4 de março de 2012

Fazer diferente...


 


Tenho ficado muito ligada sobre como nos fechamos às infinitas possibilidades que sempre estão disponíveis, quando nos apegamos a antigos padrões que tanto nos limitam e, especialmente, à forma pela qual esses padrões são criados.

Passamos a vida nos defendendo de coisas supostamente ruins e buscando coisas supostamente boas... e nem nos damos conta de como essas regras, que usamos para selecionar uma coisa e outra, são furadas, antigas e já não significam nada para quem somos hoje. Somos levados a defender tantas coisas, que acabamos nos limitando a espaços internos e externos cada vez menores e mais apertados...

Criamos nossa sombra com as partes que não aceitamos em nós mesmos...

Mas já pensaram como esse não aceitar coisas tem a ver com os muitos papeis que assumimos durante a nossa vida... os muitos "times" nos quais jogamos?

Sempre são criadas regras e padrões de comportamento para tudo... e quase nunca podemos ser simplesmente o que somos.

Seria como se, por ser mulher, já defendêssemos um time, ao escolhermos uma profissão, já defendêssemos outro, ao sermos mães já participássemos de outro time, ao pertencermos à determinada crença religiosa, mais um time, e esse, diga-se de passagem, costuma vir com um peso enorme de regras, e de condições extremamente limitantes e inexplicáveis para o propósito a que se destinam...

No entanto, ao assumir que pertencemos a tantos times, vamos, sem sequer perceber, pouco a pouco... adequando-nos a regras e a comportamentos tão absurdamente distantes de nossa verdadeira natureza, que são muitas vezes conflitantes entre si... e acabamos virando uma mistura sem graça de muitas coisas que não nos representam com integridade.

Ao tentar fazer parte de qualquer coisa que inclui e defende algumas regras de comportamento e exclui todo o resto... estamos nos afastando de ser a totalidade de nós mesmos. Nós somos parte do todo e cada parte contém o todo... quando negamos uma parte de quem somos, não permanecemos inteiros...

Infelizmente, quase todas as instituições querem nos prender e limitar a uma parte infinitamente menor do que o todo que realmente somos.

Estarmos abertos para tudo... e a partir daí escolhermos conscientemente, é uma liberdade muito maior do que limitarmos nossas escolhas às coisas que são classificadas como "boas" pelos muitos times nos quais jogamos...

É muito mais cômodo ser guiado por outros, que consideramos autoridades, do que assumir a responsabilidade de seguir o nosso coração estando abertos a todas as possibilidades. A partir do momento em que nos colocamos como seguidores de algo ou de alguém, e fazemos isso sem questionar, cada escolha deixa de ser nossa e passa a ser do outro.

Por que não nos arriscarmos pelos caminhos muito mais amplos e inexplorados que acessamos ao nos libertar das muitas coisas que seguimos, para abraçar somente a nossa intuição? Por que não fazer diferente, se do jeito que está não está dando certo?



Rubia A. Dantés 

 

28 de fevereiro de 2012

Fases do amor




Assim como a lua, o amor também tem suas fases. E é bom que todo o casal conheça bem cada uma delas. Desde um início onde você sente aquele friozinho na barriga ao encontrar a pessoa amada até aquele momento em que as diferenças começam a falar mais alto. À medida que o tempo passa e o relacionamento evolui, outras situações começam a se apresentar ao casal e é preciso muita força de vontade para segurar as pontas. Conheça as cinco fases de um relacionamento e descubra que há, sim, uma luz no fim do túnel quando tudo parece perdido. 

Primeiro, vem a paixão. A troca de olhares, as juras de amor eterno, o sexo ardente. De acordo com a psicóloga especialista em Relacionamentos Humanos Regina Vaz, "é isso que nos dá o combustível para continuar vivendo, essa sensação maravilhosa. A pessoa apaixonada flutua, perde a noção do tempo, não consegue se concentrar direito. Não podemos viver apaixonados para sempre, enlouqueceríamos. Por isso, essa fase precisa passar eventualmente". 

E é justamente quando essa fase começa a dar lugar às próximas que tudo pode começar a desandar. "Não tem essa de não sofrer por amor. Quando a pessoa já é madura, então, acha que é mais malandro. Ele acha que conhece melhor a estrada e acelera, até que surge um buraco novo, não vê e fura o pneu. Sofre-se igual em todas as idades. Especialmente quando um é mais apaixonado que o outro. Esse sofre mais, invariavelmente. Mas a verdade é que alguns casais brigam por qualquer coisa, enquanto outros fazem qualquer coisa para não brigar. Aí vai mesmo de cada um", diz Regina. 

As fases existem, mas nem todos os casais conseguem passar por todas elas. As pedras que surgem no meio do caminho fazem com que muitos tropecem e deem meia-volta. Depende de cada um a força de vontade para superar os obstáculos e continuar junto. Veja abaixo quais são as cinco fases do amor e o que a psicóloga Regina Vaz diz sobre cada uma delas. 

1. Paixão 

É a fase do frio na barriga e do amor dos filmes. É a fase do encantamento. Procuramos semelhanças e idealizamos o outro. Isso é mundial. Agora, por que essa fase não dura? Porque a espécie humana não sobreviveria. Você dorme e acorda pensando no ser amado, algumas pessoas até param de comer. Além disso, quando estamos apaixonados, queremos sexo. Sexo, sexo e sexo. O corpo não aguentaria. Aí, essa fase entra no ápice e cai numa linha reta. É aí que entra a chega a próxima etapa do relacionamento 

2. Conscientização 

É quando começamos a ver os defeitos do parceiro e o casal começa a lidar com as diferenças. Detalhes começam a virar grandes coisas, o príncipe vira sapo. Conflitos e brigas começam a ocorrer. Você começa a perceber os outros lados da pessoa. Nessa fase, você vê os defeitos, mas também se olha no espelho. "Eu o aceito porque ele me aceita" deve ser o chavão da relação que está passando por essa fase 

3. Reavaliação 

O casal começa a avaliar se quer realmente permanecer na relação. Ocorre o distanciamento dos parceiros. A intimidade sexual pode se tornar esporádica ou inexistente. É mais provável que uma traição ocorra nessa fase. É a base do gráfico em "U" da satisfação com o casamento, e onde a maioria dos casais acaba se divorciando. É preciso muito jogo de cintura para permanecer na relação. Mas, a partir daí, a tendência é melhorar. 

4. Reconexão 

Se a relação sobreviveu até esse ponto, há interesse na reconexão. Cada um começa a perceber suas projeções e distorções da outra pessoa, mas começa a querer equilibrar as vontades. Há vontade e disposição de aprender como resolver problemas e conflitos, embora eles ainda existam. As diferenças ainda não foram ajustadas e há saudade do sexo. Existe também a aceitação das diferenças 

5. Reconciliação 

Poucos casais conseguem chegar até essa fase. Cada pessoa é capaz de cuidar das próprias necessidades e ainda apoiar o parceiro. A primeira fase volta, só que mais serena, mais amadurecida. Há equilíbrio e união entre as partes. Geralmente, essa fase está associada ao "amor verdadeiro". E neste ponto que todo o casal gostaria de chegar.



Redação Mais50




26 de fevereiro de 2012

Você é quem deseja ser?




Redes sociais em altíssima potência. Gente apressada caminhando pelas ruas. Bares lotados, baladas espumando gente. Estações de trabalho sem divisórias, a palavra privacidade perdendo referência. 

Vida pessoal e pública em convergência. O Eu na sintonia/frequência do outro e esse outro é o público, a moda, tendências em geral, grupos afins.Baixo questionamento sobre si mesmo versus angústias inomináveis são marcas visíveis da era do vazio. 

Escolhas de vida massificadas, sem espaço para celebração do Eu autêntico, sem condições para elaboração consciente e pessoal.Tendências de se permanecer cego sem se saber. Fronteiras do Eu dispersas, longe do que realmente faz sentido, do que realiza. 

Preferências sexuais, escolhas afetivas, desavenças, desafetos, sempre envolvem aspectos simbólicos relacionados ao inconsciente. Lidamos com o outro externo, mas, na verdade, o que entendemos sobre este outro quase sempre faz parte de alguma associação inconsciente, com algo já vivenciado. Raras vezes, vemos a pessoa externa como realmente é, sendo o caminho oposto exatamente o mesmo, ou seja, o outro nos vê como projeção de seu mundo interno, através de simbolismos resultantes de vivências anteriores. 

Toda essa dinâmica do psiquismo costuma ocorrer quando, ainda pequenos, buscamos solucionar determinadas tensões emocionais. O funcionamento escolhido, na maioria das vezes é inconsciente e sempre será em nome de "boa" sobrevivência e adaptação ambiente somadas aos recursos que possuímos nos momentos decisivos. 

Ouse agora imaginar-se na era do vazio, lugar onde as referências são superficiais, sem aprofundamento ou questionamentos maiores. Imagine como todos nós corremos risco de sermos contaminados por determinadas ideias da mídia (nem vou citar o BBB!). Observe como estes meios exemplificados podem colapsar com desenvolvimento de possíveis simbolismos saudáveis. Pense nas crianças e nos jovens que agora estão em formação buscando dinamizar construção e visão de realidade. Estes, provavelmente, poderiam seguir rumos alicerçados por recursos mais estruturados e profundos, caso não tivessem sido assolados por este tipo de influência tóxica. Na certa, seriam mais autênticos. 

Por vezes, essas tensões surgem de modo bastante perturbador e, quando ainda muito pequenos, não há chance de escolher, desenvolver ou fazer uso de recursos eficientes para solucionar situações em que absolutamente ainda nada está claro, embora necessitando de caminho a seguir para construção e definição de identidade. Nessas ocasiões, o cérebro faz uso do que está na frente, como o exemplo citado. 

Seguindo essa linha de raciocínio, podemos ousar pensar que absolutamente tudo o que constantemente nos perturba na atualidade, ou seja, "sintomas" indesejáveis advêm de resoluções disfuncionais que tivemos em momentos anteriores de crises e que estas resoluções permanecem congeladas num tempo cerebral influenciando sobremaneira o eu presente. 

Teoricamente, todos nós saímos da idade em que o conflito se instalou. Caminhamos adiante e através de aprendizado e percepções capacitamo-nos a desenvolver novos recursos continuando, porém, a receber influencia dos momentos onde as soluções se congelaram mediante "auxilio informativo" do que estava à volta. Tudo com a finalidade de que um entendimento sobre a realidade fosse constituído, definido. 

No decorrer do tempo, os aspectos congelados acabam por funcionar como um outro Eu, agora irracional e que toma posse do Eu atual confundindo-o, dominando seus atos, atitudes, pensamentos e emoções. Isso ocorre praticamente para tudo que vivenciamos e que nosso Eu presente consciente não dá conta. 

Exemplos disso é que não faltam... Como a pessoa que roe unha, como aquele que em determinadas situações fica explosivo, muito tímido e por aí vai...Chamamos isso de estados de ego.Você pode pensar sobre si mesmo, sobre como tem funcionado e tirar suas conclusões... 

A ideia é viver o agora, acelerando a evolução pessoal, habilitando-se a fazer escolhas deliberadas definitivamente no comando de si mesmo. Determinando tudo aquilo que se deseja com a máxima clareza.


Silvia Malamud


23 de fevereiro de 2012

Uma alma que chora



Quando um relacionamento termina os questionamentos são muitos. Nossa cabeça quer respostas e buscamos encontrar um culpado, alguém que se responsabilize por toda dor que sentimos. Nos perguntamos se erramos, onde erramos, onde nos perdemos. Olhamos para os lados e só encontramos um vazio, olhamos para dentro de nós mesmos e só encontramos dor.

Como conseguimos nos machucar tanto? Nos machucamos ao permitir que colocassem uma faca onde já existia uma ferida e, assim, não a deixamos cicatrizar, pois cada vez que pára de sangrar, recomeçamos a mexer na ferida, muitas vezes sem percebermos, e quando nos damos conta, já está sangrando novamente. E como dói! Por que insistimos tanto naquilo que nos faz mal, nos faz sofrer?

Será que nosso sofrimento não se torna tão intenso por negarmos a realidade dos fatos? No que realmente acreditamos, enquanto o relacionamento durou? Na pessoa como ela é ou naquilo que gostaríamos que ela fosse? Por que insistimos em mudar o que, ou quem, não quer ser mudado? Talvez a resposta seja que devemos enfrentar e aceitar a realidade dos fatos e não a realidade que gostaríamos que existisse. Sofremos não pela realidade em si, mas pela busca de nossa verdade. Ficamos esperando que o outro mude e quanto mais esperamos, menos reagimos e mais sofremos; adiando cada vez mais nossa capacidade em nos reconstruir; esperando que quem foi embora, volte para nos salvar.

Os motivos que nos fazem entrar em relacionamentos que acabam deixando muita dor podem ser muitos, e depois que estamos envolvidos emocionalmente, mais difícil ainda se torna sair dele ou aceitar seu fim. Enquanto se está junto de alguém é muito comum cedermos em valores que são importantes para nós e aos poucos, eles vão se somando, até que não conseguimos mais suportar conviver com quem se tornou um total desconhecido: nós mesmos! Pois chegamos em um ponto, que nem sabemos mais quem somos. Nos perdemos aos poucos e perdemos também quem amamos.

Somos abandonados porque muito antes disso, nos abandonamos na mesma proporção. Quando esquecemos de nós mesmos, nos desvalorizamos, deixamos de nos cuidar, entre muitos motivos, por estarmos muito ocupados em fazer o outro feliz. É quando a outra pessoa faz exatamente o mesmo com nós, cuida de si mesma como se não existíssemos. Aos poucos e com o tempo, vamos perdendo a beleza, o brilho, a luz, a energia, a vontade, a conexão com nossos sentimentos e, principalmente, com nossa voz interior. Quantos sinais recebemos que não daria certo, e sequer ouvimos? Nosso verdadeiro eu começa a ficar tão distante, que não conseguimos mais distinguir o certo do errado, o caminho a ser seguido e acreditamos estar sofrendo porque o outro nos deixou. Será que ficamos sem chão, sem ar, com o coração sangrando, a alma dilacerada, por que o outro foi embora ou por que perdemos a conexão com nós mesmos, quando aos poucos, fomos nos abandonando? Será que nosso sofrimento é mesmo por que o outro foi embora ou é nossa alma que chora há tempos pela nossa própria ausência?

Não podemos negar que uma separação dói e muito, mas a intensidade e a duração do nosso sofrimento, se é que podemos medir sofrimento, perdura de acordo com o tempo que levamos para nos aproximarmos de quem somos. Muitas pessoas entram em depressão. A tristeza é tanta, que se torna crônica. Ficam deprimidas exatamente pela negação da realidade e sua dificuldade em enfrentarem sua própria verdade. A depressão nada mais é do que um convite para a reflexão, uma oportunidade de mergulharmos em nosso interior, já dizia Jung. Sofremos, mais do que o necessário, porque nos abandonamos, nos negligenciamos, nos perdemos de nós mesmos. E choramos pelo outro quando, na verdade, devíamos estar chorando por nós mesmos, e principalmente, pelo que permitimos que fizessem com aquilo que damos o nome de amor!

Demos tudo! Carinho, colo, ombro, respeito, verdade, amizade, cumplicidade, sinceridade, fidelidade, e tudo mais que um ser humano quando ama é capaz de doar. E o que recebemos? Desprezo, mentira, abandono, traição e tudo aquilo que dói em nosso coração. Amar é isso? Não, amar não é sofrer, se sofremos pode ser aquilo que insistimos em chamar de amor, ou o que pensamos que era amor, mas com certeza não é amor.

Mas o que é então? É nossa necessidade em sermos amados, aceitos, aprovados, reconhecidos. É uma enorme necessidade que o nosso vazio seja preenchido com aquilo que não nos sentimos capazes de nos dar. É uma carência da ausência, antes de tudo, de nós mesmos. Quando sentimos dor é porque de alguma forma resistimos às mudanças, preferimos amar o outro, mesmo que tenha nos deixado, a ter que amar a nós mesmos e assim, sofremos. Se não podemos modificar alguém, nem torná-lo naquilo que gostaríamos, por que não começamos as mudanças dentro de nós? Por que continuar querendo se aproximar de quem se foi e se manter tão distante de si mesmo? Por que ficar esperando pelo amor do outro, quando há tanto amor dentro de si? Será que esse não é o momento de descobrir suas próprias verdades, satisfazer suas próprias necessidades, ouvir seu próprio coração e deixar que ele fale o que significa realmente amar?




Rosemeire Zago




21 de fevereiro de 2012

A gente vai levando....



Vim ao mundo para questionar. Para me entender. Para ser feliz. Por isso, escrevo. Palavras são minha terapia. Meu remédio. Meu ponto de fuga e encontro. Na arte, eu me busco. É lá que eu sempre estou. Procurando o verbo, indagando a letra, consolando a frase que chegou ao fim. Quer me conhecer? Me encontre naquele romance antigo, segundo parágrafo, mostrando que a solidão não deve se atravessar a sós. Talvez eu possa – e isso é quase certo – me mudar pros tons daquela bela música e por lá ficar: “feita de luz, mas que de vento”... Ah, me desculpem os Jungs, Freuds e Lacans. Mas Chico Buarque me entenderia! Alguns artistas – e nisso incluo poetas, músicos e demais sonhadores - parecem conhecer a fundo a alma humana. Quando falam de si, mostram um pouco também de nós. Quem nunca pensou, ao menos por um segundo: essa canção foi feita pra mim? Eu já me apropriei de centenas de músicas (com o devido crédito ao autor, é claro), que dizia serem "minhas". Naquele momento, elas - e só elas - pareciam entender o que eu sentia. Letra por letra. Rima por rima. Em cada nota, um espanto. E uma sensação de pura comunhão com o mundo: é, eu não estou sozinha. A arte também foi feita pra unir. Pra protestar. Para seduzir. Por isso, passo a vida escrevendo. Lendo. Garimpando frases. Buscando o verso certo. A estrofe perfeita. Ou um conhecimento maior sobre mim mesma. Se estou conseguindo? Não sei. A arte nem sempre é bondosa. Um dia nos pega no colo e, no outro, nos faz enxergar o que ainda é difícil de ver. Mas tudo bem. Enquanto houver um poema pra nos consolar e uma boa canção pra nos comover, "a gente vai levando"."


Fernanda Mello