31 de agosto de 2011

Como não ir além do seu limite?





O mundo está uma loucura mas todos só acertam na vida. Não é esquisito isso? Será que só eu e você temos inquietações e erramos?

Será que só eu e você temos a sensação de correr o dia inteiro e ainda estar em falta com alguma coisa no fim do dia? Todo mundo tem dúvidas, mas faz pose de gênio! Os super-heróis atacam por todos os lados. E os seres humanos deixam de viver as ordens do coração para viver num mundo de aparência.

Fico impressionado com o número de pessoas que se enche de dívidas só para desfilar o carro novo para o vizinho, ou para fazer inveja à amiga com a bolsa de marca famosa, ou para deslumbrar a mulher desejada com um jantar além da sua condição financeira. Pessoas que se cercam de bens materiais e conceitos supérfluos para serem admiradas. Pessoas que não sabem como é bom amar alguém. Não conhecem a essência de um relacionamento. Querem apenas impressionar. Aparentar aquilo que não são.

E os pais super-herois? Esses querem que os filhos também sejam super-heróis. Lotam a agenda das crianças com aulas e mais aulas. Elas não têm tempo livre sequer para brincar. A ideia dos superpais é preparar os filhos para o futuro. Mas assim as crianças acabam perdendo a infância. Ou seja, não fazem a única coisa realmente importante para se tornar um adulto pleno.

Gostaria de convidar você a refletir um pouco sobre seus herois. Pense por alguns segundos nas pessoas que você admira. Quando proponho essa reflexão em meus seminários, em geral ouço descrições que lembram os super-herois das histórias em quadrinhos ou do cinema. Herois com superpoderes que nada têm a ver com o mundo real.

Apesar de ter plena consciência de que essa imagem não passa de pura fantasia, a maioria das pessoas embarca nela de cabeça. E se ilude querendo mostrar que são superexecutivos, superempresários, supermães, superprofessores, superamantes.

Não estou dizendo que a pessoa que procura dar sempre o melhor de si em cada ação está errada. Ao contrário. É altamente positivo buscar a excelência em cada coisa que fazemos. Isso não quer dizer, no entanto, que sempre sairemos vitoriosos de nossas batalhas. Ninguém consegue ganhar todas as disputas da vida.

Quem exige de si vencer o tempo todo está se candidatando a viver crises de depressão ou, pior ainda, agir sem ética para vencer a qualquer preço. Quem precisa se sentir importante o tempo todo está criando um grande vazio em sua vida... É preciso estar muito consciente para não embarcar nesse jogo de aparências e não se deixar envolver em atividades sem sentido para sua vida.

Acredite: é possível ser feliz com o que você tem e é. Eu digo, com todo carinho do meu coração: da mesma maneira que é importante tirar das suas costas o peso de ser algo que você não é, também é importante tirar esse peso dos ombros de quem está ao seu lado. Aliás, nem precisamos ser o que não somos nem precisamos ser perfeitos no que queremos ser. Ser muito bom já é suficiente. Temos de ser bons naquilo para o qual temos talento, o que não significa nos exigir sermos maravilhosos o tempo todo.



Roberto Shinyashiki 


Bob Mc Ferrin - Don't Worry Be Happy

30 de agosto de 2011

Julgamento e preconceito



 
Todo mundo já sentiu na vida alguma forma de preconceito. E todos já julgaram alguma situação ou pessoa, baseado apenas na sua experiência de vida. Ou seja, baseada na mínima parte de algo que se torna imensamente grande na vida de quem sofre algo do gênero.

Acredito que alguém que sofreu algum preconceito relacionado à sua opção sexual, saúde ou mesmo relacionado a alguma escolha que tenha feito na vida, tenha sentido muito, o fato de as pessoas apontarem a escolha como errada ou mesmo com preconceito em relação à situação. Mesmo que as pessoas evitem que a opinião alheia interfira na sua vida, não é legal escutar milhões de coisas ruins a respeito de algo que é considerado bom ou legal, ou mesmo que não se tenha escolhido passar. Mesmo porque, as escolhas caso não sejam boas, a própria pessoa irá aprender isso vivendo e com o tempo.

Imagino que essas pessoas já sofram uma enorme pressão por terem o preconceito de algumas pessoas que fazem parte da estrutura de seus valores e de referência em sua vida. E imagino que deve ser, talvez em menor proporção, mas não menos difícil, suportar as dificuldades do dia a dia, com as pessoas com quem se convive ou ainda que somente passem pela vida mesmo que por segundos.

Sofremos preconceito o tempo todo, e também fazemos com que outros sofram com o preconceito que temos em relação a coisas que são contrárias ao que acreditamos ser verdade. O preconceito vem de diversas formas, pelo aspecto físico, ou pela forma com que nos apresentamos às pessoas ou ainda pela forma que levamos a vida ou escolhas que fizemos ou iremos fazer em nossas vidas.

O preconceito, nada mais é do que algo que acreditamos como única verdade. Mas se pensarmos que o outro tem uma verdade diferente e que também é adequada, tanto quanto ou mais que a nossa, poderemos repensar algumas formas de pensar e agir.

Com toda certeza o preconceito que sentimos não é algo que possamos alterar em nossas vidas da noite para o dia, porém é algo que pode ser repensado em todos os momentos. Quem sofre o preconceito é a parte que mais sofre, mas como o universo é perfeito, e Deus age de maneiras muito sábias, todos acabam de alguma forma sofrendo preconceito e entendendo ou pelo menos sabendo como o outro se sente em relação.

Cabe a nós então, apenas repensarmos nossas atitudes e evitarmos essa falha humana, porém muito intensa. Falha porque não temos direito de fazer as pessoas sofrerem e principalmente se tratando de uma ideia baseada apenas em nossa vivência.

Mesmo pessoas que se tornam doutores em determinado assunto estão suscetíveis ao erro e ao fracasso. Mesmo elas podem dizer que alguma coisa é algo e aquilo não se tornar ou mesmo não ser como dizem. Como nós, pessoas que estamos caminhando e aprendendo sobre todos os assuntos de forma generalizada e não aprofundada, saberemos mais sobre a vida do outro, se nem a vivemos e sentimos na própria pele?

O mundo pode ser melhor. A partir do momento em que pensarmos que a nossa liberdade termina quando o espaço do outro é invadido. Na verdade, termina um pouco antes, para evitar que os caminhos sejam atravessados.

Antes de julgar ou ter preconceito sobre o que é certo ou errado. Pense de que forma aquilo pode atingir o seu espaço, e quando perceber que é apenas um capricho de vaidade por estar certo ou ser "dono da verdade", deixe o outro viver a vida dele, da forma como escolher e achar correto. Todos têm direito de ser feliz e principalmente ser respeitado pelo que é e pelo que escolhe ser, ou pela situação que está passando no momento. E todos, precisamos vivenciar nossas escolhas, para poder afirmar se é certo, bom, errado ou ruim. Afinal de contas, isso é viver e todos querem ser feliz! Sem preconceitos ou julgamentos!



Tassiane Oliveira 

Black Magic Woman - Santana

 

29 de agosto de 2011

É um erro associar separação ao fracasso



A experiência da separação se apresenta como uma realidade humana típica. Prova incontestável deste fato, é o nosso próprio nascimento: comprovadamente há vida intra-uterina, mas nos referimos ao nascimento somente no momento em que, de fato, a criança e mãe se separam. Ou seja, o nascimento é consagrado pela separação de duas vidas, ambas pré-existentes, que se reencontram em um outro nível de realidade.

Até então, o feto, apesar de pulsar e reclamar junto à mãe é encarado como "alguém que está por vir". De modo que o nascimento é, a um só tempo, uma separação e um sinalizador de um novo momento de se relacionar com a realidade concreta.

No decorrer de nosso desenvolvimento psíquico inúmeras são as ocasiões onde o mote da separação se apresenta, especialmente na relação pais-filhos: o primeiro passeio do casal após o nascimento do filho; o primeiro dia de aula; a primeira noite dormida na casa dos amiguinhos; a primeira balada; o primeiro namoro. A lista é interminável, fato que nos aponta à percepção de que a separação é uma realidade humana. Mas o que podemos perceber entre separação e relacionamento amoroso?

Vivemos a realidade da globalização: a um clique de mouse ou um toque de celular atravessamos o mundo; um minuto diante da televisão e nos damos conta daquilo que acontece nos locais mais distantes do planeta. Outra faceta deste fenômeno mundial refere-se à esfera econômica: vivemos a globalização do capitalismo, onde seus valores matemático-financeiros se impõe, não só no âmbito comercial, mas também como parâmetros que regulam nossas relações interpessoais.

Uma decorrência diretamente perceptível deste fato, é a maneira bancária de nos mantermos em relação. Explico. Passamos a viver e medir nossas experiências exclusivamente pelo viés econômico, ou seja, o sucesso de um relacionamento é medido pelo tempo de duração; o sucesso de um indivíduo é medido, por sua vez, pela quantidade de relações em que se envolve. A própria noção de mensurar um relacionamento nos mostra quão arraigada esta percepção financeira está em nossas existências. O que importa, então, dentro deste viés, é "quanto" e não "como".

O que podemos perceber deste modo, é que a separação ora entendida como um aspecto legítimo - dentre tantos outros - da natureza humana, passa ao status de erro, falta, falha. Tratamos algo próprio da experiência humana e, portanto, necessário, como um deslize a ser evitado. E a culpabilização decorrente deste processo nos afasta de um aspecto primordial da separação: a possibilidade de emersão de nossa individualidade.

A separação é necessária à vida. Se, por um lado, apresenta um aspecto de dor e solidão, por outro pode se apresentar como edificante. Pois é a partir da experiência de separação que a possibilidade de individualidade apresenta-se como possível. É a partir da dor da separação que surge a alegria da existência individual. E esta tomada de consciência de nossa individualidade se dá, justamente, quando podemos nos perceber "separados" do outro, como uma existência autônoma, onde também passamos a perceber o outro como uma entidade única, desejante, que também deve ser levada em conta como tal.

Podemos perceber aos poucos se delineando uma ideia de escolha. De um lado, o chamado a uma percepção "econômica" da separação, vinculada intimamente a ideia de quantidade (mais é melhor); por outro, o chamado a um entendimento mais integrado da ideia de separação, como um dos aspectos da existência humana, percebido agora não mais como falha, mas como necessário ao processo de crescimento individual.

O que podemos perceber, então, é que dentro de uma perspectiva materialista, onde se prioriza a quantidade, a separação é vista e sentida como perda. Mas, diante de uma percepção integral, onde procuramos entender cada passo por nos dado, como partes de um quebra-cabeças - nossa vida - a separação pode se apresentar não só como uma etapa, mas uma etapa edificante, onde são colocados à prova nossos critérios éticos de escolha. E a questão principal da separação diz respeito justamente ao posicionamento ético que nos propomos e propomos ao mundo.

Então, as escolhas que norteiam um relacionamento devem estar presentes, também, no processo de separação. Este processo deve ser ético e procurar criar uma nova síntese, ou seja, não encará-la como perda, mas sim como um novo momento, onde se apresenta um novo estágio de consciência, trazendo à tona possibilidades de crescimento pessoal e novas opções de vida.



Luiz André Martins 

Reedição do post do dia 9/8/2011.


Beatles - Hello Goodbye
 

28 de agosto de 2011

Você é uma pessoa coerente?




Quando chega o final do ano, mesmo sabendo que os finais e começos são ilusórios, sempre dá aquela sensação boa de renovação. É quando todo mundo ousa sonhar um pouco e brincar de desejar uma vida mais feliz.

Se sonhar é maravilhoso, ver um sonho ganhar raízes e se ancorar na vida real é o mais puro néctar, cada sonho um pedacinho de felicidade criado por nós - não essa felicidade idealizada que os imaturos ainda buscam, mas a felicidade possível, muitas vezes feita de coisas pequenas e simples.

Mas para que tenhamos a chance de aproximar os sonhos de nossa vida real, é preciso que sejamos capazes de manifestar o que chamarei de coerência. A coerência acontece quando alinhamos nossos pensamentos, sentimentos e ações com os nossos sonhos. Por exemplo, de nada adianta sonhar com uma vida mais simples, se continuamos nos sentindo compelidos a comprar cada vez mais coisas, nos endividando a ponto de nos tornarmos escravos de trabalhos e rotinas de vida tão complicadas.

Assim, procure trazer para a sua consciência o que de fato importa para você, e procure avaliar o custo envolvido na realização de seus desejos. Não siga pela vida agindo como uma criança que acredita poder ter tudo sem dar nada em troca, negando a realidade. Mesmo sendo um pouco desconfortável, quando ficamos em contato com a realidade nos tornamos mais poderosos e capazes de manifestar na vida concreta aquilo que almejamos internamente.

Todos nós possuímos um imenso potencial criativo e somos capazes de transformar muito mais coisas do que imaginamos. Podemos criar mais saúde, mais harmonia, mais paz, mais alegria. Podemos mudar de rumo na vida, deixar para trás o que já não faz sentido, abrir caminho para que o novo chegue. Podemos nos tornar mais conscientes, mais amorosos, mais realizados, mais poderosos. Mas para isso precisamos acreditar em nós mesmos e nos dar uma chance. Se nos definirmos com base em nosso passado, nos aprisionamos em um círculo vicioso de infinitas e tediosas repetições. Não faça isso com você. Você pode ter caído dez vezes em um buraco, isso não significa que acontecerá de novo!

Abra-se para que o seu melhor venha à tona. Queira, lá no fundo do seu ser, que isso aconteça. Mesmo que um longo caminho ainda o separe do que você deseja conquistar, ao menos dê os primeiros passos na estrada que o conduz naquela direção. Siga sempre em frente, na velocidade que for possível para você. Não perca a coerência, não traia a si mesmo no meio do caminho, apenas siga, sem se preocupar com quando finalmente chegará. Aprecie essa viagem chamada vida! Quando sentimos que já estamos a caminho, algo em nosso íntimo se acalma, e dessa calma flui uma confiança amorosa de que, se persistirmos, sem desistir, um dia chegaremos lá.



Patricia Gebrim


Jevetta Steele - I`m Calling You


27 de agosto de 2011

No exercício do amor, você pratica alegria ou tirania?





Estranho paradoxo o que a maioria dos casais experimenta: ao mesmo tempo em que desejam sinceramente serem felizes e fazer com que o relacionamento dê certo, sem se darem conta vão agindo no sentido de armar uma verdadeira guerra um contra o outro. Ou seja, buscam a alegria, mas pelo caminho da tirania. Resultado? Não dá certo!

Alegria é resultado de atitudes leves, que incluem compreensão, ponderação, reflexão, paciência, capacidade de colocar-se no lugar do outro, aprender a relevar, desculpar, não endurecer tanto, não acusar tanto, olhar para si mesmo e buscar um comportamento mais equilibrado... Ao passo que a tirania é a conduta arrogante e prepotente de quem sempre tem razão e é incapaz de aceitar as diferenças, de concordar que o outro pode pensar e sentir de modo adverso e, ainda assim, ambos terem razão. As suas razões.

Claro que muitas pessoas imediatamente reagem a esse tipo de acusação dizendo que não são assim, que não se consideram sempre certos. Porém, pergunto: se você está brigando e discutindo com alguém, o que mais está fazendo senão tentando provar que ele está equivocado e que você está certo? Afinal, esta é a base de qualquer crise - um discordar do outro!

Não estou querendo insinuar que num relacionamento nunca haverá discordâncias. Isto é impossível. O que proponho é uma reflexão sobre o quanto elas são recorrentes e o quanto têm se tornado um jeito de exercitar o amor. Sim, porque muitas pessoas terminam considerando as constantes brigas e discussões como "normais". E embora sintam o peso deste clima, a tensão e a falta de alegria continuam presas nesta dinâmica doentia e destrutiva.

Como mudar? Como sair deste círculo vicioso? Como para a maior parte das perguntas sobre relacionamentos, começaria dizendo que a solução é simples, mas nem por isso fácil! Aliás, por ser tão simples, mas tão profunda e exigir tanta autenticidade, não é mesmo nada fácil. Mas é possível e, sobretudo, vale muito à pena!

Comece considerando a única verdade sobre relacionar-se: é preciso que você faça a sua parte e se responsabilize por ser o melhor que pode, a cada dia. Isso quer dizer que enquanto você continuar discutindo, gritando e tentando convencer o outro de que está com a razão, bem pouco vai adiantar e dificilmente vão se entender!

Pare e ouça. Sim, ouça o que o outro está dizendo. Se não entender, pergunte! Interesse-se por descobrir o que ele está sentindo, o que está pedindo, do que sente falta, o que quer, como quer, quanto quer! Nenhuma solução pode ser encontrada se você não souber e compreender exatamente o que está acontecendo no seu relacionamento.

E acredite: não se trata de submissão ou de fazer o que você não quer. Não se trata de se desrespeitar ou ignorar seus limites. Não! Trata-se de flexibilizar, crescer, rever conceitos e crenças. Trata-se de aprender e evoluir! Isto é relacionar-se de verdade.

Cada vez que você se disponibiliza a pelo menos tentar (mas tentar de verdade, com todo seu coração) a conciliação, em vez de se desgastar apontando os erros e as limitações do outro, você está, de fato, praticando o exercício de amar!




Rosana Braga 



Michael Jackson - Smile