15 de agosto de 2011

Nada será como antes...




Ontem era outro.
Outra coisa, outra pessoa, outra vida.
E esse aqui?
Eu?
Sim!
É a minha vida!
A vida é sempre diferente. É para viver!
A vida são escolhas! Colhemos o fruto das escolhas!
A escolha é nossa! É de cada um!
E a vida segue seu rumo. Segue o rumo que acreditamos ser o normal!
Tudo é normal se acredita ser!
Mas o que é normal?
Normal é o que é certo para você! Mas o seu normal pode ser anormal visto pelos outros. Os outros têm conceitos de vida diferentes!
Cada um é o que é! Deixe ser! Normal é ser a gente!
Para a sociedade, normal é o que está dentro das normalidades vigentes.
Deixa estar! Fique com você!
Cada um escolhe o que quer viver e segue as próprias escolhas! Segura essa! A sua! Escolha e depois segure o que virá!
No devido tempo as consequências sempre aparecem!
Então fique responsável pela sua escolha! A que você escolheu!
Mas que tempo é esse? A que tempo virá?
No tempo de maturação de tudo que é feito por todos nós.
Você escolhe, o outro escolhe e no frigir dos ovos, muitas vezes, é feito “um grande omelete” e comemos juntos!
Afinal, vivemos em sociedade e não há nada que alguém faça que não atinja o outro!
E vamos todos para o fogão!
A hora é de fazer! O melhor! Não se prenda! Vamos soltar?
Seja arrojado! Fique preparado para o que der e vier!
Vida é isso! Acontece de tudo, acredite!
Não dá para prever, se proteger!
As coisas acontecem e tomamos uma posição!
Se não escolhemos escolhem por nós! Vai deixar?
Mas nada de se achar o tal, o invencível! O super herói! O que sempre sabe de tudo!
Para que? Somos só humanos aprendendo a não errar, tanto!
Deixe para trás tantas ideias formatadas. Cresça em experiências! Experimente!
Sejamos mais humildes reconhecendo nossas reais proporções. E capacidades! Faça o que sabe!
Amplie sua forma de ver a vida! Viva seu querer! Queira viver!
Querer é poder! Mas tem que fazer! Pelo menos, tente!
Responda por sua vida, responda por si! Não critique ou julgue o outro.
Só isso! Saiba ganhar e perder! Estamos todos no mesmo barco, remando!
Se perder, tente mais uma vez! Ou duas! Ou mais! Vai!
Surpreenda-se! Sorria!
Se estiver iniciando ou terminando. Acertando ou errando.
Se cair, levante! Somos falhos. Humanos!
E certeiros, quando insistimos!
Mas se erramos, consertamos. E sempre aprendemos!
E vamos seguindo nosso caminho.
E não pense se deveria. Faça! Toda tentativa é para melhorar!
Na tentativa, uma hora você acerta! Um meio de achar!
Não somos perfeitos!
É durante toda tentativa que nos aperfeiçoamos!
Um dia chegamos lá! Acredite!
Está tudo certo! Tudo é para o bem. Para crescermos!
Na inconstância da vida sobrevivemos e descobrimos melhores formas de viver.
No incerto de tudo podemos nos colocar constantes. Constantes de tentativas! É a vida querendo nos ver atuar!
Se falhar, voltamos a fazer. E fazemos o melhor que sabemos.
O objetivo é viver! E bem!
Assine embaixo e faça o melhor de si mesmo!
Não, nada será como antes...
Se o outro era inexperiente, hoje está experimentado.
Experienciou-se.
Mas ainda tem muito a viver!




Renata D. Lima

Coldplay - The Scientist



 

14 de agosto de 2011

Saudade é não saber mesmo!



Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de muito grave, para sentirmos tanta saudade...

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.

Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe, saudade de uma cachoeira da infância, saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais,

Saudade do pai que morreu...

Saudade do amigo imaginário que nunca existiu, saudade de uma cidade, saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.

Doem estas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.

Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar no quarto e ela na sala, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela pra faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.

Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num ambiente frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi à consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre culpada, se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na internet, a encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua detestando McDonalds, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

É não saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.

Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.

Saudade é isso que eu estive sentindo enquanto escrevia. E o que você provavelmente estará sentindo depois que acabar de ler.



Miguel Falabela 


frank sinatra - my way







O texto do Falabela e "My Way", sua música

preferida, meu inesquecível Madeira, é pra você curtir o seu dia aí, pai, Além das Nuvens, rsrsrs...
Queria que você nunca, mas nunca se esquecesse mesmo de
como é grande o meu amor por você...




Meu pai Madeira e meus filhos, ainda pequenos (Marataizes-ES)













E, pra você,  Enzio, meu marido, meu grande companheiro,
que foi e continua sendo uma grande referência
e um grande exemplo para os meus filhos,
te ofereço o meu amor e agradecimento eternos!


Feliz Dia dos Pais!!!!

 

13 de agosto de 2011

Limites




O nosso direito termina onde começa o direito do outro.

E quando nós mesmos não respeitamos o nosso direito, permitindo que sejam invadidos os nossos limites, e nem percebemos? Ao contrário, nos queixamos dos outros mas não nos damos conta que a responsabilidade é toda nossa, ao não avisarmos o outro até onde ele pode ir.

O outro não possui a capacidade de adivinhar até onde vai o nossa tolerância a não ser que comuniquemos a ele. Enquanto não fizermos isso, ele se sente confortável e não percebe ‘nada demais...

Acontece que muitas vezes na ânsia de agradarmos (crescemos ouvindo que devemos ser "bonzinhos" ou o papai noel não vem, o coelho da páscoa passa reto, o presente de aniversário fica pro próximo ano...) somos levados a tolerar mais que o tolerável.

Sendo assim, um dia tudo foge do controle e explodimos. Ou surtamos. Ou continuamos tolerando até que o nosso humor se esvai, nossa vida parece não ter sentido, porque nos sentimos presos à necessidade de continuarmos tolerando, uma vez que já o fizemos até o momento.

Este comportamento é cruel. Cruel conosco, cruel com o outro.

Nós sofremos e o outro, por ignorância, sofre também por não saber a razão de certas atitudes hostis em relação a ele. Sim, porque embora estejamos tolerando, não nos sentimos confortáveis, e em certas situações não há como esconder a insatisfação.

Muitas vezes não percebemos ao mantermos este tipo de atitude, e o desconforto parece descabido.

É saudável olhar ao redor e verificar se existem situações deste tipo na nossa vida, um diálogo muitas vezes ajuda muito. Concordo que possa haver um certo constrangimento ao colocarmos o assunto em pauta, podemos num primeiro momento encontrar mil justificativas para manter a situação como está. Mas isto é somente o medo da mudança e da reação do outro.

Nada justifica nos mantermos nesta prisão fazendo do outro nosso algoz. É justo conscientizarmos o outro do que sentimos em relação a ele para que ele possa fazer algo a respeito, ele não pode ser acusado de algo que nem sabe que está fazendo.

Vamos nos dar a chance de expor os nossos limites e respeitar o limite dos outros.

Respeitar e ser respeitado significa liberdade. 
Mônica Turolla 

akon-freedom



12 de agosto de 2011

O amor como meio, não como fim




É hora de substituir o ideal romântico do amor que basta em si mesmo (por isso não dura) por uma relação que traga crescimento individual.

Há algo de errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor. Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada.

Desde crianças, aprendemos que o amor não deve ser objeto de reflexão e de entendimento racional; que deve ser apenas vivenciado, como uma mágica fascinante que nos faz sentir completos e aconchegados quando estamos ao lado daquela pessoa que se tornou única e especial. Aprendemos que a mágica do amor não pode ser perturbada pela razão, que devemos evitar esse tipo de contaminação para podermos usufruir integralmente as delícias dessa emoção – só que não tem dado certo. Vamos tentar, então, o caminho inverso: vamos pensar sobre o tema com sinceridade e coragem. Conclusões novas, quem sabe, nos tragam melhores resultados.

Vamos nos deter em apenas uma das ideias que governam nossa visão do amor. Imaginamos sempre que um bom vínculo afetivo significa o fim de todos os nossos problemas. Nosso ideal romântico é assim: duas pessoas se encontram, se encantam uma com a outra, compõem um forte elo, de grande dependência, sentem-se preenchidas e completas e sonham em largar tudo o que fazem para se refugiar em algum oásis e viver inteiramente uma para a outra usufruindo o aconchego de ter achado sua metade da laranja. Nada parece lhes faltar. Tudo o que antes valorizavam – dinheiro, aparência física, trabalho, posição social etc. – parece não ter mais a menor importância. Tudo o que não diz respeito ao amor se transforma em banalidade, algo supérfluo que agora pode ser descartado sem o menor problema.

Sabemos que quem quis levar essas fantasias para a vida prática se deu mal. Com o passar do tempo, percebe-se que uma vida reclusa, sem novos estímulos, somente voltada para a relação amorosa, muito depressa se torna tediosa e desinteressante. Podemos sonhar com o paraíso perdido ou com a volta ao útero, mas não podemos fugir ao fato de que estamos habituados a viver com certos riscos, certos desafios. Sabemos que eles nos deixam em alerta e intrigados; que nos fazem muito bem.

De certa forma, a realização do ideal romântico corresponde à negação da vida. Visto por esse ângulo, o amor é a antivida, pois em nome dele abandonamos tudo aquilo que até então era a nossa vida. No primeiro momento até podemos achar que estamos fazendo uma boa troca, mas rapidamente nos aborrecemos com o vazio deixado por essa renúncia à vida. A partir daí, começa a irritação com o ser amado, agora entendido como o causador do tédio, como uma pessoa pouco criativa e desinteressante. O resultado todos conhecemos: o casal rompe e cada um volta à sua vida anterior, levando consigo a impressão de ter falido em seus ideais de vida.

Os doentes acham que a saúde é tudo. Os pobres imaginam que o dinheiro lhes traria toda a felicidade sonhada. Os carentes – isto é, todos nós – acham que o amor é a mágica que dá significado à vida. O que nos falta aparece sempre idealizado, como o elixir da longa vida e da eterna felicidade.

Diariamente, porém, a realidade nos mostra que as coisas não são assim, e acho importante aprendermos com ela. Nossas concepções têm de se basear em fatos, nossos projetos têm que estar de acordo com aquilo que costuma dar certo no mundo real. Fantasias e sonhos, ao contrário, têm origem em processos psíquicos ligados à lembranças e frustrações do passado. É importante percebermos que o que poderia ser uma ótima solução aos seis meses de idade, como voltar ao útero materno, será ineficaz e intolerável aos 30 anos. A bicicleta que eu não tive aos 7 anos, por exemplo, não irá resolver nenhum dos meus problemas atuais. É preciso parar de sonhar com soluções que já não nos satisfazem a adaptar nossos sonhos à realidade da condição de vida adulta.

Se é verdade, então, que o amor nos enche de alegria, vitalidade e coragem – e isso ninguém contesta –, por que não direcionar essa nova energia para ativar ainda mais os projetos nos quais estamos empenhados? Quando amamos e nos sentimos amados por alguém que admiramos e valorizamos, nossa auto-estima cresce, nos sentimos dignos e fortes. Tornamo-nos ousados e capazes de tentar coisas novas, tanto em relação ao mundo exterior como na compreensão da nossa subjetividade. Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, nos curando das frustrações do passado e nos impulsionando para o futuro. Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evoluem, e sob essa condição seu amor se renova e se revitaliza.



Flávio Gikovate



Pet Shop Boys - Always on my mind


11 de agosto de 2011

Com o coração aberto




Às vezes, na estranha tentativa de nos defendermos da suposta visita da dor, soltamos os cães. Apagamos as luzes. Fechamos as cortinas. Trancamos as portas com chaves, cadeados e medos. Ficamos quietinhos, poucos movimentos, nesse lugar escuro e pouco arejado, pra vida não desconfiar que estamos em casa. A encrenca é que, ao nos protegermos tanto da possibilidade da dor, acabamos nos protegendo também da possibilidade de lindas alegrias. Impossível saber o que a vida pode nos trazer a qualquer instante, não há como adivinhar se fugirmos do contato com ela, se não abrirmos a porta. Não há como adivinhar e, se é isso que nos assusta tanto, é isso também que nos dá esperança.

É maravilhoso quando conseguimos soltar um pouco o nosso medo e passamos a desfrutar a preciosa oportunidade de viver com o coração aberto, capaz de sentir a textura de cada experiência, no tempo de cada uma. Sem estarmos enclausurados em nós mesmos, é certo que aumentamos as chances de sentir um monte de coisas, agradáveis ou não, mas o melhor de tudo, é que aumentamos as chances de sentir que estamos vivos. Podemos demorar bastante para perceber o óbvio: coração fechado já é dor, por natureza, e não garante nada, além de aperto e emoções mofadas. Como bem disse Virginia Woolf, “não se pode ter paz evitando a vida.”


Ana Jácomo


Pink_Floyd-Fearless