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13 de março de 2011

Qualidade de vida: você tem?






Seria maravilhoso desligar-se do passado e não ansiar pelo futuro, focando somente o presente. Na prática não é tão simples assim. À medida que o estresse aumenta, a qualidade de vida fica cada vez fora de controle. O estresse é um dos grandes vilões de uma vida saudável e afeta diretamente nossa qualidade de vida. Na correria do dia-a-dia, falta tempo e sobram preocupações e cobranças.

A maioria das pessoas deixa de viver com qualidade, pois estão sempre alegando a falta de tempo. Atualmente, temos vivenciado com mais intensidade os efeitos negativos do estresse. Por isso, quem tem o tempo livre deve cultivar a própria qualidade de vida. Pode ser participar de algum trabalho voluntário ou ainda dedicar-se a atividades que proporcionam prazer, como viagens e cursos.

Ter qualidade de vida só depende de nós mesmos. São as nossas atitudes que vão determinar o quão produtivo e saudável será nosso cotidiano. Cada vez mais as pessoas estão descobrindo que ter uma boa saúde e viver plenamente com qualidade de vida deixou de ser uma questão de chance para se tornar uma questão de escolha. Com as experiências vividas, acertos e erros, momentos bons e ruins, vamos aprendendo e montando nossa própria “receita”. Veja dez dicas para não perder o foco na qualidade de vida.

O quê é qualidade de vida: o conceito é amplo e também subjetivo. Qualidade de vida é algo que vai além do equilíbrio entre vida pessoal e o trabalho. Trata-se de uma jornada pautada na consciência de se ter e fazer um constante esforço para manter-se saudável e atingir o mais alto potencial de bem-estar.

Você é o principal responsável: ter qualidade de vida deve ser algo em que cada um é o principal responsável por ela. Não podemos e não devemos delegá-la aos outros, pois ela é pautada em nossas ações e atitudes.

Equilibre o seu estilo de vida: você precisa de tempo para manter seus relacionamentos, ter um sono repousante, praticar exercícios físicos, ter uma alimentação saudável e praticar alguma atividade de lazer.

Concentre-se: nada de fazer suas atividades diárias de maneira automática, pensando em mil coisas simultaneamente e sempre tentando antecipar o que ocorrerá daqui a algum tempo. Atitudes como essas geram cansaço e estresse.

Aproveite bem o tempo: o tempo é um bem precioso. Evite desperdiçá-lo com atividades inúteis e improdutivas.

Tenha uma alimentação saudável: se alimente adequadamente, de forma equilibrada. Tente manter o seu peso em níveis ideais.

Movimente-se: faça atividade física. Para quem não tem muito tempo, caminhar um pouco ajuda a ativar a circulação sanguínea, movimentar os músculos, articulações e a arejar a mente. Para quem puder ir um pouco mais longe, realizar atividades aeróbicas (andar de bicicleta, caminhar ou correr) associadas a exercícios musculares e alongamento são boas receitas para uma vida saudável.

Conviva: reserve espaço para a convivência com a família e amigos. E lembre-se que o mais importante não é quantidade, mas a qualidade com a qual vivemos esses momentos.

Seja gentil: pratique pelo menos um gesto de gentileza durante o dia. Com certeza você se sentirá muito bem!

Mantenha o otimismo: avalie seu estado de espírito e procure ver as coisas sob uma perspectiva positiva.

Da redação do mais50 

8 de fevereiro de 2011

Pratique Yoga



Do Yoga, uma parte bastante conhecida aqui no Ocidente são os ásanas, os exercícios físicos. Praticar Yoga virou sinônimo de adquirir um excelente preparo físico. E, de fato, a prática regular de ásanas propicia bom tônus muscular, dá força e alonga.

Em função desse excelente trabalho muscular, Yoga vem sendo indicado por médicos no tratamento e prevenção de muitas doenças, principalmente aquelas relacionadas a problemas posturais e articulares.

Yoga também é associado a relaxamento. Neste mundo tão desgastante em que vivemos, cheio de desafios a serem superados diariamente, muitos, frequentemente, têm vivenciado sintomas de estresse. Nos casos mais graves, o acompanhamento médico é essencial. E é a própria Medicina que vem atestando e recomendando Yoga para diminuir o grau de ansiedade e nervosismo. Simplesmente pelo fato de que, ao perceber a respiração, já temos uma diminuição no estresse. Através de exercícios específicos de relaxamento, Yoga tem se mostrado muito eficiente neste assunto.

Assim, temos aí dois bons motivos para as pessoas praticarem Yoga: obter saúde física e psicológica.

Existem aqueles também que buscam desenvolvimento espiritual. Yoga contém um conjunto de valores que orientam o praticante, dando-lhe segurança para agir dharmicamente no mundo.

Há também os que fazem Yoga sem motivo aparente. Perguntei uma vez a uma aluna: por que você quer fazer Yoga? Ela me respondeu com um sorriso: porque eu gosto.

Talvez essa tenha sido a resposta mais sábia que ouvi até hoje. Enfim, seja qual for o motivo, Yoga faz bem e todos devieriam praticar.


Alexandre Perlingeiro 

31 de janeiro de 2011

Vida mansa




Se este post você sentir vontade de se espreguiçar, não reprima este desejo. Atender aos sinais do corpo é um dos princípios do joyflexing, um método de exercícios apresentado no livro "Boa forma para preguiçosos", Ray Johnson. Não se trata de mais uma série de atividades que estouraram no verão. O joyflexing consiste em movimentos oriundos do inconsciente, que não requerem esforço nem lugar específico. O único lema é o prazer.

Aliás, prazer é o que costuma faltar àqueles que sempre começam algum exercício, mas não conseguem continuar por muito tempo. E aí a consciência pesa, porque o sedentarismo traz prejuízos ao corpo. O dilema, também vivido pelo autor, fez com que ele buscasse a solução para o problema. Pode parecer estranho, mas ele mal sabia que a resposta estava no gato do vizinho.

O método de Johnson é baseado na sabedoria dos felinos. Eles precisam se espreguiçar de tempos em tempos para manter em forma as funções do corpo. "Se os gatos não se alongarem várias vezes ao dia, seus músculos se atrofiam e o acúmulo de toxinas provoca doenças", relata. Da mesma forma, o desejo inconsciente de esticar os músculos traz vantagens também para o homem. Tanto que alguns yoguesse espelham nos gatos para desenvolver flexibilidade e graça.

A idéia do joyflexing tem como respaldo também os exercícios desenvolvidos há milhares de anos, na China antiga, pelos mestres do chi-Kung.São movimentos curtos de estiramento e contração muscular, parecidos com o ato de se espreguiçar, que garantiam o bom condicionamento físico. Por exemplo: deite-se de costas e estique os braços e as pernas durante alguns segundos. A fórmula mágica é apenas ouvir os sinas do e não reprimi-los. Conforme explica o autor, se sentir um formigamento, faça um pequeno alongamento.

Um exemplo: se o formigamento vier do joelho e da panturrilha, estique o joelho e tensione a barriga da perna com força por alguns segundos. Depois, torne a relaxá-los. "Você perceberá que está respirando uma ou duas vezes bem fundo, para substituir o oxigênio que acabou de queimar. Ao mesmo tempo, notará um grande alívio. Improvise alguns pequenos movimentos enquanto pressiona um grupo de músculos contra outro", destaca Johnson.

Além de movimentos do próprio corpo, o segredo do joyflexing é não obedecer regras e horários. Tanto que o autor aconselha: pare de fazer quando perceber que está fazendo os exercícios por obrigação. Após espreguiçar-se, o praticante sentirá um relaxamento e perceberá que as internas serão dissipadas e as toxinas, eliminadas. Você ficará em forma, física e mentalmente, e sua aparência ficará melhor.
 
A lista a seguir, extraída do livro "Boa forma para preguiçosos", contém exemplos que estimulam a repetição para desenvolver a sensibilidade correta. Porém, a principal recomendação do autor é que esses exercícios não sejam impostos ao corpo.

A lista a seguir, extraída do livro "Boa forma para preguiçosos", contém exemplos que estimulam a repetição para desenvolver a sensibilidade correta. Porém, a principal recomendação do autor é que esses exercícios não sejam impostos ao corpo.

• Só no seu rosto existem mais de 50 músculos, e todos eles podem se beneficiar com o joyflexing. Você pode sorrir, abrir bem os olhos e a boca, fechá-los com força, torcer a boca para a direita e para a esquerda ou tensionar os músculos do maxilar inferior.

• Incline e gire a cabeça para a frente, para trás e para os lados, alongando a musculatura do pescoço e dos ombros.

• Pressione uma mão contra a outra ou puxe uma com a outra. Feche-as ou estique os dedos.

• Alongue os músculos da barriga e das costas ou das coxas. Dobre a coluna vertebral para a frente, para trás ou para os lados.
 
 

5 de janeiro de 2011

Tudo agora é funcional



Se você nunca ouviu falar, saiba que o nome treinamento "funcional" virou moda e você vai ouvir falar cada vez mais em novidades envolvendo esse adjetivo. Ele já apareceu nas revistas como um novo jeito de malhar e começa a ganhar espaço dentro das academias.

Há muita confusão sobre os conceitos dessa "novidade" e muita marmelada sendo dita por aí por gente que ainda não entendeu direito do que se trata. Cada um que tenta definir o que é treinamento funcional inventa uma definição diferente. Nem tudo que dizem ser treinamento funcional deveria levar esse nome.

O termo "funcional" vem de "função", e no caso do treinamento físico refere-se às funções que o corpo humano é capaz de exercer. Como caminhar, correr, saltar, puxar, erguer coisas, lançar coisas e por aí vai. Para realizar essas tarefas, o corpo realiza movimentos complexos, que usam várias articulações e musculaturas ao mesmo tempo. Todo mundo conhece esses movimentos. Nós os realizamos no cotidiano, com relativa facilidade enquanto somos jovens, e com graus crescentes de dificuldade à medida que envelhecemos.

Os atletas fazem os mesmos movimentos que a maioria das pessoas é capaz de fazer, mas conseguem alcançar melhor qualidade e maior intensidade nesses movimentos. Atletas treinados em corrida conseguem correr muito rápido, ou por muito tempo. Adultos saudáveis não treinados correm mais lentamente e se cansam logo. Idosos que foram sedentários muitas vezes mal caminham.

Atletas treinados em levantamento de peso podem erguer cem quilos numa boa. Adultos saudáveis não treinados guardam uma caixa cheia de fotografias no maleiro fazendo força e transpirando um pouco. Idosos sedentários nem se atrevem a subir em uma escadinha.

O que os caras que promovem o treinamento funcional pretendem é treinar todo tipo de pessoa para realizar movimentos com uma facilidade mais parecida com a dos atletas, e menos parecida com a dos velhos. Eles querem que todo mundo esteja sempre preparado para correr, para erguer pesos sem se machucar, para jogar bola sem sofrer lesões, para brincar com as crianças e, se for preciso, para fugir do ladrão pulando o muro.

A diferença do treinamento do atleta para o de um adulto que quer ser saudável passa a ser, portanto, apenas a progressão. Segundo os conceitos do treinamento funcional, o jovem, o cinquentão, o idoso e o atleta podem e devem fazer os mesmos tipos de exercício, mas em intensidades diferentes, adequadas aos seus objetivos.

O treinamento funcional ficou muito associado ao fortalecimento do core (o centro de sustentação do corpo, na parte baixa do tronco) e ao treino do equilíbrio usando superfícies instáveis, como a bola, o bosu e o disco inflável. O que torna o treinamento mais funcional não é a bola, nem o elástico, nem as tiras suspensas, nem qualquer acessório que possa ser usado durante um exercício. As ferramentas podem ser usadas de modos inovadores e de modos muito convencionais.

No Brasil, ainda estamos em fase de aprendizado. Os trabalhos mais sérios ainda estão nas mãos dos personal trainers, que conseguem oferecer um serviço especializado, diferenciado, embora muito mais caro.

As academias ainda estão experimentando inserir espaços de treinamento funcional em sua cultura baseada em cima de máquinas. Mas treinar gente comum como atleta dá mais trabalho e requer mais cuidado do que distribuir séries na musculação. Se a maioria dos frequentadores de academias se convencer de que o treinamento é a melhor maneira de entrar em forma, é provável que as academias precisem fazer mais do que disponibilizar bolas ao lado das máquinas e propor os mesmos exercícios parados de sempre.

Francine Lima   
Texto adaptado e resumido por Lena Simões

6 de dezembro de 2010

A escravidão da forma física


A cena a seguir não faria o menor sentido no Brasil. Três amigas inglesas e eu conversávamos sobre regimes e celulites, enquanto contribuíamos para arruinar nossas silhuetas com alguns litros de cerveja (diga-se de passagem, ao contrário do que acontece no nosso país, no continente europeu este tipo de conversa é apenas esporádico, e não um assunto obsessivamente presente em rodas de amigas). Lá pelas tantas, não lembro bem por que, contei que do alto dos meus 1,76m de altura e 65 quilos, havia me submetido a uma lipoaspiração nos quadris quando tinha 21 anos de idade, com direito a anestesia geral.

Em coro, minhas três amigas britânicas gritaram “COITADA!”. Isso mesmo. Na cabeça delas, o fato de eu ter realizado o sonho de muita brasileira significava que, com a minha forma física (bastante modesta se comparada com as brasileiras de bunmbum de aço e barriga de tanque de lavar roupa, e mais modesta ainda 13 anos depois) só poderia estar muito mal da cachola.

Outro dia, comentando sobre a obsessão pela forma física que vivemos no Brasil com uma amiga ultra inteligente, culta e antenada – mas brasileira – ela disse séria: “eu não acho que seja assim”. Depois de ficar chocada durante alguns segundos, uma vez que esperava o total apoio da minha amiga “meio intelectual, meio de esquerda”, dei um rewind para a minha vida pré Europa e pós lipo, e me dei conta de que, no Brasil, a escravidão da forma física é, de fato, parte da vida e que pouca gente se detém para pensar nisso a fundo. Eu não pensava.

Brasileiros e brasileiras, acreditem, a histeria coletiva que vivemos nas academias, praias e clínicas de cirurgia plástica do nosso país não é “normal”. Em nenhum outro lugar do mundo (bom, talvez Hollywood) há tanta gente sarada e neurótica com gordurinhas e músculos. Os europeus se preocupam muito menos com tais coisas do que os brasileiros e acham absolutamente surreal o número de cirurgias plásticas que fazemos no Brasil. Com razão. E talvez por esse motivo eles tenham mais tempo para atividades como a leitura, por exemplo…

Acreditem se quiser: nenhum (veja bem, n-e-n-h-u-m) dos meus amigos e amigas de Barcelona puxa ferro. Uns jogam bola, outros andam de bike, outros dão uma corrida, alguns nadam. Mas só na medida do saudável, coisa de três vezes por semana.

Isso não quer dizer que todo mundo aqui seja pelancudo e gordo. Muito pelo contrário. A questão é que a forma física é encarada de outra maneira. Os espanhóis, em geral, são magros e esbeltos. Mas é muito difícil encontrar gente tão malhada como entre as classes favorecidas no Brasil, pelo menos em uma escala industrial. Costumo dizer que um gringo que caia de pára-quedas em uma praia carioca, ou em Maresias, sem saber nada sobre o assunto, corre o risco de achar que está em outra galáxia, tamanho o diâmetro dos pescoços dos lutadores de jiu-jitsu e das coxas inoxidáveis da mulherada.

Cá entre nós, os musculosos voluptuosos, para os europeus, fazem parte da estética de determinados grupos de homossexuais. E as mulheres-bomba geralmente são atletas. Nada contra quem quer ser musculoso, pelo amor de Deus. O que quero dizer é que o gosto por essa estética Rambo e essa obsessão aqui fora é algo restrito a grupos sociais com determinadas preferências, e não um objetivo coletivo, como no Brasil.

O próprio ambiente da academia é muito diferente aqui na Europa. O jeitão europeu de não se preocupar muito com a vida alheia e a própria estética é transportado para a sala de ginástica. Ou seja, cada um na sua, com a roupa que for, sem tanto cuidado em estar com o tênis ou os trajes da moda. Em uma academia classe A é possível encontrar desde gente com o último modelito Nike até senhoras com collants ao estilo Jane Fonda. E ninguém é apedrejado por causa disso. Ao fim e ao cabo, é bem menos importante do que ir ao pub ou ao bar de tapas da esquina. E palmas pra eles!


Adriana Setti

2 de dezembro de 2010

Malhar cansado não vale à pena



Um professor-fonte-guru que tive na academia há alguns anos me ensinou que a gente deve colocar a prática física logo no primeiro horário disponível que tiver no dia, para não correr o risco de ir deixando pra depois e, no fim do dia, desistir em nome do cansaço ou da preguiça. Por causa disso, elegi a manhã como horário preferencial para minha rotina de exercícios. Apesar do sono que acumulo ao longo da semana, prefiro acordar cedo e cumprir meu programa na academia antes de ir ao trabalho.

O problema é levantar às 7h quando o dia anterior foi exaustivo. Esta semana me aconteceu isso. Tive dois dias consecutivos totalmente atípicos, com viagem de avião, festa até tarde, taças de espumante, noite curta em hotel, telefonema fora de hora, falta de táxi, estresse com a chuva e o trânsito, vôo atrasado, transferência de aeroporto, chegada tardia ao trabalho, pressa, falta de descanso.

Na manhã seguinte, quem disse que meu corpo se movia? Já eram 8h30 e minhas pernas não pareciam prontas para sair da cama. E então veio a dúvida inevitável: vou ou não vou? Fazer um esforço extra para levantar, tomar meu café da manhã rapidamente, correr para a academia e chegar um pouco mais tarde ao trabalho valeria a pena? Ou eu iria me beneficiar mais se, em vez de fazer força nas máquinas da sala de musculação, ficasse dormindo e passasse mais um dia (já tinha passado dois na semana) sem exercícios?

Eu não tinha a resposta, mas meu corpo só me deixou começar o dia às 9h30. Aparentemente, descansada. Já era um tanto tarde demais para seguir a rotina de sempre (café-academia-banho-trabalho), então decidi que inverteria a ordem e deixaria os exercícios para depois do expediente. Enquanto isso, eu tentaria descobrir qual exercício deveria fazer naquele dia.

Quem me deu a resposta foi o fisiologista Claudio Pavanelli, numa conversa por telefone. Ele me confirmou algumas coisas que eu já sabia. Disse que é durante o descanso que o corpo colhe os benefícios da atividade física. “A gente sai da academia pior do que entrou”, disse Pavanelli. Ele quis dizer o seguinte: o exercício gasta energia, consome nutrientes, libera resíduos tóxicos, causa lesões nos músculos e nos ossos. No final do treino, estamos estragados. O bom é o que acontece daí em diante. Para se recuperar do estrago, o corpo vai buscar nos seus estoques novos substratos energéticos e outros nutrientes para pôr no lugar dos que foram gastos. As lesões são consertadas, as substâncias tóxicas são tiradas de campo. Horas depois, está tudo muito melhor do que antes. Claro, desde que alimentação em repouso esteja em dia.

Essa recuperação pode ser mais rápida ou mais demorada, dependendo do tamanho do estrago e do estado dos nossos estoques. Se eu estou acostumada a correr quatro quilômetros na esteira e num domingo qualquer resolvo participar de uma prova de dez quilômetros, eu certamente não estarei tinindo de nova na segunda de manhã. Minha recuperação, nesse caso, será mais lenta.

Segundo Pavalelli, depois de um dia exaustivo como o que eu tive esta semana, meu corpo está quase tão acabado quanto se eu tivesse corrido os dez quilômetros. Não acabado do mesmo jeito, mas igualmente precisando de um repouso mais longo para retomar o pique de sempre.

Isso signfica que fiz bem em não pular da cama às 7h ou às 8h para malhar. Mas o conselho do fisiologista foi que eu não deixasse de fazer algum exercício naquele dia. O ideal, disse ele, seria fazer alguma coisa mais leve do que o usual. Dar preferência a um exercício aeróbio em vez do levantamento de pesos, e também um alongamento. Afinal, meu corpo estava precisando relaxar. Em vez de acrescentar estresse a ele com um esforço intenso antes de ele se recuperar totalmente, eu deveria ajudá-lo a alcançar de novo seu grau normal de disposição, para então poder exigir dele tudo de que ele normalmente é capaz. Quando meu corpo se sentisse de novo como um carro abastecido com gasolina de boa qualidade, eu poderia acordar cedo para pegar pesado.

A última dica do Pavanelli foi que eu procure sempre manter meu nível de esforço. No dia em que estiver mais cansada, devo pegar mais leve para me esforçar no mesmo grau, não mais do que sempre. Mantendo em mente que, entre descansar e treinar, a melhor opção é respeitar meu corpo.

Francine Lima

1 de dezembro de 2010

A ciência de viver bem



Use filtro solar. Coma frutas e verduras. Lembre-se do fio dental. Pratique exercícios físicos diariamente. Passe longe do torresminho de bar. Aliás, falando em bar, trate de parar de encher a cara. Aproveite também para largar o cigarro. Beba dois litros de água por dia. E durma oito horas por noite. Aprenda a meditar. Vá ao dentista regularmente. Se beber, não dirija. Faça um check-up por ano. Não fique com o rosto colado na tela do computador. Trabalhe menos, divirta-se mais. Não coma doces e gorduras. Sexo só com camisinha.

Pequenas mudanças de atitude podem melhorar sua saúde física, mental e material. Conheça sete hábitos comprovados cientificamente que você deve adotar para ganhar qualidade de vida, e uma coisa que você NÃO deve fazer.

1. Ouça música
A música tem efeitos muito benéficos para a saúde física e mental. Entre outras coisas, ela pode acalmar, estimular a criatividade e a concentração, além de ajudar na cura de uma porção de doenças.Uma vez que nosso organismo também tem um ritmo interno, ao entrar por nossos ouvidos, a música faz contato com este ritmo, interagindo com as atividades biológicas do nosso corpo. É assim que trabalha a musicoterapia, aplicada em pacientes com mal de Alzheimer, epilepsia, esquizofrenia e depressão. Pode-se dizer que ela está diretamente associada à promoção da saúde. Isso significa que ainda não é possível prescrever um Mozart em jejum ou duas doses de Beethoven após as refeições. Feita essa ressalva, é certo que eles podem, sim, trabalhar na prevenção do estresse.

2. Prepare-se para envelhecer
Ninguém gosta muito da ideia de ser velho, mas isso é a melhor coisa que pode acontecer a uma pessoa (pense na outra possibilidade). Graças à descoberta de novas drogas e a fatores de prevenção, estamos vivendo cada vez mais. Sendo assim, duas coisas precisam ser preparadas: saúde e finanças.
Para começar, os cuidados para ter um envelhecimento saudável. Os sinais de envelhecimento são consequência de desgastes físicos e emocionais que sofremos durante a vida. Os principais são o estresse, doenças, fumo, bebida em excesso, consumo de drogas e pouco sono. Os desgastes são cumulativos. Para envelhecer de forma saudável, é preciso tomar atitudes ainda jovem. Pense também em como estará sua conta bancária. Se você é daqueles que confiam no INSS, é bom abrir os olhos. O envelhecimento da população preocupa o mundo todo. Portanto, é melhor tomar outras atitudes, além de claro, continuar colaborando para o INSS.

3. Tenha fé
Costuma ser mais feliz quem consegue encontrar um significado para a vida. Esse significado pode estar em qualquer coisa mas é na religiosidade que a maior parte da população vai buscar essa razão de viver. Pesquisas mostram que as pessoas religiosas consideram-se, em média, mais felizes do que as não religiosas. Elas também têm menos depressão, menos ansiedade e índices menores de suicídio. A fé nos conecta com outras pessoas, dá sentido e propósito para nossa existência, ajuda também na auto-aceitação e sustenta a esperança de que, no final, tudo ficará bem. Existem evidências de que pessoas com atitude positiva e fé têm saúde melhor.
E crer em algo não significa necessariamente ser em Deus. Um ateu convicto pode ter fé em seu próprio papel na história da humanidade, na justiça social, no desenvolvimento sustentável do planeta, na democracia. Acreditar faz bem.
 
4. Ande mais a pé
Gastar sola de sapato é um dos melhores exercícios que existem, seja para a saúde física, mental e do seu bolso mesmo. Sim, porque para fazer caminhadas você não precisa gastar rios de dinheiro com academias e personal trainer. Um par de tênis basta. E quando falamos de caminhada, não estamos nos referindo a nada profissional. Pode ser no quarteirão da sua casa.
Os benefícios físicos vão desde a melhora do sistema imunológico, a perda de peso e a oxigenação do corpo, a até mesmo o aumento da nossa inteligência, acredite. A caminhada aumenta a resistência cerebral e melhora o desempenho do aprendizado. Sem contar o efeito no humor, pois ajuda no combate à depressão.No corpo, a caminhada ajuda a diminuir a gordura intra-abdominal, aquela que se acumula entre as vísceras. Ela é considerada a forma mais perigosa de depósito de gordura, causando vários problemas de saúde - ataques cardíacos, problemas coronarianos, hipertensão, até formação de pedras na vesícula biliar.

5. Tenha (pelo menos) um amigo
Os amigos resumem a soma das três coisas que resultam na alegria: prazer, engajamento e significado. Conversar com um amigo, por exemplo, nos dá prazer, e, ao mesmo tempo, nos sentimos engajados, porque doamos muito de nós mesmos a ele.
Outro benefício decorrente de ter amigos é manter a saúde em ordem. As pessoas que têm amizades próximas têm menos possibilidade de morrer prematuramente, se comparadas àquelas que têm poucos laços sociais. E perder esses laços aumenta o risco de ficar doente. A amizade libera substâncias hormonais no cérebro que favorecem a alegria de viver e o bem-estar
Quanto aqueles que vivem na solidão, um conselho: tenha pelo menos um amigo e um amor. Um só de cada, não precisam ser muitos. Mas isso dá um trabalhão dos diabos. Para termos pelo menos um amigo, precisamos nos livrar da tal "avareza de si mesmo". Trocando em miúdos: doar-se, estar disponível, saber trocar.

6. Coma devagar
Para começar, ninguém ganha tempo comendo um sanduíche na frente do computador – o máximo que você ganha são quilos a mais, uma vez que, quanto mais rápido come, mais fome sente. Existem dois centros que regulam a alimentação no cérebro: o centro da fome e o centro da saciedade. O centro da saciedade demora até 20 minutos para mandar uma mensagem ao outro de que você está comendo e está satisfeito. Se você comer muito rápido, vai passar da conta, sentir o estômago estufado antes que seu centro de saciedade tenha tempo de informar seu corpo de que já está bom e você deve parar de comer.
Devemos também, diminuir a quantidade de comida se quisermos viver mais. Mas e o prazer de comer? Tem razão, é um dos principais prazeres da vida. Mais um motivo para você comer devagar: vai saborear melhor a comida, apreciar o prato e o momento, e, de quebra, não vai ficar empanturrado. O slow food prega que incrementar a qualidade da comida e desfrutá-la com calma é uma maneira simples de fazer o nosso cotidiano mais feliz.

7. Desligue a TV
Ninguém está dizendo para você nunca mais assistir à televisão. Mas que você poderia diminuir o tempo em frente ao aparelho, isso você poderia. Telespectadores inveterados podem ter suas funções cognitivas alteradas, problemas de postura e articulações, além de tornar-se dependentes da telinha. Sim, o hábito de se largar no sofá e assistir a qualquer porcaria pode deixar as pessoas viciadas no relaxamento que a TV produz. O problema é que essa sensação gostosa vai embora assim que o aparelho é desligado, o mesmo que se viciar em substâncias químicas. Quando vista por mais de 20 horas por semana, a televisão pode danificar as funções do lado esquerdo do cérebro, reduzindo o desenvolvimento lógico-verbal. Isso pode acarretar desde a obesidade a até mesmo demência e Alzheimer. Portanto, mande ver nas atividades físicas. E lembre-se também de ler, escrever, aprender coisas novas, fazer palavras cruzadas. Todas essas atividades mantêm seu cérebro ativo e, quem sabe, criam reservas de células e conexões.

8. Não leve nada disso tão a sério

Se der para fazer tudo o que foi colocado aqui, ótimo. Se não der, tudo bem também. E não precisa levar tão a ferro e fogo as dicas que mandam comer isso e fazer aquilo, caindo em depressão profunda se "fracassar" em um ou dois itens. Afinal, são as escapulidas que tornam a vida da gente divertida? Radicalismos e rigidez com regras são um perigo, causam até problemas cardíacos. Podem se tornar uma obsessão e isso não é bom. Ser resiliente não é seguir os clichês de ‘se a vida te deu um limão, faça uma limonada’. Ser resiliente é não ignorar seus sentimentos, suas dores. É perceber que nem sempre você tem que ser forte, você pode pedir ajuda. 
Esses são fatores fundamentais para lidar bem com o estresse e com as situações ruins da vida. Está vendo? Até o corpo agradece.

Mariana Sgarioni

Texto resumido do original por Lena Simões

27 de novembro de 2010

O que é boa forma para você?



Quem mandou abrir a boca? Fui sugerir um tipo de exercício a um amigo, dizendo que com aquele ele certamente ficaria em forma, e ele me lançou uma resposta desconcertante: “Eu estou em forma. Só não estou na forma que talvez você ache ideal.” Só me restou mudar de assunto. Ou eu tinha cometido uma gafe, ou estava equivocada ao supor que, com seus exercícios regulares, ele desejava perder o que lhe restava de gordura abdominal. Então estar em forma e ter barriga não eram condições excludentes? Então por que as revistas dedicadas a dar dicas de boa forma enfatizam tanto a barriga tanquinho?

Resolvi lançar essa pergunta na internet para checar o que as pessoas consideram boa forma. Algumas pessoas simplesmente marcaram com um x as alternativas que lhe interessavam, e outras acrescentaram ideias próprias.Houve quem mencionasse o equilíbrio entre trabalho e lazer, além de equilíbrio profissional. Falaram também de autoestima, e não apenas ligada à boa aparência. Outro lembrou que, na busca pela magreza, tanta gente perde saúde. Apareceu também a importância de ter uma vida amorosa (!). O mais interessante foi que alguns associaram boa forma com equilíbrio espiritual. Será que elas estão certas?

Fui verificar o que o dicionário diz sobre boa forma. O verbete “forma” no Aurélio tem mais de 20 significados. Entre eles, “aparência física de perfeita elegância”. Não diz nada sobre como se chega a essa aparência perfeita, claro, o que abre brecha para incluirmos pessoas sedentárias e mal alimentadas esculpidas somente por cirurgia plástica na categoria de boa forma. Se a gente joga “boa forma” no Google, encontra uma lista de sites que prometem receitas para emagrecer. Então uma pessoa que não precisa emagrecer está necessariamente em forma?

Se voltarmos os olhos para o mundo dos esportes, o conceito de boa forma sai das fronteiras da aparência e vai mais para o sentido das capacidades de realização de trabalhos corporais. Um jogador de futebol em forma será aquele que aguenta um jogo inteiro correndo e chutando muito – acertando a maior parte dos lances. Um corredor em forma será aquele que termina a prova em um bom tempo e sem lesões.

Que espécie de boa forma as pessoas normais estão buscando então? A da aparência, a das capacidades de realizar movimentos úteis para sua vida, aquela que resulta de uma vida equilibrada e satisfatória? Ou tudo isso junto?

Se boa forma pode ser tudo isso, então ela não dependerá apenas de uma combinação harmoniosa entre dieta, atividade física e sono, e não significará ser necessariamente magro e musculoso. Talvez ela seja o que mais interessa às pessoas em diferentes momentos da vida, sejam elas mães, avós, adolescentes, atletas profissionais ou trabalhadores. Talvez boa forma deva ser um conceito totalmente relativo às atividades que cada pessoa pretende realizar e ao papel que pretende desempenhar na sociedade.

Neste momento da minha vida, não me sinto em muito boa forma, mesmo sendo tão magra, mesmo estando fisicamente saudável, mesmo me alimentando bem e me esforçando para praticar exercícios regularmente. Quem me vê talvez tenha certeza de que estou em ótima forma, mas para mim meu estado físico atual não é suficiente. Eu não quero estar muito mais forte, muito menos mais magra. Eu quero é estar mais hábil. Quero voltar a subir em árvores e pular muros, só pelo prazer de conseguir. Quero acordar mais disposta no fim de semana, sem sentir todo o peso dos dias úteis sobre meus ombros nos dias de repouso. Quero não sentir dores nas costas de tanta tensão, por ficar tanto tempo sentada não me mexendo, não me dando prazeres. Quero andar muito mais de bicicleta, para ver e sentir na pele paisagens lindas em todos os seus detalhes. A minha melhor forma tem, sim, a ver com como eu me vejo, mas não necessariamente no espelho. Tem mais a ver com a maneira como eu me movo pela vida.

Qual será a melhor forma para um ator de 40 anos? Para um operário de 30? Para uma bailarina de 50? Para um empresário de 28? Para um motorista de seja lá que idade? Qual a melhor forma para você, hoje?

Francine Lima