25 de novembro de 2011

O problema é você?




Por que as coisas não mudam na sua vida? Por que sempre acontecem transformações espetaculares na vida dos outros, enquanto a sua não sai do lugar, por mais movimentos que você faça? Os outros sempre são promovidos, sempre estão vivendo um momento especial, um romance de tirar o fôlego. Os casais que cruzam seu caminho parecem estar em pleno exercício do amor sublime, do sexo transcendental.

Aí você olha para sua vidinha e pensa: que bosta! Nada muda. Todo mundo está feliz, completo, amando, realizando, conquistando… e você correndo em círculos, atrás do rabo, sobrevivendo do jeito que dá. A mesma ladainha do amor não correspondido, da ralação no trabalho não reconhecido. Às vezes, aparece uma luz no fim do túnel e você pensa, agora vai! E não é que acontece alguma coisa justo na sua vez de ser feliz? Pronto, você se frustra, apaga seu brilho, chora, esperneia e, pior, não é como era antigamente, quando os seus dissabores e revezes eram amortecidos pelos pais, avós ou outras pessoas que tinham esse superpoder.

Acabou o colo. Acabou aquela crença “depois de um dia ruim vem um dia bom”, porque muitas vezes vem outro ruim. No fundo, no fundo, acabou a ilusão e isso dói, mas dói muito. Aí você se culpa, porque, afinal, tem emprego, saúde, amigos, pernas e braços, um teto para morar… enquanto tantas pessoas sofrem pela falta disso tudo. Resta arrumar forças não sei de onde para continuar sei lá o que, até que alguma chama reacenda e você volte a acreditar que, desta vez, a sua vez está próxima.

Como diz Goya, “os sonhos da razão produzem monstros”. Que cara sábio! Os sonhos da razão são as ilusões que criamos em relação ao brilho da vida alheia; os monstros são os fantasmas que nos põem para baixo assoprando nos nossos ouvidos o quanto somos infelizes em reação à pseudo-felicidade do outro. Na verdade, ninguém brilha 24 horas por dia, nem transa; nem ama; nem arrasa no trabalho. Mas, pelo jeito, você anda se iludindo 24 horas e perdendo energia e tempo preciosos que poderiam estar sendo usados para fazer sua vida brilhar por si só.


Fernanda Santos







24 de novembro de 2011

Recomeçar




Como psicoterapeuta, eu atendo muitos casais que tentam resgatar seu casamento. Procuro fazer primeiro uma terapia individual e só depois em conjunto.

Pude perceber que ambos precisam desabafar e colocar tudo para fora, mas que nem sempre conseguem fazer-los na frente do outro. O mais curioso é que as queixas são sempre muito parecidas: falta de carinho, atenção, desgaste na relação...

Com isso, você descobre que, no fundo, eles só não se enxergam mais. Na correria do dia a dia às vezes não sobra tempo para nada. Assim, acabamos passando por cima das pequenas coisas que mantém um relacionamento feliz.

Quantas vezes, ao se emocionar assistindo a um filme romântico, você não pensou: "antes ele(a) me mandava flores" ou "antes ele(a) fazia isso e não faz mais"...?

Quantas vezes nós olhamos para o(a) nosso(a) companheiro(a) e não falamos nada, mesmo querendo falar muito? Vamos engolindo e deixando pra lá.

Quantas vezes nós queremos dar um abraço ou fazer qualquer outro carinho e ficamos com receio de parecer bobos ou com medo da reação do outro?

Quantas vezes ficamos com vergonha de nossos filhos, como se andar de mãos dadas ou dar um beijo no(a) nosso(a) companheiro(a) fosse algo vergonhoso?

Com todas essas reservas, vamos nos fechando e levando a vida. Nos ocupamos com a casa, o trabalho, os filhos e nos esquecemos de nós mesmos: dos nossos sonhos e desejos, achando que o nosso tempo já passou.

Nós estamos sempre esperando o momento certo para falar ou fazer algo e, muitas vezes, quando nos damos conta já se passaram muitos anos e ganhamos muitas mágoas e ressentimentos - na maioria dos casos - sem muita razão.

Encontre um tempo só para você, um lugar só seu. Relaxe, respire fundo e pense na sua vida.

Você já reparou que o tempo passa muito rápido? Nós vivemos num mundo muito corrido, então não espere mais, o momento certo está ai, só depende de você deixar que ele aconteça.

Muitas pessoas acham que podem deixar para serem felizes amanhã, que hoje é muito difícil e sempre inventam uma desculpa. Mas quando resolverem tentar, pode ser que seja tarde demais.

Existem momentos que simplesmente não voltam. As pessoas mudam, envelhecem e, às vezes, engordam, mas no fundo continuam sendo as mesmas por quem nos apaixonamos. O que falta é abrir nosso coração e deixar o medo e o orgulho de lado, e, então, recomeçar. 
 
 


Myriam Durante
 
 
 
 

23 de novembro de 2011

Solidão nunca mais...




Recentemente, escrevi sobre o tema "solidão". Minha intenção era transmitir que, apesar das dores que esse sentimento causa, precisamos tentar assumir o controle, transmutando as angústias em boas energias e absorvendo somente o que de fato nos proporcionará alegria e bem-estar.

Quando comecei a escrever, nunca poderia imaginar que o universo seria tão poderoso e sábio, até mesmo comparecendo em momentos de inspiração...

Por mais que já tenhamos vivido uma situação difícil e, imaginando tê-la vencido, somos colocados à prova, ou melhor, à contraprova para uma certeza profunda de que aquele obstáculo, aquele teste foi, de repente, deixado para trás.

Em 30 anos, nunca havia me distanciado tanto da minha família, mesmo vivendo em outra cidade. Às vezes, sentia-me sozinha e inevitavelmente batia aquela sensação de vazio, de abandono. Pois bem, hoje me encontro em outro Estado do País, muito, muito longe de todas as pessoas queridas...

Escrevi que a solidão causa dor e que não é tão fácil conviver com ela, também comentei que podemos revertê-la em algo positivo, por mais difícil que seja, pois temos, em nossas mãos e mentes, o controle completo de nossa vida.

No entanto, existe uma questão, sobre a qual ainda não tenho resposta... mesmo sem querer, às vezes, as lágrimas descem pelo meu rosto só de lembrar o vulto da minha querida mãe... e, quando menos percebo, começo a rir e logo penso: "que sentimento bom"... e sinto algum tipo de ajuda, percebo que não estou só.

A mente com suas infinitas capacidades, como por encanto nos supre de doces e boas lembranças e isso me conforta, porque sei que está tudo bem, que todos estão com saúde e esperando com alegria um precioso encontro. E ainda, podemos nos falar a qualquer momento... basta pegar no telefone ou acessar a internet. É claro que não é a mesma coisa, mas conforta e permite boas risadas juntos...

Hoje, infelizmente, muitas pessoas se tornam feito zumbis diante da Internet, esquecendo de viver, mas não poderia deixar de comentar que a Net também proporciona muita satisfação e alegria pelo outrora inimaginável fato de podermos ver instantaneamente a outra pessoa em qualquer lugar do mundo... Uma boa imagem da webcam nos permite captar nos fundo dos outros aquele brilho que toca nossa alma, emociona e nos passa alegria e felicidade... assim como o timbre e a vibração que as palavras sinceras transmitem, amenizando a saudade de ambas as partes.

Por causa dessas condições, não há mais lugar para a solidão... as distâncias, como por encanto, encurtam-se e ao final cada contato sentimos que fomos revitalizados, que recebemos uma energia amorosa que nos nutre até o seguinte...

Para aqueles que ainda não conseguem utilizar a contento a ferramenta da internet, sempre podem dispor do telefone, dos Correios... Sim, mesmo tendo a internet disponível, também gosto de fazer uso dos Correios e enviar umas cartas-surpresa, algo que, afinal, durante centenas de anos foi o único meio de comunicação entre os seres humanos e, por mais demorado que seja, ajudou profundamente muitos corações distantes.

Agora, vivenciando por completo a experiência da mudança, acredito que possa fechar o tema. Estou a cada dia em um lugar diferente, de culturas e valores preciosos e ricos em diversidades, agregando à minha bagagem o melhor de tudo. Estou cada dia mais feliz e em crescimento profundo, porque consegui vencer, superar de vez um sentimento de dor tão temido por muitos, e que agora não faz mais parte da minha vida, porque... eu nunca estou só!

Não posso deixar de comentar que sei existirem muitas pessoas que lutam, mas não conseguem se libertar... para elas vai um recado, que sinceramente espero possa ajudar, motivar: "Procure seguir o coração mais do que a mente. Se sentir saudade de algo ou de alguém, reveja a estratégia, jogue pra bem longe o orgulho e... tente começar do zero, não importando o número de tentativas. Procure seguir outro caminho, procure fazer o que realmente lhe faz bem... faça algo novo, condicione sua mente a viver cada dia com muita intensidade e alegria. Não viemos por aqui para passarmos despercebidos, para vivermos acamados e depressivos. É preciso resgatarmos nossa forças e tomarmos as rédeas de nosso destino, escrevendo com coragem e determinação nossa história, sem sermos derrotados, mesmo que, ao final, fiquemos com o corpo todo marcado por profundas cicatrizes...
 
 

Lidiane de França 

18 de novembro de 2011

As nossas escolhas diante de uma encruzilhada




Nós sempre pensamos se tomamos a decisão certa. A resposta a esta questão é: sem dúvida alguma! Por que voltamos ao passado então? Deveríamos ter pensado, ter sonhado, ter feito... Nós nos esquecemos que somente podemos fazer aquilo para o qual já estamos preparados! Não podemos mudar a reação dos outros, somente a nossa!

Eu acredito que deve haver uma razão pela qual nós dizemos que deveríamos aceitar as situações na vida como elas simplesmente são. A realidade que vivenciamos todos os dias não contém somente o que é concreto e visível, aquilo que conseguimos ver, mas também o que está oculto de nossa visão. E os resultados, aquilo que colhemos, nos garantem exatamente isso.

Nós sempre estamos diante de uma escolha que deve ser feita apenas por nós mesmos. Esta constatação facilita a caminhada que devemos percorrer, não é mesmo? Não é maravilhoso saber que somos capazes de controlar nossos pensamentos, sentimentos e ações? Ninguém consegue este feito a não ser nós mesmos! As reações que apresentamos aos outros, sejam elas positivas ou negativas, dependem única e exclusivamente de nós. Ninguém é responsável por elas, a não ser nós mesmos!

Vivemos de ilusões que podemos criar uma outra realidade. Ah! Se tivéssemos uma outra profissão, se nossos relacionamentos fossem mais harmoniosos, se fôssemos mais jovens, tantos "se e mas"... Tudo é o que deve ser! Claro que nem sempre somos impotentes, contudo nem tudo pode ser mudado por nós...

Existe algo por trás de nossas ações, algo que nos conduz, que nos mostra a luz e o caminho certo a seguir. Se tentássemos, todos os dias, entrar e contato com esta realidade invisível, teríamos uma grande surpresa. E que surpresa!

Como podemos alcançar a harmonia que há tanto tempo procuramos e pela qual ansiamos? Confiança é a solução. Precisamos aprender a confiar na vida e reconhecer que não podemos nos envolver tão livremente em toda e qualquer situação. Por que pensamos ser onipotentes?

Uma vez que tenhamos tentado de tudo para mudar algo e apesar de nossos esforços ainda não termos alcançamos sucesso, não será melhor ficarmos tranquilos e aceitarmos o presente que o cosmo tem a nos oferecer? Talvez precisemos somente de paciência, certo?

Nós dizemos que toda escolha acarreta alguma dúvida, mas a nossa escolha-consciente ou não- já fizemos há muito tempo. Nós podemos expressá-la de outra maneira ou mesmo mudá-la completamente, pois tudo que escolhemos é um reflexo do que está em nosso interior. Por isso é necessário o autoconhecimento!

A única escolha que depende apenas de nós é a escolha de ser quem realmente somos. E para que esta afirmação se torne verdadeira, vivamos o momento presente e aproveitemos o que ele nos oferece. E sejamos gratos por isso!



Joseila Gerotto



 

16 de novembro de 2011

Mentirinhas na vida a dois... pode?




“Meu marido, sem perceber, conta pequenas mentiras pra não me ver brava. Só que acabo sempre descobrindo. Devo ignorar?”

Você já parou para pensar se existe em nossa sociedade alguém que não minta? Difícil, não é? Existem, porém, mentiras de todos os tipos desde as mais cruéis até as mais inofensivas. Muitas pessoas se vangloriam de serem verdadeiras, falarem tudo o que pensam, sem se preocupar com a reação dos outros mas... Será que essa postura as coloca realmente como mais corretas moralmente? Volta e meia aparecem nos filmes, novelas, literatura, personagens "desbocados", que falam tudo o que pensam e, geralmente são vistos como vilões, não como heróis.

Paradoxo: Pequenas mentiras ou omissões podem até fazer bem à relação. Falar sempre a verdade, embora faça parte de nosso código de ética, às vezes pode significar apenas descuido com o outro, preguiça de encontrar as melhores palavras para transmitir um recado sem ferir. Pequenas mentiras ou omissões com a finalidade de proteger a relação ou evitar constrangimentos e mágoas em geral são benvindas ou até... desejáveis, por mais paradoxal que pareça.

O número de mentiras atenuantes usadas pelas pessoas também depende de um código social que varia de país para país. Quem é o brasileiro que não ouviu dizer que o francês é grosseiro? Ou que os médicos americanos são insensíveis por dizerem claramente ao paciente que ele tem uma doença grave? Sim, sob nossa ótica de brasileiros onde ser gentil é quase mandatório, os franceses, que dizem o que pensam na cara, parecem muito grosseiros. Por outro lado, nós, os simpáticos e gentis para mantermos essa imagem mentimos ou omitimos nossos sentimentos muito mais frequentemente...

Portanto, sua reação depende do que para você é mais importante. Ao ouvir as mentirinhas de seu marido pense que, como você mesma diz, ele faz isso para proteger a relação, não para esconder de você fatos relevantes e fazer você de boba. Saber a verdade você sabe, portanto de que serviria a explicitude? Se você encontrar um motivo que a justifique, talvez valha a pena conversar com seu marido. Se, porém, a relação se mantém estável mesmo com essa linguagem entre vocês, deixe as discussões para assuntos que realmente precisem ser esclarecidos. Mesmo porque se vocês estabelecerem a explicitude como regra e forem discutir todas as "mentirinhas" ou omissões da relação não sobrará tempo para mais nada. E você precisará estar sempre de prontidão para esclarecer questões como, por exemplo, por que fez essa pergunta para nós e não diretamente para ele... 
 



Anette Lewin