Prestei atenção nas imagens das camareiras de Nova York, que vaiam e xingam Dominique Strauss-Khan quando ele desce de uma limousine para comparecer ao tribunal onde responde a uma acusação de estupro. O retrato marca uma virada na história.
Fiquei emocionado só de olhar para aqueles rostos duros, com raiva. Prestei atenção nos músculos, nos dentes, nos olhos, nas mãos.
Nós sabemos que pode-se medir o grau de civilização de toda sociedade pelo tratamento que reserva às mulheres.
As camareiras de Nova York mostram que o mundo mudou. Lembram que mesmo nos escalões menos protegidos da sociedade não é mais possível atacar nem humilhar mulheres com certeza da impunidade. Sua dor e sua raiva espalha-se pelo mundo, chega a nossas casas, inspira conversas e reações de repúdio. Olhando para aqueles rostos, imaginei: quantas entre elas passaram pelo mesmo sofrimento? Quantas sofreram apenas de pensar no risco?
Mesmo pobres, em busca de muitos direitos, a palavra dessas mulheres já não pode ser ignorada nem distorcida para atender as conveniencias de quem reside na outra calçada dos generos humanos e em outro patamar da pirâmide social.
Há pouco tempo era possível encontrar pessoas capazes de sustentar a tese criminosa de que não existe estupros — apenas mulheres que não souberam ou nem quiseram resistir como era preciso. É inacreditável mas é verdade.
O processo de Strauss Khan pode se tornar exemplar em função deste aspecto. Os estupros sempre foram praticados e perdoados, no mundo inteiro, graças a um cotidiano de massacre moral das mulheres, pelo esforço permanente para diminuir sua credibilidade, negar o direito de decidir sobre seu corpo e até fazê-las sentir vergonha por seu sofrimento.
Nós sabemos que, em qualquer área da existência humana, o melhor remédio para se enfrentar um crime não são cursos educativos, nem discussão sobre valores morais — mas a certeza da punição.
É certo que toda pessoa tem direito a ser considerada inocente até prova em contrário. O caso também possui aspectos políticos que não podem ser ingorados.
A denuncia contra Strauss Khan, porém, é fortíssima e detalhada. Momentos depois do ataque, quatro funcionários que exercem funções diferentes no hotel de luxo em que ele se hospedara conversaram com a camareira fez a acusação de estupro. Ela estava descontrolava, chorava sem parar, vomitava, e ainda assim fez um relato detalhados e coerente do que ocorreu.
Fiquei emocionado só de olhar para aqueles rostos duros, com raiva. Prestei atenção nos músculos, nos dentes, nos olhos, nas mãos.
Nós sabemos que pode-se medir o grau de civilização de toda sociedade pelo tratamento que reserva às mulheres.
As camareiras de Nova York mostram que o mundo mudou. Lembram que mesmo nos escalões menos protegidos da sociedade não é mais possível atacar nem humilhar mulheres com certeza da impunidade. Sua dor e sua raiva espalha-se pelo mundo, chega a nossas casas, inspira conversas e reações de repúdio. Olhando para aqueles rostos, imaginei: quantas entre elas passaram pelo mesmo sofrimento? Quantas sofreram apenas de pensar no risco?
Mesmo pobres, em busca de muitos direitos, a palavra dessas mulheres já não pode ser ignorada nem distorcida para atender as conveniencias de quem reside na outra calçada dos generos humanos e em outro patamar da pirâmide social.
Há pouco tempo era possível encontrar pessoas capazes de sustentar a tese criminosa de que não existe estupros — apenas mulheres que não souberam ou nem quiseram resistir como era preciso. É inacreditável mas é verdade.
O processo de Strauss Khan pode se tornar exemplar em função deste aspecto. Os estupros sempre foram praticados e perdoados, no mundo inteiro, graças a um cotidiano de massacre moral das mulheres, pelo esforço permanente para diminuir sua credibilidade, negar o direito de decidir sobre seu corpo e até fazê-las sentir vergonha por seu sofrimento.
Nós sabemos que, em qualquer área da existência humana, o melhor remédio para se enfrentar um crime não são cursos educativos, nem discussão sobre valores morais — mas a certeza da punição.
É certo que toda pessoa tem direito a ser considerada inocente até prova em contrário. O caso também possui aspectos políticos que não podem ser ingorados.
A denuncia contra Strauss Khan, porém, é fortíssima e detalhada. Momentos depois do ataque, quatro funcionários que exercem funções diferentes no hotel de luxo em que ele se hospedara conversaram com a camareira fez a acusação de estupro. Ela estava descontrolava, chorava sem parar, vomitava, e ainda assim fez um relato detalhados e coerente do que ocorreu.
Paulo Moreira Leite

