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25 de maio de 2013

Equilibre-se




Todo pensamento tem sua imagem mental. A essência de várias imagens mentais formadas nessa vida constitui a base para a próxima vida física. 

Se nossa mente gira constantemente sobre um tipo de pensamento, forma-se um sulco, chamado vrtti (em sânscrito), para o qual escorre automaticamente a força do pensamento. Isso cria um hábito de pensamento que continua depois da morte, pois pertence ao ego, e é levado para a nova encarnação como tendência de pensamento. 

Assim como um novo corpo físico é formada em cada nascimento, também são formados uma nova mente e um novo intelecto. A pessoa cria as circunstâncias de sua futura vida pelo efeito de suas ações sobre os outros. 

Uma ação vem de um desejo que a causou e de um pensamento que a formulou. Cada ação tem um passado que a levou a ela e um futuro que se segue a ela. Cada pensamento tem uma causa que gera um efeito. Um desejo gera um pensamento. O pensamento se transforma em ação. Uma ação forma a trama de nosso destino. Cada elo na corrente ilimitada de causas e efeitos é produzido por esses três componentes: desejo, pensamento e ação. 

Você semeia uma ação e colhe um hábito. Semeia um hábito e isso resulta em um caráter. Semeia um caráter e colherá um destino. Então não se entregue ao fatalismo, pois isso lhe trará preguiça, inércia e depressão. Pratique o poder do pensamento positivo e assim poderá criar seu próprio destino. 

Compreenda que em você estão latentes todas as qualidades, energias e poderes. Desenvolva-as e torne-se mais livre, confiante e saudável. Nossa expressão facial mostra o estado interior da mente ou o conteúdo dos nossos pensamentos. O que pensamos fica escrito em nosso rosto. Ele é o molde da mente. Os pensamentos negativos marcam sulcos no rosto. Pensamentos de inveja, cobiça, raiva, preocupação produzem fundas impressões em nossa face. 

Se deseja ficar com uma aparência mais jovem, tenha vigilância sobre seus pensamentos. Escolha pensamentos bons e positivos e mantenha seu rosto mais descansado e agradável. 

Nossos olhos também revelam a condição e o estado da mente. Através dos olhos transmitimos pensamentos de tristeza, raiva, depressão, alegria, harmonia, força, saúde. Se formos sensíveis e intuitivos podemos compreender as mensagens dos outros através dos olhos. 

As doenças psicossomáticas são produzidas pelos pensamentos negativos porque os pensamentos têm influência sobre o corpo. A depressão e a tristeza enfraquecem o corpo. Mas o corpo também influencia a mente. Quando o corpo está doente a mente também adoece. “Um corpo são torna a mente sã.” Se nosso corpo é saudável e forte, nossa mente também será mais calma e forte. 

Você sabia que ataques de raiva, mau humor causam sérios prejuízos nas células do cérebro? Eles espalham produtos químicos venenosos no sangue. Suprimem a secreção dos sucos gástricos e da bílis, causando doenças. Esgotam a vitalidade, provocando velhice prematura e diminuindo os anos de vida. O sistema nervoso se agita quando ficamos zangados, ansiosos e preocupados. Precisamos nos conscientizar da importância de fazermos treinamentos para conseguir a mente pacífica e mais serena. 

Podemos transcender a raiva pela sabedoria e compreensão. Podemos melhorar a ansiedade e preocupação estando mais focados no momento presente. Precisamos diminuir as expectativas pelo futuro e não remoer as lembranças passadas. 

Para desenvolver esse hábito de estar presente as práticas da hatha yoga, da meditação e do relaxamento nos ajudam muito, pois acalmam a mente e o corpo. Pratique yoga e transforme-se para melhor. Fique em paz!


Emilce Shrividya Starling 



5 de janeiro de 2013

Inspire vida





Você já reparou que sua respiração muda conforme o ritmo em que vive? Normalmente, situações prazerosas fazem com que a inspiração e a expiração aconteçam de forma mais calma, mais lenta, como se o momento, em si, lhe permitisse ampliar a sua capacidade de absorver toda a sensação boa que chega naquele instante. Em contrapartida, diante do estresse, o peito fica ofegante e a respiração fica mais curta e rápida, como se seu corpo quisesse tomar a frente e reagir àquilo que o está afetando negativamente. Por que será que isso acontece?

Bem, a ciência já mostrou que, de fato, o corpo responde ao que a mente lhe apresenta. Se sentirmos alegria ou tristeza, essas emoções certamente serão exteriorizadas; saem do nosso cérebro, de onde nascem, para se transformar em características perceptíveis a olho nu. E, quando isso acontece, a respiração é uma das primeiras a manifestar-se. Não à toa, em algumas tradições médicas (principalmente vindas do oriente), é comum associar problemas cardiorrespiratórios a questões emocionais.

No entanto, quase nunca ficamos atentos aos sinais enviados pelo nosso corpo para dizer que algo vai bem ou vai mal. No caso da respiração, por exemplo, aprendemos desde cedo que se trata de uma atividade naturalmente realizada pelo nosso organismo. Graças a ela, cada uma de nossas células recebe o oxigênio de que precisa para desempenhar absolutamente todas as funções vitais. Isso significa que não há um único órgão capaz de sobreviver sem ar e, portanto, sem respirar. Em outras palavras, nós não precisamos pensar para respirar. Não precisamos pensar para realizar uma das atividades mais imprescindíveis à vida. Mas... por que não pensarmos na respiração?

Pensar para respirar é o mesmo que respirar com atenção. E respirar com atenção nos ajuda a sair do piloto automático e tomar consciência de uma ação que, até então, era feita espontaneamente, ou seja, significa dar o primeiro passo para começar a se olhar com outros olhos, para começar a se enxergar com profundidade.

Já se sabe que a respiração consciente ajuda a afastar o estresse, proporciona bem-estar e estimula habilidades como criatividade, entusiasmo e o raciocínio lógico. Mais que isso, respirar com consciência também lhe dá a chance de parar brevemente antes de tomar uma decisão. É uma ótima maneira de evitar reações impulsivas, quase sempre tão desgastantes. Além disso, uma simples respiração consciente permite a você que entre em contato com sua capacidade de escolha, aquela que nasce na sua melhor parte, e que lhe diz que há mais vida para viver e mais amor para sentir. Exercite e realize. Pare por alguns momentos para se auto-observar:

1. Sua respiração é rápida?
Respirar rapidamente lhe dá pouco tempo ao prazer e ao bem-estar.

2. Você respira pela boca e não pelo nariz?
Nariz "travado" leva menos oxigênio ao cérebro e, consequentemente, você se sente menos disposto. 

3. Como você solta o ar?
É fundamental expirar profundamente para liberar todas as toxinas e completar seu ciclo de oxigenação, beneficiando a sua saúde.

Num momento difícil, respire. Num momento bom, respire. Simplesmente respire com atenção e escute o que está acontecendo com você. Em que está pensando e por que está pensando isso? Quais ações e decisões pode tomar neste momento? Lembre-se: você tem as melhores escolhas... e elas estão dentro de você. Respire para encontrá-las!

Heloisa Capelas

24 de outubro de 2012

Recriando a vida




Vivemos um momento especial na história da humanidade. As transformações que têm sido anunciadas já há algum tempo, baseiam-se fundamentalmente numa mudança no padrão de consciência dos seres humanos.

Muitas pessoas ao redor do planeta recebem orientações e mensagens que se assemelham em muitos pontos, pois preconizam uma liberdade cada vez maior do homem em relação a dogmas, crenças e todos os tipos de amarras que o impedem de vivenciar plenamente sua natureza divina.

Há muito os mestres espirituais falam sobre a importância do voltar-se para dentro, entrar em contato com nossa interioridade, descobrir uma nova dimensão do ser totalmente desconhecida e ignorada pela maioria de nós.

Mas, durante muito tempo, suas palavras atingiram um numero reduzido de pessoas - aquelas que haviam despertado para a busca, a necessidade de ir além da realidade aparente de suas vidas. Agora, no entanto, esta mensagem precisa alcançar uma quantidade cada vez maior de seres, pois o tempo exige da humanidade um novo direcionamento que não pode mais ser adiado.

Ao invés do medo, é essencial que nos conectemos com outra energia, a da confiança, a da entrega aos desígnios da existência que, se tivermos olhos e sensibilidade para enxergar, é protetora, nutridora e amorosa, como tão bem explicitou Cristo.

Tudo no Universo é a expressão desta força criadora, que se transforma e renasce o tempo todo. Por isso, não há porque não acreditarmos que este é um momento valioso, em que tudo o que nos prende ao sofrimento, à limitação e à dor, poderá finalmente começar a ser transmutado em alegria, abundância e paz.

"O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele... Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo em direção ao túmulo - mas isso não é vida.

...Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida... Como desenvolver-se? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas.

Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão.

Para mim o primeiro princípio da vida é meditação. Tudo o mais vem em segundo lugar... Meditação significa entrar na sua imortalidade, entrar na sua eternidade, entrar na sua divindade.

...Meditação é apenas um método cirúrgico não convencional que corta tudo aquilo que não é seu e só preserva aquilo que é o seu autêntico ser. Ela queima tudo o mais e o deixa nu, sozinho embaixo do sol, no vento.

O segundo princípio é a peregrinação. A vida deve ser uma busca - não um desejo, mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se isso, para tornar-se aquilo, um presidente de um país, ou um primeiro-ministro, mas uma pesquisa para encontrar 'Quem sou eu?'.

...Você se torna tão sensível que até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela;

...E essa sensibilidade criará novas amizades para você - amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce, enquanto a amizade cresce...

Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica...Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida. - porque homem algum é uma ilha, nós estamos todos conectados.

Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo, na mesma proporção a nossa vida é diminuída.

...Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior - isso é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo momento uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o supremo pico no empenho de toda a sua vida.

...Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você - silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a meditação, tente trazer para a sua vida. Compartilhe isso, porque tudo o que é compartilhado cresce mais rápido. E quando você atingir o momento da morte, você saberá que não existe morte...".

OSHO, O Livro da Cura.



Elisabeth Cavalcante 



23 de setembro de 2012

Meditação: sintonia com a vida




A meditação tem despertado cada vez mais interesse no Ocidente, sendo, inclusive, objeto de estudos e pesquisas científicas na área da saúde. Contudo, ainda há muita falta de informação e são grandes os mal-entendidos que cercam esse ensinamento tão antigo quanto a própria humanidade, enraizado e disseminado no Oriente.

Embora seja um tema difícil de ser explicado, uma vez que se trata fundamentalmente de uma experiência interna, subjetiva, proponho-me a abordá-lo a partir da minha própria vivência.

Meditação é conexão com a vida, interna e externa. Meditação é silêncio interior. E o silêncio só se manifesta se a pessoa aceitar e acolher o momento presente tal como é, dentro e fora de si. Se isso não acontece, prevalecem os conflitos, as tensões, as divagações mentais e não o silêncio. A aceitação da natureza da vida com compreensão é transformadora, ajuda a descomplicar, a relaxar e a equilibrar o nosso viver, conectando-nos com o estado interior natural de harmonia e felicidade.

E fazer meditação é diferente de estado meditativo, o qual é a nossa natureza. Meditação é o conceito mais incompreendido. As pessoas estão perguntando a partir de uma compreensão equivocada, ou mal-entendido: concebem a palavra meditação como uma técnica, como algo para fazer.

Fazer meditação como uma técnica é uma coisa e meditação, em sentido real, é outra. São entendimentos diferentes. Quando usamos a palavra meditação, em sentido real, referimo-nos a um estado meditativo, que é o nosso estado natural, o qual não pode ser trazido através de nenhuma técnica, esforço ou qualquer coisa que se faça. Ele já está lá, mas tem sido escondido ou suprimido por causa de algo, e esse algo é a mente.

O estado de meditação é o estado de relaxamento. Ele o relaxa muito e lhe dá um silêncio interior profundo. E este silêncio é a expressão desse estado. Assim, você está absolutamente naquele estado além da dor, além do prazer. Esse é o estado de bem-aventurança.

E o que é o estado de harmonia? Harmonia é o fluxo do amor que a aceitação da vida traz.

Quando você começa a aceitar a vida do jeito que ela é, esta aceitação lhe traz de volta a harmonia. E harmonia é o fluxo do amor. Então, você não precisa de nenhum outro poder".

Os sábios dizem que, quando oramos, nós falamos com Deus. E, quando meditamos, nos silenciamos para ouvir a voz de Deus. Assim, não se trata de refletir, de rezar ou entoar mantras. Meditar não é concentrar, pois não é ação mental. É atenção sem esforço, o que é diferente de concentração. Meditar também não é pensar ou visualizar algo e, sim, ir além dos pensamentos e imagens. Simplesmente estar presente, consciente e testemunhar o que acontece internamente, mantendo um desprendimento do que quer que se perceba: sensações corporais, pensamentos, imagens, desejos, emoções, humores, sentimentos. Nessa observação silenciosa, sem apegos e julgamentos de qualquer natureza, corpo e mente se acalmam, aquietam-se e a paz se manifesta em nossos corações. A confusão desaparece e a ordem interna se instala.

Outro aspecto que vale a pena esclarecer é que meditação não é somente sentar-se em postura de lótus, fechar os olhos e assim ficar por um determinado tempo, sem proposição de metas a serem alcançadas. Se um indivíduo colocar a totalidade do seu ser em qualquer tarefa do cotidiano, entrará em estado meditativo. É uma consequência de estarmos inteiros, presentes, motivados e sem conflitos naquilo que fazemos.

Um dos segredos para se atingir patamares de excelência em qualidade, seja na elaboração de produtos ou na prestação de serviços é gostar e estar presente total naquilo que se faz. Nessas condições, o trabalho deixa de ser um fardo e pode transformar-se em meditação que acontece naturalmente, sem esforço. Dessa forma, a pessoa adquire mais e mais clareza mental, torna-se assertiva e também mais sensível, criativa, integrada ao seu entorno de maneira mais equilibrada e harmônica.

Porém, na loucura da pressa, na luta pela sobrevivência, do ter que fazer, envolvidas por um turbilhão de atividades, as pessoas se esquecem até da própria existência; rígidas e identificadas com a tensão do fazer, permanecem num movimento automático e mecânico, tenso e inconsciente, que lhes tira o sabor de estarem vivas.

Por outro lado, a sabedoria, a criatividade e o amor manifestam-se como uma dádiva para as pessoas que adquiriram qualidade e totalidade de presença em tudo o que fazem, seja riscando um palito de fósforo, seja acendendo o fogo de uma grande fornalha.



Enildes Corrêa

3 de julho de 2012

Por onde começar?



Todos já nos fizemos esta perguntinha uma vez ou outra diante de uma bagunça bem feita. Uma festa que deixou seus resíduos, um armário que foi desatentamente mexido, uma bolsa que mal acomoda as necessárias coisinhas de cada um. A mala que precisa ser fechada para voltar para casa. E assim por diante.

Existem muitas maneiras para se colocar a bagunça em ordem. E certamente cada um tem seu método próprio para cuidar de sua pessoal e intransferível desordem.

A mente quando esta em plena confusão então nem se fala, é uma grande dificuldade! Por onde começar a contar o que se passa se no momento nada parece estar bom? Nem isso nós conseguimos saber. Mas tem muitas técnicas que bem podem ajudar a desembaraçar "o grande nó" que se instalou do qual está complicado se desvenciliar.

Escolher uma das linhas da psicologia e passar a frequentar um dos inúmeros psicoterapeutas que por aí estão é claro que irá ajudar a trazer a tona muitas das causas que acaba por nos levar a dar os tais "nós".

Posso dizer que isso acontece sempre que cada um valoriza e apoia a própria decisão de vasculhar o porão e limpar sótão; com a ajuda da psicoterapia.

Sentir que a casa esta bagunçada seja a de dentro ou a fora é bem difícil! ..."Tudo fora do lugar"..., como cantou Cazuza; ..." café sem açúcar, meia sem par"... e por aí afora.

Uma prática diferente que também ajuda a colocar ordem na casa - seja a de fora ou a de dentro - é através da calma, que o centramento nos dá, aquietando a mente podemos voltar a organizar o que for preciso.

Estou falando do Yoga, onde podemos aprender a silenciar a mente. Por meio de alongamentos conseguimos ir disciplinando o corpo para que possamos aos poucos ficar nas possições que facilitem a meditação. Reeducar o nosso físico acostumado com os sofás e cadeiras nada ergonomicas, para que possamos permaneçer nas posturas sem nós incomodar por algum tempo é fundamental para que se possa meditar.

Os budistas dizem que "meditação é como voltar para casa" e claro não pode ser uma casa bagunçada, parecendo que um vendaval passou por lá, estar consigo mesmo é estar num lugar aconchegante, onde se é acolhido, onde nos sentimos à vontade.

Silenciar a mente pela meditação é isto, estar em paz dentro de si próprio, estar de bem consigo e com a prática das posturas do yoga as quais chamamos de ásanas é que vamos estar cada vez mais perto deste bem estar.

Permanecer centrado depois de um tempo meditando fica cada vez mais fácil e assim as "coisas" vão ficando cada vez mais arrumadas, mais leves; afinal simplificamos o que nos parecia tão fora do contexto; a energia gerada pela prática do yoga e da meditação facilitará a arrumação necessária dentro de nós; desta forma somos capazes de organizar o que for preciso também fora de nós.



Cássia Marina Moreira

4 de junho de 2011

Magia na arte de estar com o outro




"O amor significa a arte de estar com os outros.

Meditação significa a arte de estar consigo mesmo.

São dois aspectos da mesma moeda.

Uma pessoa que não sabe como estar com ela mesma verdadeiramente não pode relacionar-se com os outros.

O relacionamento dela será inconveniente, sem graça, feio, fortuito e acidental. Sempre oscilará e nunca ganhará profundidade.

E vice-versa: a pessoa que não é capaz de estar com os outros, de relacionar-se, achará muito difícil relacionar-se consigo mesma, porque a arte de relacionar-se é a mesma.

Seja relacionar-se com os outros ou consigo mesmo, não faz muita diferença: é a mesma arte.

Essas artes têm que ser aprendidas juntas, simultaneamente; elas são inseparáveis.

Relacione-se com as pessoas como se você estivesse cantando uma canção, como se você estivesse tocando numa flauta; cada pessoa precisa ser pensada como um instrumento musical.

Respeite-as, ame-as e adore-as, porque cada pessoa é uma face oculta do divino.

Portanto seja bem cuidadoso, bem atento. Lembre-se do que você está dizendo; lembre-se do que você está fazendo.

Pequenas coisas bastam para destruir relacionamentos, e pequenas coisas tornam relacionamentos tão belos.

Às vezes basta um sorriso, e o coração do outro se abre para você; às vezes basta um olhar errado em seus olhos, e o outro se fecha.

É um fenômeno delicado. Pense nisso como uma arte, a vida tem que ser aprendida como uma arte, muito cuidadosamente, bem deliberadamente.

Assim, o relacionamento com os outros precisa se tornar um espelho: veja o que você está fazendo, como você está fazendo isso e o que está acontecendo.

Que está acontecendo ao outro? Você está provocando sofrimento nele? Você está criando um inferno para ele?

Então retire-se. Mude suas maneiras.

Embeleze a vida ao seu redor.

Deixe que cada pessoa sinta que o encontro com você é uma dádiva, que apenas por estar com você algo começa a fluir, a crescer.

E quando você estiver sozinho, então sente-se totalmente em silêncio, absolutamente em silêncio, e observe a si mesmo.

Assim como o pássaro tem duas asas, deixe amor e meditação serem suas duas asas. Crie uma sincronicidade entre eles, assim eles não estarão de maneira alguma em conflito um com o outro, mas cuidando um do outro, alimentando um ao outro, auxiliando um ao outro.

Esse vai ser o seu caminho: a síntese entre amor e meditação".




Osho: The Rainbow Bridge

10 de março de 2011

Tai chi chuan


  

Movimentos lentos, respiração suave e profunda. Para quem está de fora, o tai chi chuan parece fácil, afinal, em nada tem a ver com as modalidades de ginástica que exigem dos músculos e estressam o corpo. Porém, combinar arte marcial com técnica de concentração é tarefa árdua, que exige calma, atenção e flexibilidade. O empenho compensa. Com disciplina, em cerca de um mês, já se sente o ganho em energia e disposição para o dia-a-dia, garantem os professores.
Além disso, os movimentos do tai chi fortalecem os músculos, melhoram a renovação do ar no organismo e as trocas dos fluidos, o que melhora os sistemas cardiovascular, renal e digestivo, ou seja, a saúde como um todo.

O tai chi consiste na repetição lenta de uma cadeia de exercícios que se assemelham a golpes marciais, mantendo a inspiração e a expiração no mesmo ritmo dos movimentos dos braços e das pernas. A sequência é longa e deve ser memorizada pelo praticante.

Coordenar a cadência de movimentos de braços, pernas e respiração com graça e postura implica no desenvolvimento de um mecanismo do sistema nervoso central que promove a integração da mente com os movimentos corporais. Esse processo desencadeia a memória corporal e, às vezes, mais de uma centena de exercícios são realizados seqüencialmente, sem prestar atenção. Após decorar a sequência, a mente aprende a se concentrar nos movimentos e estar em sintonia com o que o corpo executa, sem precisar pensar antecipadamente qual exercício deve fazer.

Mas não é fácil decorar a sequência. Na modalidade Yang de Tai Chi, são 103 movimentos seguidos. Alguns professores ensinam os alunos a imitarem os mais antigos até aprenderem os movimentos. Só mais tarde corrigem as possíveis imperfeições. Outros preferem ensinar passo-a-passo e corrigir já no processo de aprendizagem.

O tempo em que são feitos os movimentos sequenciais varia de acordo com a linha do professor. Podes-se levar de 20 a 25 minutos para completar três sequências. Alguns mestres fazem o mesmo em 40 minutos, outros preferem realizá-lo em dez.

Não importa o ritmo, é a concentração que interessa. Se o praticante olhar para os lados ou pensar em como executar os próximos movimentos, ele se desconcentra e o equilíbrio entre movimento de braços, pernas e respiração vai por água abaixo. Com esse constante exercício de disciplina, ganha-se maior concentração no dia-a-dia, disposição e energia para o trabalho, tranqüilidade para a mente e muita saúde. A prática silencia a mente e medita-se em movimento.


Da Redação do Mais50 





9 de março de 2011

Tudo zen




Existe muito material escrito sobre a meditação e tudo isto pode trazer para nós a sensação de que meditar é uma prática complexa e difícil. Entretanto, há como compreender melhor como a meditação pode nos beneficiar. Vivemos num mundo conturbado e angustiante. Basta ligar a televisão, o noticiário para constatar isto. Mas este é apenas um lado de nossa percepção do mundo. Um ponto de vista bastante sombrio. As pessoas se dizem "realistas". Realista para mim é aquela pessoa que consegue enxergar as coisas do modo mais desgraçado e pessimista possível. "Não sou pessimista" – dizem –"sou realista!".

Mas existe também uma outra forma de compreendermos a realidade, e a meditação nos ajuda a perceber as coisas sob esta nova ótica. Quando meditamos, deixamos de lado o papel do herói ou da vítima do mundo. Abandonamos a postura do depressivo, do pressionado e nos colocamos como "Senhores do nosso Destino". Você não pode mudar o mundo. Mas pode mudar a maneira de encará-lo. E a meditação nos ajuda nisto.

Antes de tudo, é importante compreendermos, mesmo que superficialmente, aquilo que ocorre em nosso cérebro quando meditamos. Se medirmos num eletroencefalograma o seu ritmo cerebral enquanto estiver acordado, conversando, trabalhando ou em alguma atividade, vamos detectar aquilo que os cientistas chamam de "estado beta". Seu ritmo neural está mais ativo, desprendendo mais energia e, de acordo com a intensidade, pode levá-lo ao estresse. É por isso que temos a necessidade do sono. Se permanecermos muito tempo em estado beta, iremos desenvolver o cansaço e a fadiga.

Um simples fechar de olhos já permite a mudança de estado mental. Chamamos este momento de "estado alfa". Nosso estresse diminui, nossa musculatura relaxa e ficamos mais preparados para lidar com os desafios básicos da vida.

A meditação contribui para prolongar os benefícios gerados pelo estado alfa. Uma breve meditação feita após o almoço pode manter o seu bem-estar durante todo o restante do dia, por mais agitado ou estressante que seja o ambiente onde estiver.

Então vamos meditar, do jeito mais simples e descomplicado possível porque, afinal, são as coisas simples que produzem os melhores resultados.

1. Sente-se confortavelmente e feche seus olhos.

2. Preste atenção em sua respiração (Procure perceber qual é o seu ritmo. Está calmo ou agitado? Sua musculatura está tensa? Através da respiração conseguirá detectar todas estas coisas).

3. Procure silenciar seus pensamentos (Esta é a parte mais desafiadora. É como uma barreira do som que precisa ser vencida. Neste momento, uma infinidade de pensamentos podem surgir, como "aquela conta para pagar"; ou "aquele telefonema por fazer"...)

Por mais dificuldade que tenha no início, continue prestando a atenção em sua respiração. Não se deixe impressionar pela agitação mental que pode surgir. Sua mente que nunca pára, fica ainda mais agitada, porque você está tentando silenciá-la e ela pode lutar contra isto. Solte-se completamente. E se um pensamento chega e tira a sua concentração, pacientemente volte mais uma vez a atenção para a própria respiração, sempre calma e tranquila.

4. Mantendo esta postura por algum tempo, abra seus olhos e permaneça agora com o olhar fixo em algum ponto qualquer. Não faça mais nada. Não diga nada, nem force os seus pensamentos. Apenas fique ali, no seu vazio, no seu mundo isolado de tudo. Meditação é, portanto, o "não-pensar". É o abandono da razão. Isto para nós ocidentais é quase impossível. Estamos sempre apresentando justificativas, explicações, conceitos. Na meditação, desistimos da necessidade de impor ou de provar qualquer coisa que seja. É um viver aqui e agora. E quando nos acostumamos a isto, nossa vida toma um novo sentido.

5. Permaneça neste estado por um tempo, pelo tempo que julgar necessário. Algumas pessoas utilizam um despertador para controlar o período em que está meditando. Sua meditação pode durar 10 minutos, ou quem sabe meia-hora. É você quem decide.

De qualquer modo, meditando você ficará mais apto para lidar com os desafios básicos da vida e estará mais predisposto para a calma e a tranqulidade. Vale a pena tentar.


Chris Almeida