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5 de dezembro de 2012

Toda história tem sempre três lados...




Ah, que saudade eu não tenho da época que achava que a minha verdade era absoluta!

Estar cego em um ponto de vista levará você a perder grandes oportunidades, grandes amigos e até mesmo a oportunidade de aprender e evoluir. Tenho, sim, a humildade de reconhecer que um dia já fui muito diferente do que sou hoje. Possuía enormes defeitos como, por exemplo, não enxergar o outro para atingir um objetivo. Pessoas eram apenas participantes da minha história de vida e nos vai-e-vens me transformei e, hoje, posso dizer que vivo muito mais feliz e em harmonia com o todo.

Aprendi que cada história ou conflito compartilhado tem sempre três lados, o da pessoa que lhe conta a sua versão, a versão do outro e finalmente a verdade, que é justamente a parte da história sem nenhuma potência associada. Como potência associada, posso incluir a raiva que sinto naquele momento, o medo, o peso de histórias passadas, o momento atual em que vivemos, sim! Tudo isso reflete para que você enxergue somente o seu lado e as perdas podem ser irreparáveis e enormes. Ceder e ter a humildade de escutar o outro lado da história, sentir o que o outro sente e se colocar no lugar do outro é, sim, um aprendizado de vida, é um treinamento que requer constância. E no dia em que você conseguir ouvir uma história ou dela ser participante e conseguir se tornar um observador, tenha absoluta certeza que você deu mais um passo na sua trajetória de evolução pessoal.

O termo "ser político" se depreciou ao longo do tempo, mas na melhor das intenções, vou dizer que em muitas situações que vivemos, temos que ser políticos, ou seja, agradar a todos e depois, então, com a cabeça fria e em paz poder interagir com a história do outro e, assim, encontrar o caminho do meio que é realmente o da verdade.

O desafio hoje em dia não é acumular informação e, sim, saber discernir a informação. Conceitos, temos aos montes, mas o verdadeiro aprendizado evolutivo está em aplicar tais conhecimentos adquiridos. A informação é importante quando agregada à prática. O discernimento é igual à proporção entre informação e conhecimento, o resto é desperdiçado.

As experiências negativas são tesouros que alimentam o discernimento. É necessário estudá-las para entendê-las a fim de adquirir informação. Aquele aspecto vivenciado e entendido dará frutos, pois a vivência já existiu, devemos, então, aproveitar os frutos. Só enxergo e percebo no outro aquilo que enxergo e percebo em mim mesmo.

A clareza da decisão depende de como você vê o fato.

Então, para que perder tempo com coisas que lhe fazem mal, para que perder tempo com pensamentos e emoções negativas se a qualidade de sua vida está associada à qualidade que você dá a seu tempo? Se o seu ponto de vista for absolutista em qualquer situação que não seja espiritual o levará ao fracasso e a decepção. Neste caso, cada falha é uma decepção e não uma dificuldade.

No exercício do amor, do dar e receber é que damos oportunidade de desenvolver quatro princípios fundamentais: o amor, o respeito, a dignidade e a simplicidade.

Quem consegue ter esses princípios bem estabelecidos se adequa a qualquer meio. Para desenvolver o princípio do amor é preciso conviver com alguém que tenha esse princípio, para que haja a troca necessária. O princípio do respeito se concretiza quando você reconhece o espaço do outro e o seu em sua mente.

O princípio da dignidade é que dá sustentação à pressão, tão comum nos dias de hoje. O princípio da dignidade reconhece que você é tão digno quanto o outro. Quando eu me sinto digno, eu me posiciono com firmeza. Eu não sou mais pessoa que você, e você não é mais pessoa do que eu.

O princípio da simplicidade é a capacidade de expressar o seu conteúdo na medida da compreensão do outro. Quem tem boa dignidade e simplicidade tem boa estratégia.

Querer ser justo em excesso, na maioria das vezes, leva você a uma exposição desnecessária e muitas vezes à decepção, pois, ser justo é entender que há medidas diferentes do que quer que seja para você e para o outro. Aí, então, caímos na vaidade que é justamente quando não entendemos que todas as histórias têm sempre três lados e enxergamos somente o nosso. A vaidade dá rasteira na justiça, o poder subiu à cabeça e a justiça se perdeu. Somente quando este princípio está bem consolidado é que entendemos que as coisas são relativas e que existe o desigual.

Normalmente, julgamos os outros porque temos preguiça de analisar e identificar suas crenças e aprender a gerenciá-las. Tudo, então, só começa a melhorar quando tomamos consciência de nós mesmos. Enquanto não percebermos que não somos donos da verdade absoluta, ficaremos escravos dela.


Maria Isabel Carapinha 
 
 

24 de setembro de 2012

Solícito sim, submisso nunca!




O ato de submeter-se em muitas circunstâncias tiveram sua origem na infância, quando pais instigavam o medo e a ameaça como forma de obter obediência dos filhos.

Sendo assim, quando adultos poderão estes modos forçados de obedecer , anular sua próprias vontades e metas em prol de outrem. Não podemos descartar que trazemos de vivências anteriores sentimentos de culpa por abandonarmos em algum momento um ente querido.

Inconscientemente gravado em nosso "arquivo mental" nos submetemos a situações para compensarmos estas memórias faltosas do passado.

E o que podemos falar ainda, quando estes mesmos indivíduos desequilibrados por conflitos herdados na infância não desenvolvem quando adultos em sua personalidade uma enorme satisfação em dominar, tiranizar e afligir outras pessoas submissas? O ser humano que se sujeita a ordem de comando vive tentativas de cumprir e concordar com ordens recebidas e decepções e revolta por nunca receberem consideração pela obediência executada.

Atos de submissão não são virtudes do coração, porque na grande maioria das vezes, simplesmente camuflam uma obrigação autoimposta de querer agradar à todos, esperando receber em troca atenção e amor .

Quando exercitamos o auxílio espontâneo, consentimos nossos atos com o coração e a razão. Abdicamos o nosso direito em favor de alguém ou de uma causa por livre vontade, já que o direito era de nossa competência.

Ser solicito sem a obrigação compulsiva de agradar à todos, faz bem aquele que recebe, mas acima de tudo cooperar com ou outro de forma lógica e racional sem desviar de nossa real missão na Terra que é crescer e amadurecer espiritualmente faz bem ao nosso coração.

Envolve um estado de disposição em servir, amparar e agradar de forma natural.

Seria proveitoso para o nosso ser refletir o quanto estamos nos submetendo a situações que não serão jamais reconhecidas e que estão minando a nossa energia e direcionar com sabedoria para ajudar aquele que realmente necessita e merece nossos atos compassivos, porque esse doar-se terno e tranquilo não esteriliza o nosso ser ...nem rouba a nossa dignidade!



Silvana Giudice