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19 de agosto de 2011

Qual o melhor dia da semana pra você?




Você já pensou sobre a pergunta do título? Qual o dia da semana que você prefere? Noite de sexta-feira, sábado, ou segunda? Muitos podem dizer: é claro que prefiro o final de semana, mas saiba que nem todos. Na verdade, a resposta por um ou outro pode representar que algo não está bem. Se prefere os dias que trabalha é importante questionar o que não está bem em sua vida pessoal. E se a preferência é pelos dias de descanso, também é válido identificar se há algo que não vai bem na área profissional. Há ainda quem não se sente feliz nem durante a semana nem no final de semana. Em tudo é preciso equilíbrio. É evidente que temos as exceções, como pessoas que trabalham em escala, mas a maioria trabalha de segunda à sexta-feira e descansa sábado e/ou domingo. O ideal é sentir satisfação e prazer tanto no trabalho, como na vida pessoal, compartilhando os momentos de descanso com aqueles que ama, ou quem sabe, sozinho. Mas quando percebemos que estamos insatisfeitos, irritados, intolerantes, é hora de parar e refletir sobre os prováveis motivos.

Para quem tem o final de semana livre, a programação começa logo na sexta-feira à noite, com happy-hour, viagens, festas ou outras atividades em que possa descansar e esquecer os problemas. Afinal, com tanto estresse, lazer hoje se tornou uma necessidade. Isso mesmo, ne-ces-si-da-de. O final de semana é propício para repor as energias e cada um faz isso a sua maneira.

Quem gosta do final de semana espera cada segundo para chegar noite de sexta-feira, seja para sair ou ficar em casa. Mas quando o domingo chega, parece baixar um desânimo, desejando que as horas passem mais devagar e que a segunda-feira custe a chegar. Para a maioria, a volta ao trabalho pode representar o retorno das obrigações, responsabilidades, dos horários a cumprir. Em linguagem freudiana, diríamos que durante a semana somos regidos pelo superego, aquele que dita as normas, e no sábado, regidos pelo id, que representa o prazer. Claro que isso não é regra básica, mas apenas proporcionar uma reflexão em como você está se sentindo em cada dia de sua vida. Como se sente durante a semana? E no final de semana? O sentimento que prevalece é semelhante? Não? No que difere? Já pensou sobre isso?

Quando o desânimo já começa no domingo à tarde, se acentuando durante à noite e ficando quase que insuportável na segunda pela manhã, fazendo que você se arraste para ir trabalhar, é preciso buscar a causa. Se trabalhar está sendo sinônimo de sofrimento, desgastante e insatisfação, é preciso saber o que está acontecendo. Está apenas cumprindo com uma obrigação? Está sem motivação? Não gosta do que faz? Ou do ambiente? Ou o salário está abaixo de suas necessidades ou do que merece? Pense sobre tudo isso, mas lembre-se que no mínimo você o mantém por alguma recompensa, seja pelo salário, para aprender mais, esperando uma promoção; alguma vantagem deve ter, ou então, comece a pensar na possibilidade de procurar algo novo, que corresponda mais às suas expectativas.

Enquanto alguns cancelariam a segunda-feira do calendário, outros contam os segundos para chegar a hora de ir ao trabalho. Para estes, o insuportável é o final de semana em casa, com a família ou com a falta de uma. O trabalho se torna o encontro com pessoas que se sente bem, companhia para almoçar, conversar, onde encontra pessoas que compensam o final de semana solitário ou insatisfatório.

É no trabalho, e somente nele, que muitos se sentem valorizados, estimulados, reconhecidos, seguros. A busca excessiva pela realização profissional, na maior parte das vezes, oculta uma insatisfação enorme na vida pessoal e/ou afetiva, pois o trabalho representa uma fonte de reconhecimento e segurança que nem sempre se consegue na vida afetiva. Para alguns, parece mais fácil vencer na profissão do que construir relacionamentos afetivos saudáveis e duradouros. Hoje, talvez até por medo, muitos preferem o trabalho ao amor.

Homens e mulheres precisam na verdade, descobrir um ponto de equilíbrio entre a realização afetiva e profissional, que não precisam ser antagônicas, mas devem e podem ser complementares. É preciso estar atento para não fazer do trabalho ou do final de semana, um escudo ou uma fuga constante de seus sentimentos e do encontro consigo mesmo, como se fosse uma escolha, onde um compensa a falta do outro. Quando isso acontece é hora de parar, pensar e avaliar valores e escolhas, acreditando que se pode sim, obter prazer e satisfação, tanto no trabalho quanto na vida pessoal.

O mais importante não é só estar bem durante a semana ou no final de semana, com o trabalho ou com alguém, mas principalmente consigo mesmo, fazendo coisas que gosta, sem se preocupar com o dia da semana, mas fazendo de cada dia uma fonte rica de satisfação e prazer!



Rosemeire Zago

Beatles - Yesterday





 

29 de abril de 2011

Amor: uma comunicação profunda




O que é o verdadeiro amor? Será que ele (ou ela) me ama realmente? Será que eu sei amar? Existe tal coisa como o amor?

Qual o ser humano que já não fez uma destas perguntas? De fato o amor está na ordem do dia desde que a humanidade se tornou consciente deste sentimento.

Existem muitas formas de amar, mas são elas o verdadeiro amor? Para responder com clareza à esta pergunta, é preciso conhecer qual o nível de motivação que predomina em determinada pessoa.

Será que alguém excessivamente preocupado pela sua segurança, por ganhar dinheiro para garantir a sua subsistência, ter um abrigo contra as intempéries e roupa para se proteger do frio, pode amar? Talvez seja demasiado, preocupado pelas suas próprias necessidades vitais? Sem contar pessoas que mesmo tendo estas necessidades satisfeitas, continuam obcecadas pela sua segurança. O medo de lhes faltar algo lhes faz acumular bens de modo insaciável. Se se estabelecem relacionamento com outrem, será para nutrir a sua possessividade e não para amar.

Há pessoas que, do ponto de vista material se contentam com pouco, desde que possam satisfazer o seu prazer sexual. Sexo é uma forma de energia muito poderosa, pois ela existe antes de tudo para satisfazer a necessidade de procriação, isto é, de sobrevivência da espécie. Para muitos, atração sexual é algo irresistível. Conhecemos desde o famoso inquérito Kinsey, muitos detalhes da vida sexual, sabe-se inclusive a freqüência e estatística de relações sexuais em relação à idade, o sexo, a categoria profissional, etc...

Mas será isto o que chamamos de amor? Sabe-se que neste tipo de relacionamento, a satisfação é provisória e de fato não existe, porém quanto mais se tem, mais se quer ter. Grande parte da humanidade fica estagnada neste nível de motivação. E quando os filhos são criados, se inexistir o verdadeiro amor, surge a separação e o divórcio, pois constatam que o relacionamento acabou. Vão procurar outros parceiros sexuais, num círculo vicioso que não acaba... Ou então vão procurar satisfazer a sua vontade de poder, de ser importante, de ser admirado pelos outros, de ter a sua foto nos jornais. O círculo vicioso continua: mais importância se tem, mais importância e admiração se quer. A sede de poder não tem limite.

De fato, segurança, sensualidade e poder, nunca são satisfeitos de modo absoluto. Apego ao conforto, ao sexo e à auto-imagem, só levam a decepções e sofrimento. O prazer que despertam é apenas momentâneo. Deixa um vazio angustiante que exige mais prazer para preenchê-lo.

Felizmente existem pessoas que conseguiram ultrapassar estas manifestações do egoísmo e do egocentrismo. Estas pessoas vivem em estado de amor. Para elas tudo o que acontece em torno delas tem um caráter sagrado e maravilhoso. A cada instante são sensibilizadas por pequenos detalhes da vida cotidiana: o passarinho que canta; uma troca de sorrisos com um transeunte; um gesto de carinho para um menino da rua, a solidariedade num mutirão. 

Para estas pessoas a alegria de viver é ilimitada. Este estado de amor desperta e acompanha uma capacidade criativa impar; nada de condicionamentos e de atos automáticos; tudo se renova. A sua criatividade e seu amor se tornam verdadeira compaixão, pois se coloca a serviço de aliviar o sofrimento e dar alegria a todos os seres. Estes são os verdadeiros cidadãos.

E quando dois seres assim se encontram e decidem unir sua existência, suas sexualidades se expandem e se transformam em ternura e amor à vida sob todas às suas formas. É uma comunicação profunda sentida pelos dois como tendo caráter divino.


Pierre Weil

2 de março de 2011

As coisas boas da vida



Em nome da ciência, os acadêmicos estudam até as mais misteriosas partes da nossa fisiologia: o sistema nervoso. No entanto, o que se sabe sobre ele? Nos livros didáticos, o sistema nervoso é, na maioria das vezes, definido como a parte do corpo que coordena as respostas aos sentidos. Se tocamos em uma chapa quente, o sistema nervoso reage. No caso da dor é fácil imaginar um trabalho mecânico de estímulo e resposta. Porém, essa explicação deixa dúvidas: por que, às vezes, sentimos tanto prazer com uma deliciosa refeição, bebida, sexo ou uma companhia agradável, que ignoramos os outros estímulos? Essa e outras perguntas são respondidas pela neurocientista Suzana Herculano Houzel, no livro de "Sexo, Drogas, Rocknroll...& Chocolate", dedicado a divulgação científica das novidades das neurociências.

Por que sexo, comida, bebida e música provocam impressões interiores que aparecem de forma diversa em cada um e em momentos diferentes? São emoções e não estão relacionadas apenas com estímulos externos, ao contrário das interpretações dos textos sobre sistema nervoso. O que motiva algumas pessoas a ouvir música alta, tomar drogas, fazer sexo sem camisinha, comer muito chocolate, mesmo sabendo que do perigo que corre sua saúde? Essas e outras questões procuram ser respondidas pelas novas pesquisas em neurociências.

"Até os últimos cinco anos, as pesquisas em neurologia quase não apareciam na mídia. Porém, com o interesse econômico por novos medicamentos, a preocupação com as drogas, a compulsão e a depressão, entre outros motivos, as editorias de ciência se tornam recheadas de estudos de todas as partes do mundo, relacionando as emoções e o sistemas nervoso", explica Suzana.

Essas pesquisas tratam do maior responsável pela motivação, o chamado "sistema de recompensa", que antecipa a sensação de prazer, impulsionando o organismo em busca da recompensa. Ele é ativado a partir da associação das sensações de hoje com as do passado. A forma como o sistema nervoso de cada um trabalha as boas lembranças na memória afetiva é uma incógnita. A memória é resultado da combinação entre genética e a influência do social. Por exemplo, alguém que tem tendências genéticas a gostar de chocolate e cresceu associando o chocolate a boas lembranças, quando o sistema nervoso sente o cheiro e associa ao chocolate, logo o sistema de recompensa começa a se deliciar. Ao se tornar ativo, ele antecipa o prazer de comer chocolate.

A antecipação do prazer pelo sistema de recompensa é responsável pelos impulsos que podem levar até à compulsão, por exemplo, por jogo, por compras ou por comida. A compulsão exagerada resulta de um desequilíbrio do sistema de recompensa, que antecipa o prazer mas não consegue encontrar a retribuição esperada nas atividades antes prazerosas.

No caso das drogas, os fortes componentes químicos estimulam o sistema de recompensa muito além de seu ponto de equilíbrio. O prazer das drogas é imbatível. Uma vez sentido, nunca mais será recompensado da mesma forma. Os efeitos colaterais também são incertos e irreversíveis. Vale a pena sentir o prazer da cocaína com a certeza de que não experimentará aquela sensação novamente? Assim como o prêmio esperado pelo viciado nunca mais será atingido, alguém que perdeu o controle do consumo de bebida alcóolica nunca será capaz de voltar a sentir com o álcool o mesmo prazer que experimentou um dia.


Simone Muniz

31 de janeiro de 2011

Vida mansa




Se este post você sentir vontade de se espreguiçar, não reprima este desejo. Atender aos sinais do corpo é um dos princípios do joyflexing, um método de exercícios apresentado no livro "Boa forma para preguiçosos", Ray Johnson. Não se trata de mais uma série de atividades que estouraram no verão. O joyflexing consiste em movimentos oriundos do inconsciente, que não requerem esforço nem lugar específico. O único lema é o prazer.

Aliás, prazer é o que costuma faltar àqueles que sempre começam algum exercício, mas não conseguem continuar por muito tempo. E aí a consciência pesa, porque o sedentarismo traz prejuízos ao corpo. O dilema, também vivido pelo autor, fez com que ele buscasse a solução para o problema. Pode parecer estranho, mas ele mal sabia que a resposta estava no gato do vizinho.

O método de Johnson é baseado na sabedoria dos felinos. Eles precisam se espreguiçar de tempos em tempos para manter em forma as funções do corpo. "Se os gatos não se alongarem várias vezes ao dia, seus músculos se atrofiam e o acúmulo de toxinas provoca doenças", relata. Da mesma forma, o desejo inconsciente de esticar os músculos traz vantagens também para o homem. Tanto que alguns yoguesse espelham nos gatos para desenvolver flexibilidade e graça.

A idéia do joyflexing tem como respaldo também os exercícios desenvolvidos há milhares de anos, na China antiga, pelos mestres do chi-Kung.São movimentos curtos de estiramento e contração muscular, parecidos com o ato de se espreguiçar, que garantiam o bom condicionamento físico. Por exemplo: deite-se de costas e estique os braços e as pernas durante alguns segundos. A fórmula mágica é apenas ouvir os sinas do e não reprimi-los. Conforme explica o autor, se sentir um formigamento, faça um pequeno alongamento.

Um exemplo: se o formigamento vier do joelho e da panturrilha, estique o joelho e tensione a barriga da perna com força por alguns segundos. Depois, torne a relaxá-los. "Você perceberá que está respirando uma ou duas vezes bem fundo, para substituir o oxigênio que acabou de queimar. Ao mesmo tempo, notará um grande alívio. Improvise alguns pequenos movimentos enquanto pressiona um grupo de músculos contra outro", destaca Johnson.

Além de movimentos do próprio corpo, o segredo do joyflexing é não obedecer regras e horários. Tanto que o autor aconselha: pare de fazer quando perceber que está fazendo os exercícios por obrigação. Após espreguiçar-se, o praticante sentirá um relaxamento e perceberá que as internas serão dissipadas e as toxinas, eliminadas. Você ficará em forma, física e mentalmente, e sua aparência ficará melhor.
 
A lista a seguir, extraída do livro "Boa forma para preguiçosos", contém exemplos que estimulam a repetição para desenvolver a sensibilidade correta. Porém, a principal recomendação do autor é que esses exercícios não sejam impostos ao corpo.

A lista a seguir, extraída do livro "Boa forma para preguiçosos", contém exemplos que estimulam a repetição para desenvolver a sensibilidade correta. Porém, a principal recomendação do autor é que esses exercícios não sejam impostos ao corpo.

• Só no seu rosto existem mais de 50 músculos, e todos eles podem se beneficiar com o joyflexing. Você pode sorrir, abrir bem os olhos e a boca, fechá-los com força, torcer a boca para a direita e para a esquerda ou tensionar os músculos do maxilar inferior.

• Incline e gire a cabeça para a frente, para trás e para os lados, alongando a musculatura do pescoço e dos ombros.

• Pressione uma mão contra a outra ou puxe uma com a outra. Feche-as ou estique os dedos.

• Alongue os músculos da barriga e das costas ou das coxas. Dobre a coluna vertebral para a frente, para trás ou para os lados.