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5 de dezembro de 2012

Toda história tem sempre três lados...




Ah, que saudade eu não tenho da época que achava que a minha verdade era absoluta!

Estar cego em um ponto de vista levará você a perder grandes oportunidades, grandes amigos e até mesmo a oportunidade de aprender e evoluir. Tenho, sim, a humildade de reconhecer que um dia já fui muito diferente do que sou hoje. Possuía enormes defeitos como, por exemplo, não enxergar o outro para atingir um objetivo. Pessoas eram apenas participantes da minha história de vida e nos vai-e-vens me transformei e, hoje, posso dizer que vivo muito mais feliz e em harmonia com o todo.

Aprendi que cada história ou conflito compartilhado tem sempre três lados, o da pessoa que lhe conta a sua versão, a versão do outro e finalmente a verdade, que é justamente a parte da história sem nenhuma potência associada. Como potência associada, posso incluir a raiva que sinto naquele momento, o medo, o peso de histórias passadas, o momento atual em que vivemos, sim! Tudo isso reflete para que você enxergue somente o seu lado e as perdas podem ser irreparáveis e enormes. Ceder e ter a humildade de escutar o outro lado da história, sentir o que o outro sente e se colocar no lugar do outro é, sim, um aprendizado de vida, é um treinamento que requer constância. E no dia em que você conseguir ouvir uma história ou dela ser participante e conseguir se tornar um observador, tenha absoluta certeza que você deu mais um passo na sua trajetória de evolução pessoal.

O termo "ser político" se depreciou ao longo do tempo, mas na melhor das intenções, vou dizer que em muitas situações que vivemos, temos que ser políticos, ou seja, agradar a todos e depois, então, com a cabeça fria e em paz poder interagir com a história do outro e, assim, encontrar o caminho do meio que é realmente o da verdade.

O desafio hoje em dia não é acumular informação e, sim, saber discernir a informação. Conceitos, temos aos montes, mas o verdadeiro aprendizado evolutivo está em aplicar tais conhecimentos adquiridos. A informação é importante quando agregada à prática. O discernimento é igual à proporção entre informação e conhecimento, o resto é desperdiçado.

As experiências negativas são tesouros que alimentam o discernimento. É necessário estudá-las para entendê-las a fim de adquirir informação. Aquele aspecto vivenciado e entendido dará frutos, pois a vivência já existiu, devemos, então, aproveitar os frutos. Só enxergo e percebo no outro aquilo que enxergo e percebo em mim mesmo.

A clareza da decisão depende de como você vê o fato.

Então, para que perder tempo com coisas que lhe fazem mal, para que perder tempo com pensamentos e emoções negativas se a qualidade de sua vida está associada à qualidade que você dá a seu tempo? Se o seu ponto de vista for absolutista em qualquer situação que não seja espiritual o levará ao fracasso e a decepção. Neste caso, cada falha é uma decepção e não uma dificuldade.

No exercício do amor, do dar e receber é que damos oportunidade de desenvolver quatro princípios fundamentais: o amor, o respeito, a dignidade e a simplicidade.

Quem consegue ter esses princípios bem estabelecidos se adequa a qualquer meio. Para desenvolver o princípio do amor é preciso conviver com alguém que tenha esse princípio, para que haja a troca necessária. O princípio do respeito se concretiza quando você reconhece o espaço do outro e o seu em sua mente.

O princípio da dignidade é que dá sustentação à pressão, tão comum nos dias de hoje. O princípio da dignidade reconhece que você é tão digno quanto o outro. Quando eu me sinto digno, eu me posiciono com firmeza. Eu não sou mais pessoa que você, e você não é mais pessoa do que eu.

O princípio da simplicidade é a capacidade de expressar o seu conteúdo na medida da compreensão do outro. Quem tem boa dignidade e simplicidade tem boa estratégia.

Querer ser justo em excesso, na maioria das vezes, leva você a uma exposição desnecessária e muitas vezes à decepção, pois, ser justo é entender que há medidas diferentes do que quer que seja para você e para o outro. Aí, então, caímos na vaidade que é justamente quando não entendemos que todas as histórias têm sempre três lados e enxergamos somente o nosso. A vaidade dá rasteira na justiça, o poder subiu à cabeça e a justiça se perdeu. Somente quando este princípio está bem consolidado é que entendemos que as coisas são relativas e que existe o desigual.

Normalmente, julgamos os outros porque temos preguiça de analisar e identificar suas crenças e aprender a gerenciá-las. Tudo, então, só começa a melhorar quando tomamos consciência de nós mesmos. Enquanto não percebermos que não somos donos da verdade absoluta, ficaremos escravos dela.


Maria Isabel Carapinha 
 
 

30 de setembro de 2012

Não basta conquistar. É preciso saber fazer seu amor durar!




Tem gente que acha que difícil é conquistar. Tá, não vou dizer que seja a tarefa mais fácil do mundo, afinal, requer charme, espontaneidade, coragem de correr riscos, um mínimo de autoestima e, sobretudo, coerência para atrair alguém com chances razoáveis de dar certo, ou seja, com compatibilidades!

Mas, pode ter certeza de que mais difícil do que conquistar é saber manter um grande amor. É saber transformar a paixão inicial numa parceria com boa dose de sintonia, respeito, confiança e admiração. Difícil mesmo é compartilhar com leveza, conviver com tolerância e relevar, abstrair, superar a si mesmo.

Sim, o mais difícil de tudo é conseguir se enxergar no outro. É parar de apontar o dedo e acusar como se qualquer pessoa pudesse ser responsabilizada pelos percalços no seu relacionamento, menos você mesmo. Parar de botar lentes de aumento em tudo o que o outro faz de errado e começar a exaltar seus encantos, suas qualidades.

Difícil mesmo, gente, é regar a plantinha todos os dias. Porque se não nos mantivermos atentos e comprometidos, o "todos os dias" distrai, cansa e perde a importância. E este é o maior erro da grande maioria das pessoas: esquecer que o amor é feito de um dia de cada vez.

Tendemos a acreditar que amor de verdade dura para sempre sem que nada precisemos fazer além de decidir isso uma única vez. Apostamos que uma vez escolhido, o amor sobrevive por si só. Errado! Isso não funciona! Amor é verbo de ação. É escolha diária. É um constante fazer, refazer, desfazer e começar tudo de novo! Amor é dinâmico, vivo, e por isso, precisa ser nutrido!

Como? Ótima pergunta! Cada um tem a sua lição de casa: descobrir de que forma melhor sabe reconquistar a pessoa que está ao seu lado. Mas de uma coisa eu tenho cada dia mais certeza! É de que o primeiro passo é você quem terá de dar! Enquanto continuar esperando que o outro mude, que o outro faça, que o outro ceda, que o outro te reconquiste, nada de efetivo e satisfatório poderá de fato acontecer! É você quem tem de agir!

Infelizmente, não existe uma receita que funciona para todo mundo. Mas algumas dicas podem ser providenciais e fazer a diferença na sua intenção de fazer o seu amor durar!

Meça as palavras na hora em que estiverem discutindo!
Quando estão nervosos, a chance de exagerarem e distorcerem o que vêem e o que sentem é bem grande. Por isso, pense antes de falar e, se for o caso, espere a poeira baixar para continuar a conversa.

Lugar de lavar roupa suja é em casa mesmo!
Esse negócio de brigar na frente dos outros, ofenderem-se ou expor o que o outro fez de errado não está com nada. Só serve para constranger a pessoa que você mesmo escolheu para viver ao seu lado. Segure a onda e espere chegar em casa para conversarem.

Observe e elogie ao menos uma qualidade do outro por dia!
Basta começar para encontrar ótimas razões de reconhecer o quanto você é inteligente por ter escolhido essa pessoa dentre as 7 bilhões do planeta! Faça isso agora!

Cuide de sua aparência e de seu perfume, como fazia no início.
Tem gente que acha que só na hora de conquistar é preciso escovar os dentes, cuidar dos cabelos e passar perfume. Não caia nessa cilada, porque detalhes contam muito na hora de manter uma relação.

Compartilhe sentimentos, pensamentos e, principalmente, sonhos!
Não deixe que o trabalho, os filhos e as contas mensais roubem sua vontade e seu entusiasmo para contar sobre o que sente, pensa e deseja viver. Compartilhe porque isso aumenta demais a intimidade e cumplicidade entre vocês.

Seja parceiro nos momentos difíceis!
O modo como você se comporta quando o outro está passando por uma fase difícil vai ser lembrado por muito tempo. Vale a pena se esforçar e caprichar na atenção, na paciência e no carinho!

Riam de si mesmos! Façam piadas e divirtam-se juntos!
A vida já é, por si só, muito dura algumas vezes. Por isso, faça a sua parte e cultive a alegria, o senso de humor e a leveza! Quando tudo estiver dando errado, ria. Tente e veja como isso pode aliviar a tensão e facilitar as soluções.

Seja você mais paciente e tolerante!
Pare de achar que é o outro quem tem de ter mais tolerância. Tenha você! Mude você! Isso é sinônimo de originalidade e inteligência. E se não houver reciprocidade, fale: tenho tentado dar o melhor de mim, mas parece que não tenho conseguido. De que forma você acha que eu posso melhorar? E escute de verdade!

Faça algo novo, diferente. Saia da rotina!
Não deixe que o dia a dia cegue o casal e transforme a vida de vocês numa grande chatice. Vá tomar um chope num final de tarde ou comer um cachorro quente na praça da cidade. Chega de dar desculpas e faça algo pra tirar as "teias de aranha" desse relacionamento.

Brinque de sedução e erotismo de vez em quando.
Sei que transar todo dia ou esperar uma performance de cinema na maioria das vezes é utopia, mas convenhamos: de vez em quando, dá sim para caprichar no cenário e no visual e brincar de namorar. É tudo de bom e revigora a relação.

Beijar é fundamental! Intimidade é o que os torna um casal!

Infelizmente, muitos casais deixam de se beijar com o tempo. Beijar mesmo, beijo completo, com língua e demorado. Essa é uma das atitudes que você só tem com quem se relaciona, por isso não perca o que diferencia essa relação da que você tem com amigos, filhos e familiares.

Fazer seu amor durar realmente requer investimento, dedicação e atualização. Mas se você faz isso com seu trabalho, com seu conhecimento e com sua vida material, por que vai negligenciar justamente a área mais importante de sua vida? E se não acha a mais importante, imagine agora que acabou de sofrer um acidente ou uma grande perda. Para quem vai ligar? Com quem vai contar? De quem espera receber companhia e apoio?

Tomara que seja da pessoa com quem você escolheu compartilhar seu coração, sua casa e sua cama! 


Rosana Braga


6 de setembro de 2012

Você está sempre tentando modificar seu parceiro?




Você já tentou ou pelo menos desejou mudar algo em seu parceiro? Dar uma arrumadinha nele, deixá-lo mais romântico, ou deixá-la mais econômica, ou mais organizado(a)? Mais objetivo(a) ou mais sentimental?

Nos relacionamentos algumas vezes chegamos a crer que estaríamos mais felizes com pessoas que pensam da mesma forma que nós, ou que possuem as mesmas crenças e pontos de vista, e de certa forma, realmente seria mais fácil, pois com esse perfil as chances de você ser confrontado certamente seriam menores.

A grande questão é que os relacionamentos que mais nos estimulam a crescer e a repensar nosso forma de vida são aqueles travados com pessoas que se orientam por parâmetros diferentes dos nossos, pois é com elas que aprendemos a exercitar nosso conceito de respeito.

Respeito implica em receber e entender o outro a partir de sua perspectiva, de seu prisma, o que significa estar na mesma hierarquia, no mesmo patamar, sentir-se nem maior nem menor que o outro, apenas fazendo parte de uma relação simétrica e não complementar.

Desse ponto de vista, sempre teremos a acrescentar em nossa vida, à medida que possamos nos permitir entrar em contato com o genuíno que existe em cada um de nós.

Quando tentamos modificar o outro, sem respeitar suas particularidades, talvez estejamos buscando nos relacionar com nosso espelho, impondo nossas verdades e entendimentos de mundo, numa busca desesperada de evitar o medo do novo e do diferente. Para lidar com eles, temos que estar muito convictos de nossa identidade e de nossas certezas, e ao mesmo tempo dispostos a checá-las e consequentemente repensá-las.

Em contrapartida, muitas vezes queremos mudar no outro o que ele tem de nós; implicamos com a chatice do outro para não olharmos para a nossa, olhamos o mau do outro para evitarmos entrar em contato com o nosso mau interno, implicamos com sua desorganização para não lidar com nosso excesso de ordem que muitas vezes nos escraviza.

Nossas escolhas de vida são processos de amadurecimento e transformação pessoal. A maturidade emocional passa pela capacidade de fazer escolhas e lidar com suas consequências.

Aprender a apurar nosso foco de atenção, perceber nossas necessidades, desejos e dificuldades, é o primeiro passo. Em decorrência desse processo ganhamos a capacidade de sermos assertivos em nossas atitudes e consequentemente fortalecemos nossa autoestima, condição indispensável para lidar com nossas escolhas.

Sendo assim olhe para seu companheiro(a) não com os olhos críticos de quem procura defeitos a serem corrigidos, mas com os olhos de quem está pronto e aberto a conhecer outras formas de existir.



Sirley Bittú

21 de julho de 2012

Coisa rara



Meu Deus, como é difícil ter um bom amigo hoje em dia. Alguém que possa oferecer um colo e um afago na hora da tristeza e que consiga sorrir de verdade com a sua alegria. É que nem todo amigo é amigo o suficiente para dar pulos de felicidade com as coisas boas que chegam na sua vida. 

Não é fácil compartilhar o dia a dia, deixar as próprias frustrações e projeções de lado e ser limpo, honesto, puro. É muita coisa em jogo. Tem mágoa, tem inveja, tem os percalços da vida, tem suas desilusões, tem seus planos que mofaram dentro da gaveta. É por isso que digo com certo amargor na boca: nem todo mundo sabe ser amigo. 

Existe aquele tipo de gente que veste a máscara de amigo e só quer saber da sua vida. Quer sugar, ficar por dentro, mas não dá nada. Não compartilha, não divide, não sabe se doar. Não conta nada de si e quando você pergunta só diz que está tudo bem. Tem também o tipo que nunca tem problema, que a vida é sempre boa, sem tropeços e sem nada chato ou ruim. Estranho, não? A vida muitas vezes é bem chata e bem ruim e a gente não tem nada a fazer a não ser esperar. Porque tem coisa que foge do nosso alcance e temos que entender isso também. Nem tudo depende de mim, de você, do nosso esforço, do nosso suor. 

Tem também o tipo que, mesmo sem querer, não consegue ficar feliz por você. O máximo que diz é que legal, que bom, parabéns. Mas aquela felicidade que vem de dentro não dá as caras. Me pergunto: isso é ser amigo? Quantos amigos você tem? Não falo daquele companheiro de bar, aquele que ri das suas piadas, brinda com um copo de cerveja gelada. Quantos amigos você tem? Não falo daquele que é uma pessoa legal e divertida para trocar ideias e fazer fofoca. Quantos amigos você tem? Não falo daquele que sabe cada passo seu e oferece sempre o lenço de papel mais próximo. Quantos amigos você tem? Não falo daquele que está sempre junto nas festas. Quantos amigos você tem? Não falo daquele que sabe da sua vida apenas o que você quer que saiba. 

Quantas pessoas te conhecem de verdade? Pra quem você se abre? De quem você não tem medo? Que pessoa você tem certeza que quer o seu bem? Quem realmente não sente desconforto ao ver sua felicidade? Quem não ficou magoado por bobagem? Quem sabe reconhecer quando erra? Quem nunca te deixou na mão? Quem assume quando pisa na bola e pede desculpa? Com quem você discute, mas depois fica tudo bem? Quem entende o seu jeito? Quem aceita seus defeitos? Quem não fala mal de você para os outros amigos? Quem ajudaria você a pagar sua conta de luz, caso fosse necessário? Quem vibra com seu sucesso profissional? Quem deseja realmente toda felicidade do mundo no seu relacionamento? Quem? Por favor, me diga quantos, quantas. Quem valoriza o que você faz? Quem é grato pelo que você fez? A ingratidão em qualquer relação é coisa muito feia, principalmente em amizade. 

É bom a gente pensar de vez em quando sobre isso. Analisar as relações, as pessoas, rever as amizades. Agora você me responde ah, mas eu ligaria para a Camila às 4 da manhã se estivesse em apuros e tenho certeza que ela sairia de casa e me ajudaria. Eu não estou falando disso. Falo de algo mais profundo, que conecta as pessoas, que une e não separa por nenhuma força. Falo de um sentimento genuíno, de amor, de gratidão, de respeito, de carinho, de amizade. Muita gente fala que fulano é amigo, mas não sabe o significado disso. Ser amigo é chorar o teu choro e rir, com o coração, o teu riso. E isso é coisa rara hoje em dia.

Clarissa Correa

29 de outubro de 2011

Limites




O nosso direito termina onde começa o direito do outro.

E quando nós mesmos não respeitamos o nosso direito, permitindo que sejam invadidos os nossos limites, e nem percebemos? Ao contrário, nos queixamos dos outros mas não nos damos conta que a responsabilidade é toda nossa, ao não avisarmos o outro até onde ele pode ir...

O outro não possui a capacidade de adivinhar até onde vai a nossa tolerância a não ser que comuniquemos a ele. Enquanto não fizermos isso, ele se sente confortável e não percebe nada demais...

Acontece que muitas vezes na ânsia de agradarmos (crescemos ouvindo que devemos ser "bonzinhos" ou o Papai Noel não vem, o coelho da Páscoa passa reto, o presente de aniversário fica para próximo ano...) somos levados a tolerar mais que o tolerável.

Sendo assim, um dia tudo foge do controle e explodimos. Ou surtamos. Ou continuamos tolerando até que o nosso humor se esvai, nossa vida parece não ter sentido, porque nos sentimos presos à necessidade de continuarmos tolerando, uma vez que já o fizemos até o momento.

Este comportamento é cruel. Cruel conosco, cruel com o outro.

Nós sofremos e o outro, por ignorância, sofre também por não saber a razão de certas atitudes hostis em relação a ele. Sim, porque embora estejamos tolerando, não nos sentimos confortáveis e, em certas situações, não há como esconder a insatisfação.

Muitas vezes, não percebemos ao mantermos este tipo de atitude e o desconforto parece descabido.

É saudável olhar ao redor e verificar se existem situações deste tipo na nossa vida; um diálogo muitas vezes ajuda muito. Concordo que possa haver um certo constrangimento ao colocarmos o assunto em pauta, podemos num primeiro momento encontrar mil justificativas para manter a situação como está. Mas isto é somente o medo da mudança e da reação do outro.

Nada justifica nos mantermos nesta prisão fazendo do outro nosso algoz. É justo conscientizarmos o outro do que sentimos em relação a ele para que ele possa fazer algo a respeito, ele não pode ser acusado de algo que nem sabe que está fazendo.

Vamos nos dar a chance de expor os nossos limites e respeitar o limite dos outros.

Respeitar e ser respeitado significa liberdade.


Mônica Turolla






13 de agosto de 2011

Limites




O nosso direito termina onde começa o direito do outro.

E quando nós mesmos não respeitamos o nosso direito, permitindo que sejam invadidos os nossos limites, e nem percebemos? Ao contrário, nos queixamos dos outros mas não nos damos conta que a responsabilidade é toda nossa, ao não avisarmos o outro até onde ele pode ir.

O outro não possui a capacidade de adivinhar até onde vai o nossa tolerância a não ser que comuniquemos a ele. Enquanto não fizermos isso, ele se sente confortável e não percebe ‘nada demais...

Acontece que muitas vezes na ânsia de agradarmos (crescemos ouvindo que devemos ser "bonzinhos" ou o papai noel não vem, o coelho da páscoa passa reto, o presente de aniversário fica pro próximo ano...) somos levados a tolerar mais que o tolerável.

Sendo assim, um dia tudo foge do controle e explodimos. Ou surtamos. Ou continuamos tolerando até que o nosso humor se esvai, nossa vida parece não ter sentido, porque nos sentimos presos à necessidade de continuarmos tolerando, uma vez que já o fizemos até o momento.

Este comportamento é cruel. Cruel conosco, cruel com o outro.

Nós sofremos e o outro, por ignorância, sofre também por não saber a razão de certas atitudes hostis em relação a ele. Sim, porque embora estejamos tolerando, não nos sentimos confortáveis, e em certas situações não há como esconder a insatisfação.

Muitas vezes não percebemos ao mantermos este tipo de atitude, e o desconforto parece descabido.

É saudável olhar ao redor e verificar se existem situações deste tipo na nossa vida, um diálogo muitas vezes ajuda muito. Concordo que possa haver um certo constrangimento ao colocarmos o assunto em pauta, podemos num primeiro momento encontrar mil justificativas para manter a situação como está. Mas isto é somente o medo da mudança e da reação do outro.

Nada justifica nos mantermos nesta prisão fazendo do outro nosso algoz. É justo conscientizarmos o outro do que sentimos em relação a ele para que ele possa fazer algo a respeito, ele não pode ser acusado de algo que nem sabe que está fazendo.

Vamos nos dar a chance de expor os nossos limites e respeitar o limite dos outros.

Respeitar e ser respeitado significa liberdade. 
Mônica Turolla 

akon-freedom



31 de maio de 2011

Amor versus individualidade



Ao longo do segundo ano de vida a criança vivencia enorme avanço em suas competências: aprende a andar, a formular as primeiras frases, aprimora suas aptidões motoras etc. Se até então seu maior prazer era ficar no colo da mãe, usufruindo da paz e aconchego similar ao que foi perdido com o nascimento e sentindo por ela aquilo que chamamos de amor, agora ela gosta também de circular, especular sobre o ambiente, tentar entender para que servem e como é que funcionam os objetos. Coloca quase tudo que encontra na boca, tenta sentir seu tato, observa o que acontece quando deixa que caiam no chão. Dá sinais de grande satisfação a cada nova descoberta. Está praticando os primeiros atos próprios de sua individualidade - e se deleitando com eles.

Tudo isso acontece na presença da mãe. Sim, porque se ela for para um outro local, a criança imediatamente abandona o que está fazendo e sai em disparada atrás dela. O mesmo acontece se levar um tombo: corre chorando de volta para o colo. Diante da dor física ou da iminência de distanciamento exagerado da mãe, a sensação de desamparo cresce muito rapidamente e aí se torna absolutamente necessária a reaproximação. Há, pois, uma clara alternância de preferências: estando tudo em ordem, o que a criança quer é exercer os prazeres da sua individualidade em formação; ao menor desconforto, busca no aconchego materno (amor) o remédio para todas as dores.

Não há como não compararmos nossos comportamentos ditos adultos com o que acabei de descrever: queremos exercer nossa individualidade com a máxima liberdade, mas queremos voltar para casa e encontrar o parceiro à nossa espera. Ficamos bem longe da pessoa amada por algum tempo, mas depois o desejo maior é o de nos aconchegarmos; se isso não é possível, sentimos a dor forte correspondente à saudade (mistura de abandono com lembrança do calor que advém da companhia). Temos a nosso favor o benefício de um imaginário mais rico e a capacidade de nos comunicar com o amado à distância graças aos recursos tecnológicos: sentimos-nos aconchegados, mesmo longe, graças às palavras e juras de amor.

No convívio íntimo, parece que queremos mesmo é encontrar uma fórmula capaz de conciliar amor e individualidade: quero, por exemplo, assistir ao programa de TV do meu interesse e quero que minha amada esteja ao meu lado, se possível bem agarradinha. Ela, também interessada no aconchego, poderá tentar achar graça, por exemplo, no jogo de futebol que tanto me encanta. Mas talvez não consiga e aí começam os problemas. Ela se afastará, indo em busca daqueles que são os seus reais interesses individuais. Eu me sentirei rejeitado, abandonado e mal amado; tentarei pressioná-la com o intuito de fazer com que volte. Ela, prejudicada em seus legítimos direitos, irá se revoltar e a briga (chamada de briga normal dos casais) será inevitável.

O homem é, ao mesmo tempo, a criança e a mãe. O mesmo vale para a mulher. Querem exercer sua individualidade, mas sem se afastar muito um do outro. Lutarão pelo poder, para definir quem irá impor o ritmo e a programação. Por maiores que sejam as afinidades, sempre irão existir atividades que são do interesse exclusivo de um dos membros do casal. A fórmula tradicional - homens mandam e mulheres obedecem - não funciona mais (felizmente).

O que fazer? Só há um jeito: o crescimento emocional de ambos para que a dependência típica do amor infantil se atenue. Que cada um consiga se sentir em condições de exercer suas atividades, de modo a liberar o parceiro para fazer o mesmo.



Flavio Gikovate 

29 de maio de 2011

Quais são suas reais necessidades?





Quantas vezes temos necessidades físicas e emocionais e as negamos como se não as sentíssemos? Você pode até dizer que sabe quando está com fome e por isso come até mais do que gostaria. Mas quantas vezes você comeu mesmo sem fome, só para satisfazer uma necessidade que pensava ser fome? Você tem certeza que sua necessidade em alguns momentos é mesmo de comida? Quantas vezes comeu por raiva, ansiedade, nervoso, preocupação e só percebeu seus reais sentimentos depois que comeu? Não percebemos nossas necessidades na mesma proporção em que não percebemos nossos sentimentos, negamos até mesmo necessidades básicas.

Desde muito pequenos aprendemos a nos distanciar daquilo que sentimos e a priorizar as necessidades dos outros. Você nunca deixou o maior pedaço de bolo ou o maior bife para que seu marido ou sua filha comesse? Quantas vezes deixou de comprar um roupa para você, mas não deixou de comprar para seu filho? Você nunca poupou seu marido de ter que fazer o supermercado e, mesmo sobrecarregada e sem tempo, você conseguiu fazer as compras?

Como são divididas as tarefas da casa? Igualmente entre todos? Você tem o privilégio de chegar em casa depois de ter trabalhado dia todo e ir direto para o banho, sem ter nada para fazer? Ou ao chegar você coloca roupa na máquina de lavar, o feijão para cozinhar, enquanto isso, liga o computador, recebe e-mails, retorna alguns telefonemas pendentes, conversa com o filho, arruma a mesa para o jantar e depois disso tudo, seu marido chega e ao encontrar tudo praticamente em ordem, ele vai direto para o banho? Acontece assim em sua casa? E ao sair do banho, ele vai deitar só um pouquinho porque está muito cansado. E você, como se sente? O que faz com que a necessidade do outro se torne mais importante que a sua?

Geralmente sequer percebemos que temos necessidades. Algumas vezes, não falamos o que sentimos para evitar uma briga e chegamos a ponto de negarmos para nós mesmos o que sentimos e, assim, vamos levando, como diz o ditado: empurrando com a barriga. Mas até quando podemos viver assim? Você já parou para pensar nas possíveis causas dessas atitudes? O que faz com que neguemos nossas próprias necessidades enquanto buscamos suprir de quem está a nossa volta?

Muitas vezes aprendemos a negar nossas necessidades, ainda muito pequenos. Um exemplo: um bebê chora porque está com fome, mas a mãe não o atende. Por outro lado, quando não chora, a mãe o alimenta, pois está na hora. Assim, aos poucos, o bebê conclui que ao expressar sua necessidade, não é ouvido, mas quando não o faz, recebe atenção.

Outro exemplo: a criança ao chegar da escola triste porque brigou com um amiguinho, ouve a mãe dizer que isso não tem importância, porque briga de criança logo passa, que isso é bobagem. O que é bobagem, a tristeza da criança? E as infinitas vezes que essa mesma criança ouviu que criança não sabe o que fala, ou que só faz coisa errada? E aquela mãe que diz não é nada quando a criança pergunta por que ela está chorando? Alguém chora por não estar sentindo nada? É possível se sentir digno de confiança dessa mãe que nega o que está evidente? Como alguém pode crescer se sentindo importante e consciente de seu valor enquanto pessoa se tudo que faz ou sente é errado, ou se não lhe dizem a verdade?

À medida que essa criança cresce irá registrando em seu inconsciente que é melhor negar e não demonstrar o que sente, pois aprendeu que mesmo que demonstre suas necessidades, elas não serão atendidas. E você, quantas vezes teve alguém que realmente se importou com o que sentia, com seus medos, seus pesadelos, suas dúvidas, quando era criança? Quem o ouvia com atenção e o fazia se sentir compreendido e seguro?

Antigamente, raramente os sentimentos de uma criança eram ouvidos e respeitados, levando-nos muitas vezes à conclusão que para satisfazer nossas necessidades não devemos demonstrar que as temos. É assim que desde crianças aprendemos a negar nossas necessidades, sentimentos e supervalorizamos as necessidades de outras pessoas. Assim, passamos a dar ao outro aquilo que gostaríamos de receber.

Como esse processo todo acontece de forma inconsciente, raramente percebemos que fazemos isso e até damos justificativas quando fazemos por alguém o que sequer pensamos em fazer por nós mesmos. Nos preocupamos com todos, buscamos suprir as necessidades de todos, amenizamos o sofrimento de muitos, mas insistimos em negar o que está dentro de nós. Resultado: insatisfação, depressão, doenças. Até quando você irá agir como se não sentisse?

Enquanto você mesmo não respeitar o que sente, o que precisa, dificilmente as pessoas irão respeitá-lo. Procure se ouvir mais. Identifique o que precisa, suas necessidades em todos os aspectos, não apenas físico, mas também, e principalmente, suas necessidades emocionais.

Do que você mais sente falta neste momento? De um colo, um ombro amigo para chorar? Fale isso para seu namorado, marido, esposa, amigo. Deixe-o saber o que quer, assim dará ao outro a chance de fazer um pouco mais por você. Continue fazendo com que as pessoas que estejam ao seu lado se sintam importantes por serem tratadas da forma especial com que você as trata, mas isso não requer que deixe de lado suas vontades, desejos, necessidades e sentimentos. Não espere alguém perceber suas necessidades para que elas sejam supridas. Sabe aquela atenção, amor, carinho e dedicação que você distribui entre aqueles que ama? Dê um pouco para si mesmo, sempre e incondicionalmente!



Rosemeire Zago 

19 de fevereiro de 2011

Mulheres que amam de menos...




Eu quero dar meu depoimento. Creio ter um problema. Se mulheres que amam demais são aquelas que sufocam seus parceiros, que não confiam neles, que investigam cada passo que eles dão e que não conseguem pensar em mais nada a não ser em fantasiosas traições, então eu preciso admitir: sou uma mulher que ama de menos.

Eu nunca abri a caixa de mensagens do celular do meu marido.

Eu nunca abri um papel que estivesse em sua carteira.

Eu nunca fico irritada se uma colega de trabalho telefona pra ele.

Eu não escuto a conversa dele na extensão.

Eu não controlo o tanque de gasolina do carro dele para saber se ele andou muito ou pouco.

Eu não me importo quando ele acha outra mulher bonita, desde que ela seja realmente bonita. Se não for, é porque ele tem mau gosto

Eu não me sinto insegura se ele não me faz declarações de amor a toda hora.

Eu não azucrino a vida dele.

Segundo o que tenho visto por aí, meu diagnóstico é lamentável: eu o amo pouco. Será?

Obsessão e descontrole são doenças sérias e merecem respeito e tratamento, mas batizar isso de "amar demais" é uma romantização e um desserviço às mulheres e aos homens. Fica implícito que amar tem medida, que amar tem limite, quando na verdade amar nunca é demais. O que existe são mulheres e homens que têm baixa autoestima, que tem níveis exagerados de insegurança e que não sabem a diferença entre amor e possessão. E tem aqueles que são apenas ciumentos e desconfiados, tornando-se chatos demais.

Mas se todo mundo concorda que uma patologia pode ser batizada de "amor demais", então eu vou fundar As Mulheres que Amam De Menos, porque, pelo visto, quem é calma, quem não invade a privacidade do outro e quem confia na pessoa que escolheu pra viver também está doente.


Martha Medeiros

2 de novembro de 2010

Sentir-se amado




O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando.

"Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.


Martha Medeiros