo do casal, costuma gerar conflito de egos. 

Se os envolvidos não tiverem um nível aceitável de conhecimento de si mesmos e do que o outro representa na relação, o envolvimento tende a fixar-se na demanda instintual (sexo), que apesar de ser importante no contexto geral, é apenas mais um ingrediente na qualidade do relacionamento. 

Amar exige cumplicidade no sentido de compreender as carências que transitam numa relação amorosa. Ignorar é assumir um comportamento infantil ainda sintonizado ao passado. Por este motivo, o risco maior para a relação ocorre quando levamos para a proposta de crescimento mútuo e pessoal, os sentimentos negativos que transferem-se para o outrem em forma de processo obsessivo e asfixiante para ambos, como a dependência afetiva e o ciúme patológico, entre outros. 

Quanto mais estivermos focados numa relação afetiva estável, mais libertos estaremos da sintonia do passado para assumirmos a condição de adultos que encaram o amor como uma forma de buscar a completude e a felicidade.




Flávio Bastos


11 comentários:

Gisa disse...

Teus textos são completos em todos os sentidos. Exceleente Lena. É sempre um prazer ler-te.
Um grande bj e bom domingo

Célia disse...

Para mim, pilares sólidos em um relacionamento são: a cumplicidade incorporada à sintonia.
Abraço, Célia.

Ingrid disse...

pura realidade amiga ..
e por vezes somente um dos lados percebe..
beijos lindona...

mfc disse...

O amor é polifacetado... e é nessa mescla que a partilha se estabelece e nunca focada apenas num aspecto ou noutro.

Imac by Artes disse...

Lena querida!
Que lindo texto!
Concordo com o autor. Quando estamos focados numa relação afetiva e estável podemos viver a felicidade em sua amplitude.
Abraços! Uma semana abençoada e feliz pra ti.

Maria José Rezende disse...

Olá Lena. Só consigo entender o amor dessa forma: com alegria, cumplicidade e muita leveza. Beijos.

Sandra Portugal disse...

Amiga, que texto incrível!
...."o relacionamento íntimo - e sério - entre duas pessoas, envolve a fusão de carências afetivas, desejos e expectativas de crescimento pessoal e mútuo."
De uma de suas maiores admiradoras
bjs Sandra
http://projetandopessoas.blogspot.com//

Toninhobira disse...

Amar na realidade é poder viver esta cumplicidade num processo continuo de entendimento e cooperação.Lindo texto como sempre amiga.
Saudade de voce.
Uma bela semana de paz e luz.
Bju.

JAN disse...

POST MAGNÍFICO, LENA!
TEXTO DE ALTÍSSIMA QUALIDADE!

É COMO SE DIZ: "PAPO RETO, MEU";-)

BEIJÃO
JAN

Elisa T. Campos disse...

Lena

Sempre escolhe muito bem os seus textos. Amor é respeito e cumplicidade
antes de tudo.

Beijos

Caroll disse...

Quando não há equilibrío em uma relação,tudo desanda e até acaba às vezes de forma trágica.
O equilíbrio é fundamental!
Bjs