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22 de julho de 2011

Você sabe manter o foco?




A vida não acontece da mesma forma para todas as pessoas. Para alguns de nós a vida mais parece uma sequência meio maluca de coisas que vão acontecendo aleatoriamente, quase como se a pessoa, dona da vida, não tivesse nada a ver com isso. Já com outras pessoas, a vida parece ganhar um formato mais ordenado, como se fosse um quadro feito de imagens que, antes de serem colocadas na tela, tivessem sido cuidadosamente concebidas na imaginação do artista.

Para que sua vida seja uma obra de arte, é preciso que você reconheça a si mesmo como o artista. Sim, você é o artista! E um artista precisa de foco. Foco e paixão. Precisa ter o desejo, lá no fundo do seu ser, de transpor para o mundo externo o que pulsa em seu íntimo.

Precisa acreditar-se capaz de criar. Precisa correr o risco de frustrar-se, e ainda assim continuar tentando. Essa persistência é o que estou chamando de foco. Essa capacidade de continuar na direção escolhida, a despeito dos resultados imediatos obtidos.

Eu me lembro de uma vez em que tentei fazer uma escultura em um pedaço de madeira. Fiquei horas cavando aquele tronco que encontrei no meio da mata. Mais horas pintando, acertando... e finalmente... uma linda deusa esculpida, minha obra de arte! Mostrei à minha amiga, e ela achou que eu tinha esculpido uma múmia! - que decepção! A moça da limpeza me disse que tinha certeza que minha escultura retratava uma bruxa, e o ascensorista afirmou, com convicção, que eu tinha esculpido um porco!

Assim é a vida, muitas vezes.

Você consegue persistir, mesmo quando percebe ainda estar longe de atingir o desejado objetivo? Mesmo ao perceber que a diferença entre você e um escultor é de... anos luz? Consegue manter o foco no que deseja, mesmo quando a vida não lhe dá tapinhas nas costas?

Pense por um momento em quais são as coisas que você realmente deseja atingir. Um trabalho satisfatório? Um relacionamento saudável? Uma casa de campo? Habilidades de mágico?

Seja lá o que for, o que lhe digo é que... sem foco... nada feito! Sem foco você acabará desistindo no meio do caminho, às vezes a um milímetro de finalmente atingir o que desejava. Desistir é abrir mão da vida. Como fazem as crianças que cruzam os braços e dizem que já não querem mais brincar.

São duas as suas opções. Você pode continuar em frente, mesmo errando, mesmo se perdendo de vez em quando, mesmo fracassando vez ou outra. Ou pode desistir.

A seu escolha fará toda a diferença, não apenas nos resultados obtidos, mas na forma como você gastará seu precioso tempo de viver. Uma vida é muito mais significativa e interessante quando tem foco, quando é vivida por alguém que acredita poder criar algo de belo, quando nos sentimos entusiasmados e seguimos com perseverança.

Sabe... Me parece triste desistir. Acho triste quando vejo pessoas que deixaram de acreditar, que pararam de tentar. Cheias de justificativas, ficam lá, largadas no meio do caminho. Acho triste pois, a meu ver, se seguimos em frente, mesmo que não encontremos o que inicialmente procurávamos, com certeza fazemos de nossa vida uma linda aventura, cheia de coisas para contar.

A vida não nos foi dada para ser economizada. Qual é a graça de se ganhar uma vela e nunca acendê-la? De guardar as melhores roupas para uma festa que nunca acontece?

Eu lhes digo o que penso. Se ganhamos de presente esta vida, que sejamos capazes de vive-lê com verdade, até o final!



Patricia Gebrim 

Harry Nilsson – Everybody’s Talkin


 

27 de maio de 2011

Coragem de desistir



Hoje precisava escrever sobre esse tema que... em principio, parece tão controverso.

Certa vez, num domingo, estava na casa de um namorado, lendo jornal na sala, eu num canto e ele em outro. De repente me veio uma luz, como se eu estivesse mais lúcida, como se os véus que me faziam imaginar o que se passava do outro lado, tivessem caído finalmente. Comecei olhar o ambiente, a situação e o que eu estava fazendo com a minha vida. Nada fazia mais sentido, meu lugar não era mais ali. Comecei a enxergar a situação com outros olhos, os olhos espirituais. Maravilhoso enxergar com esses olhos... os olhos da alma... que nos colocam em contato direto com o que realmente vale a pena... com o certo.

Era hora de desistir, eu não estava acostumada a desistir de nada. Sempre terminei os cursos que comecei, sempre me achei persistente... sempre achei que desistir de qualquer coisa era para pessoas fracas.


Hoje, depois de muitos anos, percebi que desistir era meu ponto fraco. Sempre tive vontade e coragem para continuar, persistir e não entendi a linha tênue que existe realmente entre a teimosia e a persistência. Uma grande amiga dizia que ela era tão teimosa que o ascendente dela era em mula e não em Capricórnio. rsrs

Hoje eu entendo que muitas coisas nos machucam, muitas pessoas e situações passam dos limites de tolerância e do respeito. Deus, o Universo e nossa própria alma mostram que é chegada a hora de desistir de uma situação que já se esgotou e que ainda estamos presos por fios de dependência emocional, por medos infundados.

Hoje, conversei com um amigo que estava numa situação muito difícil numa empresa e resolveu ponderadamente deixar cair o que tem que cair... simplesmente cair.... sócios que não servem mais... produtos que não dão mais lucro... formas administrativas inadequadas.

Veja bem... não estou incentivando ninguém a desistir de nada. Estou dizendo que muitas coisas já acabaram faz tempo e nós não queremos aceitar que é chegada a hora de mudar, transcender. Água parada apodrece, água que fui purifica, limpa.

Dizem que o casamento de pessoas que se amam não se inicia na troca das alianças mas... na troca de olhares. Também acredito que muitas situações não terminam quando o juiz assina, elas já terminaram muito antes com o desrespeito, a traição, a desconexão.

Enfim, é preciso ter coragem de desistir do que nos faz mal, do que não é mais..

É preciso ter coragem para persistir no bem. Tudo o que faz bem para o corpo e para a alma. Aprendi a escolher tudo assim... estou aprendendo a confiar mais e mais em mim mesma e no Universo

Segundo Amyr Klink: o maior medo do navegador é o de não partir...




Simone Arrojo