6 de novembro de 2011

Mulher de atitude assusta ou encanta?



Nos últimos 30 anos, mais ou menos, o universo feminino tem experimentado profundas e inimagináveis mudanças. Se isso é bom ou ruim? Depende! Depende de como cada mulher encara e lida com essas mudanças. Depende da flexibilidade, da capacidade de ponderação, da noção de si em relação ao que acontece no mundo.

Enfim, mudanças são inevitáveis desde que a humanidade existe. Isto é fato e, portanto, indiscutível. Agora, sabemos que quando se trata de coração, amor e relações afetivas, as mudanças são sempre polêmicas e pedem um tempo para serem compreendidas, assimiladas e transformadas em possibilidades positivas, altruístas e criativas. Cada um no seu ritmo, ao seu tempo...

E com as mulheres de atitude, o caso não é diferente! Hoje mesmo, pra começarmos a ter uma noção de que tipo de atitude podemos estar falando, recebi uma notícia por e-mail que dizia assim: Site de traição registra mais de 11 mil mulheres em apenas um dia. Brasil é o país com maior índice de traição e amantes nos locais onde o site já atua. Obviamente, o título me chamou a atenção e fui ler do que se trata. Resumindo: foi criado um site, já presente em vários países, e lançado no Brasil há 42 dias, para pessoas infelizes no atual relacionamento encontrarem amantes dispostos a ter apenas casos discretos.

A matéria aponta o número de registros de homens – que ainda é maior comparado com o das mulheres – e ainda arrisca estatísticas e razões para tudo isso. E fiquei me perguntando: o que é que está acontecendo conosco, meu Deus? O que significa essa busca? Medo? Conformismo? Desesperança? Excesso de atitude feminina? Falta de atitude masculina? Tudo isso junto e ao mesmo tempo?

Bem, penso que nenhuma dessas perguntas ou das respostas que poderíamos encontrar sejam um motivo por si só. Evidente que esse panorama é resultado dessas últimas décadas de mudança não só nas atitudes femininas como também nas masculinas. E muito mais vêm por aí, sem dúvida.

Somos um sistema. Não tem essa de encontrar os responsáveis. As mulheres não são o que são apenas por si mesmas e nem os homens. Afetamos e somos afetados pelo outro, sempre! Mas a impressão que me fica é a de que perguntas como essa que fiz no título deste artigo (Mulher de atitude assusta ou encanta?) jamais deveriam ser levadas em conta no momento de nortear o próximo passo feminino ou o próximo julgamento masculino e vice-versa.

Penso estar mais do que na hora de começarmos a formular perguntas e buscar respostas dentro da gente e não fora. Importa muito menos o fato de uma mulher estar encantando ou assustando os homens com suas atitudes do que o fato de ela se questionar se estas atitudes estão realmente coerentes com seu coração, seu desejo mais genuíno e as reais intenções para sua vida!

Ainda aposto que atitudes espontâneas, sintonizadas com sentimentos conscientes, sejam sempre encantadoras; enquanto que atitudes imbuídas de estratégias e joguinhos sejam sempre assustadoras, ainda que demorem a revelar estas facetas. O fato é que quanto mais as pessoas se tornam fakes, pouco importa qual imagem estão vendendo, o resultado nunca poderá ser bom!

De modo que a minha sugestão, às pessoas que se relacionam para fazer o amor valer a pena e não para pegar o primeiro atalho e amenizar os desafios da atual relação, é que procurem ter atitudes sempre. E que procurem o equilíbrio: nem se ausentar e nem se exceder. Mas como isso nem sempre é fácil, quando não souberem o que fazer, apenas esperem, em silêncio, ouvindo o próprio coração, até que a melhor resposta apareça.

Porque, no final das contas, é sempre melhor calar enquanto não houver nada de bom a dizer. Assim como é sempre melhor aquietar enquanto não houver nenhuma atitude em harmonia com seu coração a ser tomada!



Rosana Braga 



5 de novembro de 2011

O melhor sou eu!


Eu estou consciente e tenho o poder de pensar como eu quero. Tenho o direito de pensar no que eu quero para o meu próprio bem. Eu tenho e posso impor ao meu mundo interior tudo aquilo que eu quiser. E quero me sintonizar com o melhor. Esqueço, a partir de agora, a pessoa que eu fui, sobretudo meus vícios de pensamentos. Penso apenas na paz. Penso nela, permitindo que seu perfume toque minha aura e atinja todas as áreas da minha vida, todos os cantos do meu corpo. Penso na paz com uma mensagem de ordem e equilíbrio perfeito.

Deixo fluir na minha cabeça a consciência do 'eu posso'. Eu posso estar na paz. Impor essa paz é praticar o meu poder pessoal com responsabilidade divina, obtida por herança natural. O melhor para mim é um grande sorriso no peito. É a felicidade barata e fácil a que tenho direito. É tão simples pensar que o melhor está em mim! A beleza está em mim. A suavidade está em mim. A ternura, o calor, a lucidez e o esplendor das mais belas formas do universo estão em mim. Aí eu me abro inteira, viro do avesso e sinto que não há fronteiras nem barreiras para mim. Sinto que o limite é apenas uma impressão. Sinto que cada condição foi apenas a insistência de uma posição. Sinto que sou livre para deixar trocar qualquer posição por outra melhor. Sou livre para descartar qualquer pensamento ruim, qualquer sentimento ou hábito negativo, qualquer paixão dolorosa. Porque eu sou espírito. Sou luz da vida em forma de pessoa.

Ah, universo, eu estou aberta para o melhor para mim. Eu sei que muitas vezes sou levada por uma série de pensamentos ruins. Mas é porque eu não conhecia a força da perfeição. Eu não conhecia a lei do melhor. Agora eu me entrego, me comprometo comigo, com o universo e contigo. Vou manter a minha mente aberta. Esse momento me desperta, me traz a inspiração ao longo do dia onde se efectiva a luz que irradia para quem insiste no próprio aperfeiçoamento.

Não quero pensar nas minhas fraquezas. Quero olhar bem fundo nos meus olhos e ver como eu sou bonita, como fiz e faço coisas maravilhosas e como o meu peito está cheio de vontade. Eu assumo a responsabilidade sobre essas vontades e me projeto com força nessa identidade de saber que eu posso, sim, fazer o melhor. Despertar o meu espírito é viver nele. É ter a satisfação de ser eu mesma. É poder ser original, única, pequena e grande ao mesmo tempo. Sei agora que o melhor está a meu favor. Meu sucesso, aliás, é o sucesso de Deus que se manifesta em mim como pessoa em transformação. Eu sinto como se tivesse sentado nessa cadeira da solidez universal porque eu estou no meu melhor. Porque sou o sucesso da eternidade, porque estou há milhares de anos seguindo e não fui destruída. Porque o universo garante. Grito dentro de mim mesma: de todas as coisas da vida, o melhor ainda sou eu. O melhor sou eu!


Luiz Antonio Gasparetto

3 de novembro de 2011

A lógica do vazio



Quando o comichão do vazio rasga, surgem os questionamentos sobre o sentido da vida. Como se neste ainda infantil planeta tivéssemos condições de compreender o real significado da nossa existência. Mesmo assim, questionamos. Mas uma coisa é certa e com um nível bem fácil de compreensão: vida é energia em movimento. Quanto mais gasta, mais recebe. É a lei, "ação e reação". Não tem como escapar.

Então, se aderir ao vazio, apenas questionar e estagnar, certamente pifará. Por uma razão lógica:

1. A vida é energia em movimento.

2. Você estaciona em meio ao giro de todo o universo.

Logo: você pára de mover energia e a vida "murcha", ficando, por mais irônico que seja, vazia...

Resumindo: o vazio tende a gerar vazio.

Então, meu amigo, se o vazio incomoda, é porque, de alguma forma, você estacionou. Mesmo que se viva na incessante correria de compromissos "terrenos" e o dia precise de 27 horas, ainda assim, se o vazio incomoda, é porque você estacionou. Só que no universo não há vagas. É como um carro que pára no meio da rua em plena hora do rush: pode não provocar batidas, mas com certeza sofrerá a pressão infernal de todos aqueles que precisam trafegar. Não há outra maneira: ele tem de sair dali, não importa como.

Porém, acredite, o vazio pode ser bom. Quando bem encarado, ele é uma forma, quiçá a única, de nos "empurrar". Se para frente ou para trás, depende da escolha de cada um.

Nesses dias, em meio a uma crise existencial tipicamente terrena, disseram-me que a única coisa que eu deveria fazer seria mover energia a meu favor. As peças ainda ausentes - e que geram o vazio, pois, no fundo, sabemos da existência de todas elas - se encaixariam naturalmente, cada qual a seu tempo. Portanto, no lugar do vazio, há de entrar o movimento. No lugar do desespero, a paciência. E no lugar da frustração, a perseverança.

Se for muito difícil, acrescente a força, a fé, a confiança e um chocolatezinho, para não abandonar o caminho. Porque mesmo se abandonar, o universo não vai parar...




Raquel de Vechi 





2 de novembro de 2011

As quatro estações depois da perda



Quatro estações são necessárias para que se possa passar adiante depois de uma perda. O primeiro tudo depois da morte é sempre o mais difícil: o primeiro aniversário, o primeiro natal, o primeiro réveillon, as primeiras férias... são as ocasiões mais doloridas. Mas o passar dos dias ameniza a dor e vai dando lugar a uma certa nostalgia, ao carinho da lembrança.

Pensamos no instante da perda que nunca mais seremos capazes de sorrir, mas isso não é verdade. Depois de algumas auroras e alguns entardeceres, vamos descobrindo que a vida ainda está muito presente, que ainda somos capazes de nos alegrar com outras coisas, sem que isso diminua o amor e a saudade que sentimos de quem partiu.

Aceitamos dificilmente a morte porque nos esquecemos com facilidade que nossa vida na terra é apenas uma passagem. E quando alguém parte, é como se acordássemos para essa realidade: somos eternos para a vida, mas não a terrena! Inconscientemente pensamos na nossa própria morte e na daqueles que ainda estão conosco.

Mas... enquanto o sangue pulsar nas nossas veias, é a vida que pulsa e tudo o que podemos e devemos fazer é vivê-la. Alguém que amamos parte para sempre e isso é tremendamente doloroso. Essa pessoa é insubstituível ao nosso coração, já que cada pessoa é única em si no nosso viver e somos conscientes disso. Mas outros que amamos e que nos amam ainda estão por aqui e isso deve ser motivo de alegria e reconforto.

Por esses, pelo menos, devemos nos reerguer, reagir, fazer um esforço. E para nós, para nosso bem. Deus nos consola; amigos, família nos consolam... só precisamos é aceitar as mãos estendidas. Quatro estações e um pouco de paciência... o sol vai brilhar novamente, a alegria vai de novo encher o coração e tudo vai voltar ao normal. É preciso acreditar nisso!



Leticia Thompson


1 de novembro de 2011

O ocaso da lua cheia




Foram inúmeras as vezes que pude presenciar e me deliciar com o nascer do sol, principalmente, durante a adolescência. Quando ainda dava conta de passar a noite entre jogos de cartas, músicas dos Beatles no violão e conversa, tanta conversa e gargalhadas que, quando o grupo percebia, a noite estava acabando e rapidamente saíamos para ver a beleza de um dia raiando.

Depois, durante o decorrer dos anos, continuei vez por outra a ver aqui e ali um sol nascendo, sua magnanimidade de astro-rei. Imutável, forte, enérgico ali ao nosso dispor, à nossa espera. Nós acordamos e vamos dormir, ele permanece firme e constante - o mesmo.

Há pouco tempo estava na praia, perdi o sono, por sorte já não era tão cedo e não estava tão escuro, assim, resolvi que seria bom sair e ir caminhar pela areia. Peguei o café da madrugada na cozinha do hotel e vi que a claridade da manhã estava saindo de dentro dágua, fui pegar a máquina fotográfica e corri até a praia. Já havia saído dágua estava por detrás das montanhas em toda a sua glória nos dando de presente um espetáculo de profusão de cores, brilho e energia pura, despertando a vida para um novo dia.

Já estava muito alto para boas fotos, mesmo assim prossegui caminhando, apenas dando continuidade ao ciclo da vida no decorrer de mais um dia. Andar pela praia por si só já é uma coisa boa, nos afasta do estresse sufocante da grande cidade e seu corre-corre alucinado e barulhento de todo dia. Mas a imobilidade que o mundo parece assumir à beira-mar nos acalma a alma e silencia mente. Então, neste momento se pode sentir que existe uma fusão perfeita entre a natureza da alma humana e a alma do mundo.

Foi pensando no dia que nascia a minha frente que tive um encontro inesperado com o ocaso da lua cheia. Colossal, brilhante e majestosa. Quase passando para o lado de lá, indo adormecer no Japão, mas com muita pena de sair desta praia e deixar o Brasil. Tão inabalável e firme como o sol, sempre lá, sempre presente, aguardando nosso movimento, quem sabe nosso olhar.

Quase não acreditei, a lua ficou lá parada por alguns minutos - inerte, aguardando que eu pudesse primeiro sair do torpor - me acalmar e depois encontrar o melhor ângulo para clicar aquela foto, mesmo que por entre os fios de alta tensão. E então quando consegui, ela se pôs novamente em movimento e foi colocar o oriente todo para dormir.

Eu, maravilhada, fiquei estarrecida entre belezas e ciclos. De um lado sol ainda por trás das montanhas - do outro a lua cheia, suntuosa, amarelada e lenta a dar adeus a este lado do mundo. A noite se despedindo - fechando um ciclo, o sol nascendo despertando o dia, iniciando um novo ciclo.

Pensei que a melhor pergunta a fazer nesta hora em todas as manhãs, apreciando ou não um espetáculo destes é:- que escolhas farei hoje?
  Despertar em cada dia sabendo que posso fazer algumas escolhas durante este período é gratificante, desperta nossa atenção para que não façamos tudo automaticamente, mas com presença, com vontade de que
as intenções se realizem. 



Cássia Marina Moreira