30 de dezembro de 2010

Atitude


Tomar atitude implica em sair da acomodação e rever o planejamento de vida como um todo; sabendo de antemão que dificuldades e obstáculos vão aparecer nesse caminho.

Mas isso não deve ser motivo de desânimo e, sim, um estímulo para vencer todos os limites. Para tomar atitude é bom seguir algumas dicas:


- relacione pendências do passado, do presente e do futuro, priorizando-as para serem resolvidas;

- tenha em mente que o que passou, passou. Não guarde rancor do que está morto e enterrado;

- seja mais discreto e alegre. Idealize o corpo, a mente e o espírito que você gostaria de ter;

- decida não ser mais omisso e fale o que pensa, determinando momento e lugar certo, para quem quer que seja;

- saiba que, quando você questiona, você aprende; quanto mais questiona, mais aprende;

- saiba que você é digno de respeito e que não é justo ser apegado ao trabalho exagerado, à vaidade, ao passado, ao presente e ao futuro;

- execute bem as tarefas hoje; deixe que o amanhã cuidará do resto.

Paulo Zabeu 

Do livro "Cinco regras para vencer seus limites"

O que você diz é apenas o que você diz



A verdade é que o que dizemos não tem tanta importância. 
Para saber quem somos, basta que se observe o que fizemos da nossa vida. 
Os fatos revelam tudo, as atitudes confirmam.
O que você diz - com todo o respeito - é apenas o que você diz.
Martha Medeiros 

29 de dezembro de 2010

Cães versus percevejos



Aqui no Brasil os percevejos não são um problema tão corriqueiro quanto nos Estados Unidos. Lá eles são chamados de bedbugs, “bicho de cama” na tradução livre. O nome indica onde eles costumam estar: camas, sofás, estofados… E se tornaram uma epidemia em lares, cinemas, lojas, escolas, escritórios e outros estabelecimentos em todo o país. Mas parece que os americanos já encontraram uma solução para o problema: cães farejadores de percevejos.

Fofinhos e armados com ferramentas de olfato bastante sofisticadas – seus focinhos –, esses cães estão se tornando o equivalente americano do São Bernardo que resgata os perdidos na neve nos Alpes. Eles visitam o local e indicam a presença ou não do inseto. Aí o dono contrata uma empresa dedetizadora. Propagandas comerciais exaltam a perícia e a eficácia dos cachorros em até 98% de precisão. Em Nova York, um beagle farejador chamado Roscoe se tornou tão conhecido – ele tem uma página de Facebook e agora um aplicativo de iPhone – que muita gente confunde beagles parecidos com ele.

Mas a eficácia não é 100%: alguns cachorros dão falsos alertas da existência do percevejo. E há temores de que um aumento dos chamados “falsos positivos” prejudiquem a credibilidade e os negócios. E detedizar um imóvel sem necessidade custa bastante dinheiro. Num condomínio em Manhattan, um cachorro indicou percevejos em um terço dos 50 e poucos apartamentos, embora vestígios físicos da praga tenham sido encontrados apenas em cinco, de acordo com um morador. Ele resistiu à pressão do comitê do condomínio de contratar um tratamento de US$ 1.500 porque sua família não foi mordida pelos insetos, nem viu vestígios deles.

Os falsos alertas podem ser feitos por cachorros mal ou bem treinados. Os cães podem captar cheiro de percevejo transmitido por roupas ou pela ventilação de um apartamento vizinho. O cachorro, obviamente, não consegue comunicar gradações de intensidade. Mas se não há inseto, não há mordida – e esta sim deve ser uma evidência por que as físicas são especialmente difíceis de ver. Um percevejo pode ser do tamanho da ponta de uma caneta; suas fezes são do tamanho de um ponto de tinta.

Laura Lopes

A felicidade aumenta com a idade



Depois dos 50, a vida parece melhor. É isso mesmo? Um estudo, baseado numa pesquisa do Instituto Gallup com mais de 340 mil americanos, garante que sim. Cinquentões são geralmente mais felizes, e enfrentam menos estresse e preocupação do que jovens adultos entre 20 e 40 anos.

O estudo de 2008 e publicado pela National Academy of Sciences levou em conta fatores na vida dos entrevistados, como casamento, filhos e emprego. Os pesquisadores tiveram cuidado em não comparar um cinquentão (ou cinquentona) bem casado e bem empregado com um jovem solitário e sem trabalho, para não deturpar as interpretações finais.

Para medir o bem-estar, foram usados critérios que envolvem duas medidas de felicidade: a capacidade de refletir sobre a sua vida e a sensação de prazer imediato. Algumas conclusões :

O estresse e a raiva vão diminuindo com a idade.
. A preocupação declina aos 50 anos.
. A tristeza aumenta um pouco aos 40 e diminui aos 50, mas não oscila tanto quanto os outros sentimentos de acordo com a idade.
. A satisfação geral com a vida aparentemente vai declinando até a chegada dos 50 anos, quando então volta a aumentar.
. A idade influencia o bem-estar igualmente entre homens e mulheres, embora elas tenham mais tendência ao estresse e preocupação.

Ainda segundo a pesquisa, existem algumas teorias para explicar por que as pessoas se sentem melhor um pouco mais velhas – e essas teorias não estão associadas ao estilo de vida, mas à experiência acumulada mesmo.

. Talvez os cinquentões saibam controlar suas emoções melhor do que os jovens.
. As pessoas mais velhas tendem a ter uma memória mais seletiva – lembram-se de menos coisas negativas, valorizam mais as lembranças boas e felizes. E, portanto, ficam mais contentes.
. Em vez de ficar remoendo seus fracassos e comemorando suas conquistas, os mais velhos acham mais produtivo pensar em como aproveitar o que resta de sua vida.

Como eu já passei dos 50 anos, fiquei me perguntando se sou mais feliz hoje do que aos 20 ou 25. E a primeira resposta que me vem à cabeça é: sou, sim, mais feliz. É verdade que me sinto hoje bem mais confiante, menos angustiada. Eu tinha preocupações que se confundiam com a insegurança dos jovens: serei feliz? trabalharei no que gosto? serei independente? me apaixonarei por homens bacanas? terei filhos saudáveis? conhecerei muitos lugares? encontrarei pessoas interessantes? terá valido a pena viver…?

Todas perguntas relacionadas com o futuro. E, quando temos 20 e poucos anos, as respostas parecem muito longe, depois de uma curva inexistente. Na juventude, damos a esses dilemas uma dimensão que, aos 50, parece desproporcional.

Mas, não consigo associar os 50 anos à falta de inquietações. Essa “felicidade” relacionada à “acomodação” ou à “ausência de dúvidas” ainda não chegou para mim. Felizmente. Tenho tantos projetos que minha maior preocupação – além da minha saúde e a felicidade dos meus filhos – é o tempo. Ou a falta dele.

Claro que estamos nos referindo a uma parcela da população instruída, bem nutrida e com perspectivas de desenvolvimento pessoal. É óbvio também que não podemos generalizar. Há velhos rabugentos e amargurados. Na sua opinião, o que seria pior, a angústia juvenil ou a da meia-idade? A sabedoria dos 50 pode nos ajudar a ser felizes? Ou a velhice é um naufrágio, como dizia Charles de Gaulle?

Ruth de Aquino

28 de dezembro de 2010

Destino: Cidade do Cabo, África do Sul


A Cidade do Cabo encanta a todos aqueles que amam as coisas boas da vida. A primeira impressão que se tem ao ouvir falar de uma cidade africana é de um destino cheio de exotismo, vida selvagem e natureza, certo? Pois isso é só o começo do que você poderá desfrutar ao visitar a Cidade do Cabo, segunda maior cidade da África do Sul, um dos dez mais procurados destinos turísticos do mundo. 

Descoberta em 1488 pelo português Bartolomeu Dias, que explorava os mares em direção às Índias, a região logo foi tomada pelos holandeses e ingleses, presentes na região até hoje. 

A surpresa começa pela disposição geográfica única, a cidade rodeia o pé de uma montanha, a Montanha da Mesa (Table Mountain), que leva este nome por apresentar justamente o formato de uma mesa, seguida de uma formação rochosa com 12 picos, que foi denominada pelos locais como "os 12 apóstolos". 

Não espere encontrar uma cidade grande. A região metropolitana da Cidade do Cabo, mesmo sendo considerada a segunda maior população da África do Sul, limita-se pelo contorno da Montanha da Mesa com o oceano Índico de um lado e o oceano Atlântico do outro, fazendo que seu crescimento seja controlado. Nos arredores, há o Cabo da Boa Esperança, o ponto mais distante do continente africano em direção à Antártida. O estilo da cidade é colonial e traz charme para seus edifícios e prédios públicos, bem como museus de diversas comunidades, como os judeus e os muçulmanos. 

O passado contrasta com a modernidade e as grandes highways da cidade, bem como o complexo beira-mar de shoppings, hotéis, restaurantes e outros passeios, chamado de V&A Water Front, logo trarão a imagem de uma cidade contemporânea e cosmopolita. 

Ainda no ritmo de modernidade, a cidade oferece empreendimentos como o Canal Walk, espécie de shopping center gigantesco em meio a canais fluviais que são interligados a condomínios residenciais, comerciais, áreas de lazer e shopping centers com praças de alimentação e opções de entretenimento. 

A Cidade do Cabo também é conhecida pela liberdade de expressão proveniente de um país em constante transformação. Reduto de artistas de todo o continente africano, a sociedade local abre espaço para o público GLS: o casamento entre pessoas do mesmo sexo é permitido na África do Sul. 

Você poderá surpreender-se com a infra-estrutura e a organização logo ao chegar à África do Sul. Terá a impressão de estar visitando a Europa ou a América do Norte. Porém, lembre-se que você está em um país em desenvolvimento, que possui favelas e áreas com risco de crime, todas elas localizadas em regiões marginais à cidade, bem longe do convívio urbano. 

O clima da Cidade do Cabo, no entanto, não é exatamente o que brasileiros estão acostumados para uma cidade praiana. Sua localização geográfica está exatamente no meio da corrente de ar que vem da Antártida, ou seja, mesmo com dias ensolarados e bonitos, os ventos (muito comuns na primavera) e as brisas fazem a temperatura girar entre 4 e 12 graus no inverno e 15 e 29 graus no verão. Note que esta mesma corrente traz uma área de instabilidade que cobre geralmente o topo da Montanha da Mesa, principalmente no outono e no inverno. Muita gente visita a cidade e vai embora sem ver a montanha, o principal cartão-postal da cidade. É bom checar o clima antes de viajar, para evitar frustrações. 

Não deixe também de conhecer a Robben Island, onde Nelson Mandela e seus companheiros estiveram encarcerados durante mais de duas décadas. Localizada a 11 km da Cidade do Cabo, esta ilha retrata uma parte da história da África do Sul, principalmente no que refere à luta contra o apartheid. 

Stellenbosch é considerada um dos principais destinos turísticos nas redondezas da Cidade do Cabo por concentrar o maior número de vinícolas do país. Conhecida como a "rota do vinho", a região oferece cinco sub-rotas com mais de 200 produtores de vinho. 

Algumas dicas: alugue um carro, dá liberdade e é barato. Coma frutos do mar, pois são baratos e estão entre os melhores do mundo. Almoce em Camps Bay e peça vinho branco sul-africano. Conheça Groot Constancia, a mais antiga vinícola da África do Sul. Para os amantes de boa música, vá jantar no Green Dolphin Restaurant, em V&A Waterfront, para fazer uma imersão no jazz sul-africano. 

Helder Teixeira

Texto resumido por Lena Simões

27 de dezembro de 2010

Bye, bye


She's leaving home!

Se


 
se
nem
for
terra

se
trans
for
mar
Paulo Leminski

Em 2011 desejo a você...



Tudo e muito mais!!!

Eu nada sei de mim



Eu só quero saber do microcosmo, o de tanta realidade que nem há.
Na partícula visível de poeira em onda invisível dança a luz.
Ao cheiro de café minhas narinas vibram, alguém vai me chamar.
Responderei amorosa, refeita de sono bom.
Fora de alguém que me ama, eu nada sei de mim. 
 
Adélia Prado

Entre tapas e beijos




O novo filme de João Jardim, “Amor?” narra histórias reais de violência nas relações de casal. Depois de ouvir 60 depoimentos de homens e mulheres que cometeram ou foram vítimas de agressões, o diretor escolheu oito para serem interpretadas por atores famosos. Quando assisti à “Amor?”, saí pensando ter visto um filme bom com alguns momentos excepcionais. Depois, passei dias me interrogando a partir de questões suscitadas pelo filme. A força de “Amor?” está em fugir da simplificação: a da pobre mulher submissa espancada por um homem mau.

Os depoimentos nos envolvem e os papéis de vítima e algoz têm contornos menos definidos do que gostaríamos. É nos detalhes que vamos pressentindo a aproximação da violência. Acho difícil que em algum momento quem assiste não se identifique com alguma frase, algum ato, deste laço entre amor e violência que prende dois adultos. É aí que o filme acerta mais. Ao fugir dos casos que viram manchete de jornal, ele fala de uma violência que também é nossa. Com isso, não permite que, ao assisti-lo, permaneçamos descolados, achando que aquilo é acontece a um outro que nada tem a ver com a gente.

Quando um homem agride uma mulher está cometendo um crime. A Lei Maria da Penha foi uma grande conquista. O que é pouco discutido é a contribuição da vítima para a violência. Aqui não me refiro a psicopatas nem a casos extremos, mas sim a histórias mais frequentes e que permeiam a vida de amigos, quando não a nossa.

Em um casal não existe agressor sem que exista uma vítima. Em algum momento agressor e vítima se encontraram. Entender o que permitiu este encontro e o que faz com que ambos fiquem numa relação destrutiva é essencial para quebrar o ciclo de violência ou criar uma outra identidade na relação que não seja a de vítima nem de agressor.

É ruim para a mulher se ela só for vista como vítima e só se enxergar como vítima. Sim, ela foi vítima. Mas ser vítima não é tudo o que ela é. Me parece fundamental que cada mulher metida numa relação violenta consiga buscar dentro de si qual é a sua parte nessa arapuca. Acho difícil conseguir romper com a violência se não encontrarmos o que há de ativo mesmo na nossa passividade. Ao se apropriar do que é nosso é possível nos tornarmos mais inteiras e é possível também criarmos enredos mais interessantes para a nossa vida afetiva.

Existe uma violência que se não se expressa fisicamente e que também é destruidora. Algumas mulheres costumam manipular com maestria esta arma subjetiva que não deixa hematomas. Raramente um homem espanca uma mulher no primeiro dia. Em geral há um longo balé protagonizado por ambos até a primeira vez. E aí as seguintes ficam mais fáceis e, em geral, mais frequentes e violentas.

Ao abrir com um depoimento da vítima tradicional, o filme mostra que não veio para apontar culpados. Apenas retrata histórias de classe média, contrariando a ideia de que a violência doméstica é coisa de pobre. Pode até ser mais visível nas periferias, mas ela está em toda parte, inclusive entre os ricos. O filme conta ainda a trajetória de agressões em uma relação entre duas mulheres, fazendo crer que a violência pertence somente aos homens. Esta é uma das grandes mentiras que se sustentam até hoje.

“Amor?” é uma boa pergunta em forma de filme. Aquelas histórias não tratavam de amor, mas da “patologia da paixão”. É muito reveladora a necessidade de definir se é amor ou não é, desqualificando assim o discurso de homens e mulheres envolvidos em relações violentas quando dizem que, ao bater ou apanhar, ainda amam. Ou que ficam na relação “por amor”.

É muito difícil definir o que é amor. Dizer que uma relação não é amorosa porque contém violência ou que quem ama não bate é querer tornar o amor algo da esfera do sagrado e imune às contradições humanas. Este discurso legitima a violência. Se fosse amor, então, a violência estaria justificada, porque o amor é maior do que tudo, por ele valeria qualquer sacrifício, até apanhar.

Não. Sendo amor ou não, pouco importa. Caia fora o mais rápido possível. A violência aniquila a vida. Quando não acaba, literalmente, com ela.

Eliane Brum

Texto resumido por Lena Simões

26 de dezembro de 2010

Eu, modo de usar



Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. 
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. 
Acordo pela manhã com ótimo humor, mas... permita que eu escove os dentes primeiro. 
Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. 
Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. 
Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. 
Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. 
Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. 
Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). 
Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. 
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. 
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. 
Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. 
Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. 
Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. 
Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. 
Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes. 
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... 
Goste de música e de sexo, goste de um esporte não muito banal. 
Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua família... isso a gente vê depois ... se calhar ... 
Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. 
Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. 
Não me conte seus segredos... me faça massagem nas costas. 
Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. 
Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar! 

Martha Medeiros

Cão que ladra tem sede



Não são só os humanos que sofrem com o calor. Os cães precisam de cuidados especiais nesta época do ano para não correrem o risco de desenvolver algum problema de saúde. O veterinário Mário Marcondes dos Santos, do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo, e autor do recém-lançado "Guia da Saúde do Pet", explica que o principal cuidado no verão é manter os bichos sempre hidratados, em ambientes arejados e frescos e dá as seguintes dicas para enfrentar o verão:

É preciso manter o bebedouro limpo, com água fresca e abundante durante todo dia e também à noite.

A água deve ser oferecida à vontade, ou seja, os donos devem deixar sempre um prato com água disponível para o animal. É preciso manter o bebedouro limpo, com água fresca e abundante durante todo dia e também à noite

Na hora de passear com o cachorro, fique de olho na temperatura do chão. Nada de sair nas horas mais quentes do dia. O ideal é ir à rua antes das 9h ou depois das 18h, e preferir sempre andar na sombra. Dependendo do calor do asfalto, a pata dos cães pode acabar com queimaduras. Evitar o sol também protege contra o câncer de pele, uma doença relativamente comum entre os cachorros que costumam passar o dia ao ar livre.

Os animais com pelagem branca e curta são os mais predispostos. Para prevenção, deve-se utilizar protetor solar fator de proteção 30 próprio para cães. Os protetores para cães possuem um sabor amargo que evita que o animal retire o produto com a lambida. Deve-se aplicar o produto nos locais mais expostos ao sol como ponta das orelhas, barriga e focinho.

A infestação por pulgas e carrapatos costuma ser mais frequente nos meses mais quentes. Para prevenir estes tipos de parasitas, o ideal é usar medicamentos orais ou tópicos (conhecidos como anticoncepcionais para pulgas e carrapatos) a cada 21 dias.

A dirofilariose (doença do verme do coração) também é comum nesta época já que é transmitida pela picada de um mosquito, principalmente nas regiões litorâneas ou com pernilongos. Para prevenir a doença, é preciso usar medicação preventiva a cada 30 dias.

Donos de animais que gostam de nada ou se refrescar na água devem prestar atenção especial aos ouvidos. O ideal é proteger o canal auditivo com algodão parafinado para evitar as otites.

A otite é comum nesta época já que o conduto auditivo é úmido. Com o calor, a região fica mais predisposta à proliferação de microorganismos como fungos e bactérias.

O veterinário lembra que todos os cães, independentemente da idade, devem receber cuidados no verão. Porém, os mais frágeis, velhos, filhotes ou com doenças crônicas precisam de mais cuidados.

A recomendação vale também aos animais obesos, que por serem muito gordos têm maior dificuldade em perder calor para o ambiente externo. Por isto, mantê-los em ambientes arejados e frescos é de suma importância.

Maria Vianna

Keep calm and...

 

Enjoy your holiday!

24 de dezembro de 2010

Menino Deus


O Natal é um poema.
Nele Deus se revela como criança.
Prefiro o Deus criança.
No colo de um Deus criança eu posso dormir tranquilo.

Rubem Alves

Cantiga dos Pastores



À meia noite no pasto,
guardando nossas vaquinhas,
um grande clarão no céu
guiou-nos a esta lapinha.

Achamos este Menino
entre Maria e José,
um menino tão formoso,
precisa dizer quem é?


Seu nome santo é Jesus,

Filho de Deus muito amado,
em sua caminha de cocho
dormia bem sossegado.

Adoramos o Menino
nascido em tanta pobreza
e lhe oferecemos presentes
de nossa pobre riqueza:
a nossa manta de pele,
o nosso gorro de lã,
nossa faquinha amolada,
o nosso chá de hortelã.

Os anjos cantavam hinos
cheios de vivas e améns.
A alegria era tão grande
nós cantamos também:

Que noite bonita é esta
em que a vida fica mansa,
em que tudo vira festa

e o mundo inteiro descansa?
Esta é uma noite encantada,
nunca assim aconteceu,
os galos todos saudando:
O Menino Jesus nasceu!

Adélia Prado

Indignar-se com a injustiça é estar alerta


Um pequeno livro de 30 páginas, tornou-se a sensação literária na França neste Natal. O nome do autor, Stéphane Hessel, não explica o sucesso. Sua idade, 93 anos, muito menos. São dois os motivos para o livro sumir das prateleiras. O preço baixo, três euros, cerca de sete reais. E o título provocativo, Indignez-vous (Fique indignado). Por incitar os jovens ao não conformismo pacífico, Hessel virou uma celebridade pop.

Hessel nasceu em Berlim, de pai judeu escritor e mãe pintora. Foi para Paris aos sete anos de idade. Na Segunda Guerra Mundial, lutou na Resistência contra o nazismo. Ajudou a redigir a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. Suas causas hoje são o Estado palestino, o meio ambiente, os direitos dos imigrantes, a liberdade de imprensa e a batalha contra o mercado financeiro. “Meu fim não está muito longe”, escreve. “Desejo, a cada um de vocês, que tenham um motivo para se indignar. Isso é precioso.”

Uma pessoa indignada não é necessariamente raivosa. Indignar-se com a injustiça é estar alerta. “Os governos, por definição, não têm consciência”, escreveu o romancista Albert Camus, em 1954. Felizes são os homens e as mulheres que não aceitam passivamente os malfeitos dos governos e dos indivíduos. A indiferença nos faz menos humanos. A resignação pode nos tornar cúmplices. Reduzir a lista abaixo depende da vontade política da presidente eleita e da atitude pessoal de cada um de nós. Eis 10 razões para se indignar no Brasil:

o número de analfabetos funcionais na oitava economia do mundo. Uma contradição provocada pela contínua falta de prioridade na educação fundamental e na qualidade da instrução;

os absurdos privilégios dos deputados e senadores, que aprovam aumentos para si mesmos e, além do salário, dispõem de uma verba extra irreal;

a influência excessiva da Igreja sobre o Estado laico brasileiro. Em assuntos como células-tronco, controle da natalidade, por que a religião se sobrepõe a razões de saúde e ciência? Que se respeitem a fé e os ditames do Vaticano como opções individuais, mas não como condutores de políticas públicas;

a impunidade de assassinos confessos. Com recursos em cascata permitidos por lei, quem tem dinheiro, prestígio e diploma se safa da prisão, mesmo depois de confessar crime hediondo e ser condenado por júri popular;

a agressividade no trânsito, que torna o Brasil recordista em mortes em acidentes. Dirigir com cautela no Brasil significa ser barbeiro, bobo e idiota. Acelerar para assustar pedestres, fechar o outro veículo, entrar na vaga alheia, xingar. Não é assim no exterior; 
a  falta de educação da elite brasileira. Boa parcela de ricos desenvolve falta de educação associada à arrogância e à crença na impunidade. Joga lixo nas praias e da janela de carros importados, dá festanças ignorando a lei do silêncio, viola a legislação ambiental e sempre quer levar vantagem;

os impostos escorchantes, que não resultam em benefício para a população carente. Cartéis punem o consumidor e tornam produtos e passagens aéreas no Brasil muito mais caros;

a falta de sistema de saúde pública que dê dignidade a quem precisa e aos mais velhos. Gente morrendo em fila de hospital ou por falta de leitos e médicos é inaceitável. Quantas CPMFs o governo exigirá?;

a falta de política de habitação decente para os mais pobres, mesmo com tantos prédios públicos vazios;

a inexistência de transporte de massas, num país que fez opção equivocada pelo carro. Metrôs e trens, ligados a uma rede de ônibus sem ranço de máfias, deveriam transportar todas as classes sociais.


Indigne-se, mas não seja chato. Contribua para a mudança. Melhor ser um indignado otimista que um resignado deprimido. Boas festas.

Ruth Aquino

23 de dezembro de 2010

Natal


Se tens amigos, busca-os!
O Natal é encontro!

Se tens inimigos, reconcilia-te!
O Natal é paz!

Se tens pecado, arrependa-se!
O Natal é perdão!

Se tens soberba, sepulta-a!
O Natal é humildade!

Se tens trevas, acende o teu farol,
O Natal é luz!

Se tens tristeza, reaviva a tua alegria!
O Natal é gozo!

Se estás no erro, reflete!
O Natal é verdade!

Se tens ódio, esquece-o!
O Natal é amor!

Autor: Desconhecido

Keep calm...



The new year is just around the corner!


Dezembro

Holiday lights

Discutindo a relação



Há poucas palavras que eu sei exatamente quando entraram na minha vida, e quem as trouxe. Ficar, por exemplo, com a conotação de namorar ou transar, eu ouvi pela primeira vez em 1995, durante um debate na TV sobre sexualidade de adolescentes. Quem tentava explicar aquele verbo ainda misterioso era a sexóloga Marta Suplicy.

Outro verbo que entrou no meu léxico pessoal recentemente é rolar, no sentido de acontecer. Eu ouvia a garotada falando e a palavra me soava como gíria alienígena. Vai rolar ou não vai rolar? Eu imaginava um labrador preto dando voltas sobre si mesmo, na areia. Então eu arrumei uma namorada que usava e abusava do verbo, em 2003. A partir daí rolou para mim também.

Outro dia, durante uma festa no trabalho, eu usei com um colega a sigla DR. Ele não sabia o que era. Expliquei que DR é a “discussão da relação”, aquela conversa que casados ou namorados costumam ter quando aparece uma crise, real ou imaginária. Ter uma DR é sinônimo de ter uma conversa comprida, que pode terminar em lágrimas ou sexo e geralmente começa com a mulher manifestando a sua inquietação com algum aspecto do comportamento masculino.

“Você anda esquisito comigo”, é um ponto de largada costumeiro para uma DR. Outro início recorrente é “Você gosta de mim?” O sujeito está de cueca, pegando o suco na geladeira, às 10 horas da manhã de domingo, e escuta essa pergunta.

Já está claro pelos exemplos que estamos no terreno da subjetividade. Uma DR raramente envolve coisas práticas. Ela pode até começar com uma pergunta objetiva - “Por que você não atendeu meu telefonema ontem”? - mas costuma mergulhar, rapidamente, no terreno selvagem das emoções, com resultados imprevisíveis.

As relações de casal tomaram uma forma instável que parece colocar, a cada passo, a necessidade de repactuar e discutir. Essa é a origem profunda das DRs.

Na falta de um “caminho natural” para os relacionamentos – aproximação, namoro, casamento, filhos - as pessoas sentem necessidade de parar e olhar a bússola a cada par de quilômetros. Sobretudo as mulheres. Como os homens fazem a parte autista do casal, aquela que simplesmente vai tocando, cabe às mulheres a tarefa de fazer perguntas chatas: Estamos indo para onde mesmo? Você ainda quer ficar comigo?

Às vezes a conversa é ruim porque nos força a olhar para coisas que não queremos ver. Os detalhes de uma relação estagnada, as dúvidas profundas, frequentes, que as pessoas têm sobre os seus verdadeiros sentimentos em relação ao outro.

Ninguém gosta de falar dessas coisas. Assim que a conversa começa, dá vontade de fugir. A respiração se altera, a gente não consegue olhar para o rosto do outro, vem uma sensação ruim de estar sendo invadido. Claro, eu estou sendo generoso. Há mulheres que querem discutir relações que ainda nem existem. Há homens excessivamente inseguros que precisam a cada instante de apoio e reafirmação. Mas não é disso que eu estou falando.

Da forma como eu tenho experimentado as DRs, elas são momentos importantes de ajuste. Você faz alguma coisa que magoa o outro e isso provoca uma conversa difícil, mas necessária, sobre os sentimentos mútuos. Num contexto desses, perguntas como “Você gosta de mim?” fazem sentido, mesmo que você esteja de cueca na porta da geladeira, na manhã de domingo. Mesmo que seja véspera de Natal.


Ivan Martins

Surpresa é tudo de bom



Que tipo de pessoa é você? Gosta de controlar tudo e fica feliz quando vê as coisas acontecendo exatamente como planejou? Ou é desses espíritos meio avoados, que perdem prazos e compromissos, mas convivem bem com o inesperado?

Confesso que sou do primeiro time. Sou uma taurina teimosa que resiste a mudanças. À medida que envelheço, tento amenizá-la. Muito da minha rigidez o tempo já levou. Agora está mais do que na hora de me livrar da ilusão de que posso controlar tudo.

A melhor medida profilática é encarar novas experiências como uma aposta. Se tenho 50% de chance de me dar bem, por que fugir delas? Foi assim que encarei uma obrigação cívica que tinha tudo para ser o mico do ano. Trabalhei como mesária na eleição desse ano. Estava achando seria um castigo. Acordei às 5h50 da manhã para conseguir estar às 7 horas numa escola de Pirituba, um bairro de classe média baixa de São Paulo.

Posso dizer: trabalhar naquela escola foi uma grata surpresa. Os outros mesários também eram pessoas experientes. A mais nova tinha 32 anos e o mais velho, 44 anos. Não nos conhecíamos, mas em pouco tempo parecíamos velhos amigos. Há muito tempo eu não fazia um trabalho tão relaxante. Passar o dia inteiro ali, orientando os eleitores na fila, destacando papelzinho ou encontrando o nome deles na lista foi uma espécie de terapia. Voltei para casa relaxada.

Quando encontrei meu marido, a primeira coisa que disse foi: "O DataPirituba informa: vamos ter segundo turno. A Marina vai ter 20 milhões de votos". Foi o que senti quando imprimimos os votos da nossa seção que mais parecia um Brasil em miniatura. Ali votaram 300 e poucos cidadãos, de diferentes classes sociais e valores.

Por ali passaram os muitos velhos e os adolescentes. O policial com um vício de postura sugestivo de que está prestes a bater continência. O cego que chegou à seção com ajuda de uma guia e pediu que eu colocasse sua mão no lugar onde ele deveria assinar. Alguns alcoólatras também apareceram. Desiludidos, potenciais eleitores do Tiririca, não faltaram. Assim como pais que levaram os filhos à cabine para ensinar a eles que o direito ao voto não é pouca coisa. O padre esteve lá. O transexual também. De unhas pintadas, sobrancelhas finíssimas, um longo rabo de cavalo e a calça justa que realçava suas formas femininas. Virou o rosto, visivelmente incomodado, quando lhe pedi um documento com foto. Não precisava. O que recebeu em troca foi o mais sincero respeito.

Foi uma experiência totalmente nova. Estou convencida de que surpresa, na medida certa, faz bem para a cabeça, para o corpo, para o coração. A surpresa nos obriga a aceitar o novo e a se adaptar a ele. O resultado do primeiro turno surpreendeu o Brasil. No dia 31 estive em Pirituba de novo. Pronta para meu dever cívico. Pronta para o inesperado.

Cristiane Segatto
Texto resumido por Lena Simões

22 de dezembro de 2010

Ho, ho, ho



Don't stop believin'

A dor da perda


Uma amiga perdeu a mãe, de repente. A notícia me alcançou por e-mail, agora que a internet deixou o mundo pequeno. Estou longe, mas também perto, neste lugar sem distância que é o mundo virtual.

Senti tanto o desamparo da minha amiga, porque sei que as mães não deveriam morrer. Quando perdemos alguém que amamos, a dor é tão extravagante que chega a nos comer vivos. A dor está lá quando acordamos. Continua lá quando respiramos. E, quando nos distraímos, crava seus dentes bem no coração. Neste longo momento depois da perda, sabemos mais dos buracos negros do que os astrônomos porque carregamos um dentro de nós. E arrancamos cada dia nosso do interior de sua boca ávida, com uma força que não temos, para que não nos sugue de dentro para dentro.

Devagar, bem devagar, muito mais devagar do que o mundo lá fora nos exige, o vazio vai virando uma outra coisa. Uma que nos permite viver. Descobrimos que nossos mortos nos habitam, fazem parte de nós, correm em nossas veias. Que suas histórias estão misturadas com as nossas, que seus desejos se deixaram em nós. Acolhemos então aquele que nos falta de uma forma que nunca mais nos deixará. Como saudade. E como saudade não poderá mais partir.

Há pessoas que acham que quando doamos as roupas e os objetos de quem amamos e se foi, ou deixamos de chorar no cemitério, superamos a perda. O que acontece é que compreendemos que aquela pessoa não estará mais no mundo externo, não pertence mais a ele. Mas também não é mais um vazio que grita como nos primeiros meses, às vezes anos. Ela agora mora no mundo de dentro, vive como memória nossa, em nós. E assim não está mais morta, mas viva de um outro jeito.

A vida dos mortos em nós não é possessão nem fantasma. Nem é morte. O mórbido é quando não conseguimos dar um lugar vivo para o morto. Então a memória fica pregada naquele momento de horror e a vida se torna impossível, porque a existência não é água parada, mas rio que corre. Acontece quando alguém, pelos mais variados motivos, não consegue fazer o luto e dar um lugar de saudade para a dor. Quando nos fixamos, num dogma ou numa falta, partes importantes de nós gangrenam. Mas quando os mortos se acomodam em nós como lembrança que muda segundo o viver de quem vive, tudo flui. Se há algo que a vida é em essência é movimento. E o luto é um movimento que reabre as portas para a vida ao romper com a rigidez da morte em nós. Por isso, para o luto não pode haver pressa.

Quando sofremos uma grande perda, as pessoas dizem, para nos consolar, que tudo passa. Acho que nada passa. A frase mais precisa seria que tudo muda. Também nós que aqui estamos como matéria um dia seremos apenas eco. Aquela que fui ontem já mudou, a ruga que há um ano não existia agora é visível na pálpebra direita, minha percepção do mundo não é mais exatamente a mesma do mês passado, alterada por novas experiências que me alargaram. De certo modo, nascemos e morremos tantas vezes até o fim da vida. E é este o movimento que importa.

Queria dizer isso à amiga que perdeu a mãe de repente. Com o tempo, um período só dela e que não pode ser determinado em parte alguma nem por ninguém, minha amiga vai começar a perceber que a mãe é uma ausência presente no formato das suas unhas, num certo jeito de mexer a cabeça quando fala, na tonalidade rara dos olhos. Está nas palavras e nas histórias que conversam dentro dela, na mitologia familiar que se perpetua, nos sons da memória. E então poderá reencontrar a mãe dentro dela. E levá-la para passear.

E, num dia que sempre chega, viverão as duas como história, como cacos de lembranças encaixados em diferentes rearranjos de vitrais, na vida dos que vieram depois. É pouco, talvez. É tudo o que temos. 
 
 Eliane Brum
 
Texto resumido por Lena Simões
 
A você, meu pai, que partiu no dia 25 de dezembro de 1996.
A ausência deu lugar à saudade. 

Abbey Road entrou para a história


A foto em que John Lennon, Ringo Starr, Paul McCartney e George Harrison cruzam a faixa de pedestres da Abbey Road, na capa de um dos discos dos Beatles, entrou para a história. E levou com ela esse pedaço de Londres. A faixa foi transformada em patrimônio cultural pelo governo britânico.

O local, que todos os anos atrai milhares de curiosos e fãs do quarteto de Liverpool, tem grande valor turístico. Muitos circulam pela área e até imitam a famosa foto do Fab Four.

Outra opção é posar para fotografias diante do estúdio Abbey Road, que em fevereiro foi declarado patrimônio cultural. O álbum Abbey Road é considerado um dos melhores da carreira dos Beatles.

Estou viciado em internet?


Pouco tempo atrás, se você entrasse no site da revista canadense Adbusters, encontraria uma mão vermelha. O objetivo era deter o internauta. “O que você está fazendo aqui?”, a revista perguntava. Se fosse apenas mais um clique ao acaso na vida das pessoas, a sugestão era para que ela se desconectasse e fosse respirar os ares lá de fora.

A mão que expulsava era parte de uma campanha da tal revista que pregava uma semana de abstenção. Não de bebida, não de sexo, não de jogo, não de carne vermelha. Abstenção, simplesmente, de internet. Sete dias sem conexão. A revista recomendava como um primeiro passo que o internauta, ao “estilo zen”, ficasse pela manhã 15 minutos diante da tela apagada de seu computador, olhando compenetradamente para a própria imagem refletida e se perguntando qual o sentido de tudo aquilo. 

Nunca as pessoas, em todo o mundo, estiveram tão conectadas. Nomes como YouTube, Google, Wikipédia, Twitter e Facebook fazem parte do dia a dia de gente no mundo inteiro. Para muitos, é difícil entender como foi possível viver tanto tempo sem aquelas marcas e outras tantas do mundo digital. Ao mesmo tempo, jamais foi tão presente a preocupação em torno do grau de dependência. “Estou viciado em internet?” é uma das perguntas mais comuns na sociedade moderna.

Livros, clínicas, estudiosos, governos em várias partes procuram dar respostas e soluções claras para a questão. Mas, feitas as contas, há ainda mais nevoeiro que luz nesse debate, sobretudo porque o assunto é novo. Passaram-se apenas 15 anos desde que a internet se apresentou para o mundo. 

Mas, por fora da paranoia das pessoas em relação à possibilidade de estarem viciadas na internet, os descrentes da era digital são mais admirados do que seriam normalmente. Eles levam a vida que hoje parece ser a dos sonhos para aqueles que não encontram forças para se desconectar. Seus amigos são de carne e osso. Comunicam-se diretamente ou por telefone. Olham nos olhos das pessoas com quem falam. Seus passatempos estão no mundo real, e não no virtual. São capazes até de ir ao correio para mandar uma carta ou um postal. A admiração que eles merecem deriva, basicamente, do medo que a enorme e crescente comunidade digital tem do futuro sob o domínio da conexão. 

Os conectados estão atordoados. Quem vai ao mecanismo de busca do Twitter à procura de material sobre o vício na internet encontra depoimentos reveladores em grande quantidade. “Não quero passar tantas horas assim na internet. Alguém pode me dar sugestões do que fazer?”, pedia uma alma aflita. 

Uma tira em quadrinhos era objeto de vários “retuites”, o nome que se dá ao gesto de alguém que retransmite algo que lhe agrada. Na tira, que o autor dizia retratar sua relação com a internet, o personagem amanhece cheio de planos. Mas, antes de sair, vai checar alguma coisa no computador. Uma surpresa ruim o detém, e depois vão aparecendo coisas sobre coisas. O último quadro mostra o personagem em plena madrugada, colado ao computador. Ele se pergunta, desesperado, por que faz tanta coisa online, exceto ir à Wikipédia ver o que diz o verbete “viciado em internet”. 

No YouTube, um internauta postou um vídeo em que contava seu drama em 59 segundos, um espaço de tempo exíguo que é uma das marcas da internet. O título: “Tão Viciante...”. O autor pedia depoimento a quem estivesse vivendo a mesma situação, mais ou menos como acontece em sessões de alcoólatras ou drogados anônimos. Saber que você não está sozinho traz algum conforto. Logo começaram a chegar respostas. Uma delas: “Sei como você se sente, cara! Putz, a internet é como droga. Não consigo sair do computador sem checar meu Facebook, YouTube, Skype e todos os vários games que jogo. Enquanto navego, sempre ouço música. Imprescindível.” 

Nelito Fernandes e Paulo Nogueira 


21 de dezembro de 2010

Momento de decisão




  Entre sobreviver e viver
 há um precipício e poucos,
 encaram o salto.



Martha Medeiros

Uma nova esperança


(...) Fecho a mala com a certeza de que não ficou nada pra trás. Meu passado sagrado, imprescindível, perfeito em todos os equívocos cometidos, perfeito até no tempo perdido e agora aqui reunido, nesta mala. Desejo que neste Natal que vocês façam as pazes com o seu passado imprescindível. E recomecem, em 2011, frescos, uma nova memória, uma nova dieta, uma nova esperança.

Gisele Campos

Mau humor natalino



Eu não tenho espírito natalino. Hoje mesmo acordei, enfiei a cara dentro de mim, e não, decididamente não. Não encontrei nem mesmo uma meia furada que o Papai Noel pudesse ter esquecido em algum Natal anterior. Eu deveria estar feliz, abraçando pessoas na rua, mas não consigo fingir. Só a palavra Natal já me dá vontade de grunhir. 

Vocês pensam que minha família se comove com a minha situação? Me ignoram solenemente. Há anos tento convencê-los a marcar o Natal para janeiro, quando os aeroviários não ameaçam greve, as lojas já estão liquidando e não há vizinhos cantando Noite Feliz em ritmo de pagode. 

Neste ano, algo aconteceu, algum complô secreto. Quando liguei para saber se estava tudo bem lá para os lados de Ijuí, minha mãe me deu a notícia à queima-roupa. “Mudamos de ideia! Decidimos passar o Natal na tua casa!”. Demorei uns cinco minutos para recuperar a capacidade da fala. 

Deixa eu explicar melhor. Eu assumo que não tenho espírito natalino, mas filha, mãe, irmã desnaturada não sou. Meu problema é com o Natal. Desde o telefonema da minha mãe, toda vez que ouço a palavra Natal eu bebo. Virou uma piada entre os amigos. Eles falam, só para me sacanear: Natal! E eu saio correndo atrás de uma dose de cachaça. 

Desenvolvi uma fobia natalina. E a cada ano ela piora, até porque o Natal começa cada vez mais cedo. Mal acaba o Dia das Crianças e já começa o Natal. Em outubro! Tenho enjôo quando vejo decoração natalina e ouço músicas natalinas. Eu, que sou militante do desarmamento e nunca tive nenhuma arma mais letal que uma faca de cortar pão, quando vejo um Papai Noel tenho vontade de metralhá-lo. E não, não estou criticando o comércio. Eu acredito no livre arbítrio. Se eu fosse comerciante e existisse um monte de gente com dinheiro no bolso disposta a pagar o dobro pelo que vendo, eu encontraria um sentido para o Natal. 

Quando digo que não gosto de Natal, que odeio Natal, que tenho horror ao Natal, a primeira pergunta é se fico deprimida. Os deprimidos de fim de ano recebem toda a compreensão. E até um olhar compungido. Mas não, me recuso a mentir. Eu não fico deprimida no Natal. Nem dou a mínima para o Ano-Novo. Eu apenas não consigo encontrar nenhum sentido. Nem um bem pequenininho. 

Assim empenhei parte deste mês de dezembro na tentativa de compreender o espírito natalino dos outros. Descobri que, em geral, o espírito natalino é o que há de pior! Pode ser que na sua cidade seja diferente, mas em São Paulo é o mês mais antissocial do ano. A maior parte das pessoas está à beira de um ataque de nervos. E algumas têm um ataque de nervos. Você esbarra sem querer em alguém, pede desculpas e a criatura xinga gerações da sua família que ainda nem nasceram. 

Os ônibus estão lotados, é preciso se humilhar para conseguir um táxi, o trânsito fica parado há gente quase se estapeando nos shoppings. A verdade é que a maioria de nós está exausto, gostaria de ir para casa botar os pés para cima e assistir a algo bem idiota na TV. Mas não: está lá, comprando. Gastando todo o décimo-terceiro, comprometendo os próximos meses de salário e pegando fila para pagar. Se duvida, sente-se num banco de shopping e apenas assista: casais falam coisas cruéis um para o outro, crianças choram, é um desfile de gente com olheiras e dentes trincando, loucas para arrumar uma confusão e desabafar seu fel em algum incauto. 

Por que, então? Não sei. Perguntei a vários desconhecidos nas últimas semanas em situações diferentes. Boa parte deles disse a mesma frase. “Se eu pudesse dormiria no final de novembro e acordaria em janeiro, quando este pesadelo tivesse passado”. 

Sim, no ano passado eu disse que tinha medo de chester. Depois, destilei ódio contra meus vizinhos de praia nas festas de fim de ano. Mas é o seguinte. Estou aqui apresentando meu ponto de vista. Para mim, falar mal do Natal é um ato político. 

Até porque sou uma vergonha. Peco pela incoerência, porque assim que colocar o ponto final aqui, vou correr para disputar um chester no supermercado. Sim, sim, minha família recusou minha proposta de fazer uma ceia natalina de feijoada e exigiu tradição. Desde quando chester, esta de laboratório, se tornou uma tradição eu não sei. Mas joguei a toalha. Sim, ho ho ho. Feliz grrrrrrunfthzt@%$ para você também!

Eliane Brum

Texto resumido por Lena Simões

Canções para se apaixonar



Hoje meu filho mais velho faz 13 anos. Sou, portanto, oficialmente mãe de um adolescente. Digo oficialmente porque os sintomas disso já começaram há algum tempo. Entre tantas coisas que tenho pensando sobre este assunto – ter um filho adolescente – uma delas é: como hoje esses garotos e garotas fazem para começar a namorar, se não existem mais músicas lentas nas vidas deles?

Posso estar errada, mas reparo que nas festinhas do povinho desta idade só tem Black Eyed Peas, Lady Gaga, bate-estaca e funk. No meu tempo (horrível dizer isso, mas não tem outro jeito de dizer), a aproximação acontecia através da dança das canções românticas. E agora? Falam “oi tudo bem?” e já partem para o que interessa? 

Enquanto penso no assunto, faço mentalmente o repertório que fazia eu me apaixonar a cada música. Era assim mesmo: você nem estava a fim do cara, mas a música era tão sensacional que você se apaixonava pelos três minutos que ela durava. 

A primeira que me vem à mente é You've got a friend. James Taylor, de 1970, mas que foi hit até o fim da década. A voz macia de Sweet Baby James era infalível. No fundo, era com James que eu queria namorar. Marcou minhas primeiras dancinhas, por volta dos nove, dez anos (eu era de uma turminha precoce). 

Outra do mesmo ano: Easy, do Commodores. Ainda lembro que ela era uma faixa um pouco mais longa do que o normal. Então era preciso tomar muito cuidado pra não aceitar dançá-la com um cara mala ou que suava muito quando encostava nas meninas. 

Ainda de 1977: How Deep is your love, dos Bee Gees. E, naqueles anos, havia uma canção, dessas de trilha de novela -  acho que era de O Astro - chamada We´re All Alone, de Rita Coolidge. Simplesmente linda. 

Nos anos 80, já adolescente oficial, eis as que eu mais gostava: All out of love, do Air Supply. Aliás, Air Supply é brega, mas tinha canções dramaticamente românticas, do jeito que eu gostava. 

No ano seguinte, duas: Time, do Alan Parsons Project, e Classic, do Adrian Gurwitz. 

Mas poucas músicas “mela-cueca” – como alguns chamavam – foi tão dançada de rostinho colado na minha geração quanto Hello, do Lionel Rithie. Is it me you´re looking for?, perguntava a canção. Quase sempre parecia que sim. Pelo menos até o último acorde. 

E você? O que dançou na adolescência?

Martha Mendonça